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Política

A conivência omissiva de progressistas e o risco à nossa democracia

Não se posicionar diante de quem nega ciência, de quem não tem sequer uma proposta com relação a políticas para negros, mulheres e LGBT é contraditório com pessoas aguerridas em tantas pautas necessárias

Publicado em 02 de Dezembro de 2020 às 05:00

Públicado em 

02 dez 2020 às 05:00
Renata Bravo

Colunista

Renata Bravo

Silêncio de pessoas do campo progressista neste momento é um alerta
Silêncio de pessoas do campo progressista neste momento é um alerta Crédito: Nakaridore/ Freepik
Voltei do off. A última coluna que escrevi foi no início da campanha e meu pedido foi de que o processo eleitoral fosse de respeito e união, para que a gente fosse político, fosse coletivo. Terminadas as eleições no domingo, tendo sido definido como cada cidade será liderada nos próximos quatro anos, acho que uma das coisas que mais me marcou foi o posicionamento: na esquerda, no centro e na direita – e ainda houve quem estivesse nos extremos.
Foi uma eleição de bordões clássicos, como costuma bem acontecer: juntos somos mais; importa mais quem estará nas trincheiras ao teu lado do que a própria guerra; juntos somos mais fortes. Mas um deles ecoou (na minha bolha pelo menos): o que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons, que também pode ser traduzido em “fazer o Ciro e ir pra Paris”.
Diante de algumas propostas e projetos que se mostraram disponíveis para serem escolhidos, o silêncio de pessoas do campo progressista neste momento é um alerta para o tipo de política diária feita. Porque a política é feita diariamente, é feita nas nossas escolhas, e o silêncio é uma forma de escolher e se posicionar. Frente a algumas possibilidades a serem escolhidas, não se posicionar diante de quem nega ciência, de quem não tem sequer uma proposta com relação a políticas para negros, mulheres e LGBT é um tanto contraditório com pessoas aguerridas em tantas pautas necessárias progressistas.
No Rio, por exemplo, se posicionar pela vitória do Eduardo Paes não era aplaudir todos os feitos dele; pelo contrário, diante de apenas duas opções, não adiantava de nada o campo progressista cruzar os braços e falar que os dois são ruins porque, no fim, somos nós todos que arcaremos com as escolhas, sejam elas comissivas, sejam omissas.
Este ano de 2020 não foi nada fácil para a gente. Viver esse momento de eleições em uma pandemia, mais difícil ainda. Não saber exatamente como as coisas vão acontecer no pós-pandemia (quando acontecer!) só causa mais angústia. Mas uma coisa é certa e ficou bem nítida no país inteiro: o sentimento de esperança possível está ativo. Independentemente de resultados, a posição tomada por tantas pessoas admiráveis foi fundamental para passar o recado de que a luta e a resistência seguem firmes e tendem a ser cada vez maiores pelas vidas negras, LGBT, pelas vidas de mulheres.

Renata Bravo

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