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Crítica

Baseado em história real, "O Urso do Pó Branco" é absurdamente divertido

"O Urso do Pó Branco" pega a história real de um urso que comeu cocaína e transforma em uma ótima comédia de terror. Filme será lançado dia 30 de março

Publicado em 21 de Março de 2023 às 19:20

Públicado em 

21 mar 2023 às 19:20
Rafael Braz

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Rafael Braz

Filme
Filme "O Urso do Pó Branco" pega uma história real e transforma em uma comédia absurda Crédito: Universal Studios/Divulgação
No início de “O Urso do Pó Branco” há duas mensagens. A primeira dela diz que o filme é baseado no caso do traficante Andrew Thornton, que, em fuga, saltou de um avião com quase 40kg de cocaína colados ao corpo. O para-quedas não abriu, Andrew morreu na queda e os pacotes de droga valendo R$ 290 milhões caíram em uma reserva florestal, onde foram devidamente devorados por um urso. A segunda mensagem, orientações sobre como agir ao se deparar com um urso, tem a assinatura da Wikipedia, ou seja, não é nada confiável.
Dirigido por Elizabeth Banks a partir do roteiro de Jimmy Warden, “O Urso do Pó Branco” se baseia em fatos, mas obviamente os distorce - nada ali deve ser levado a sério (tal qual na Wikipedia). No filme, a droga é consumida pelo urso, mas, ao invés de morrer de overdose como o urso da história real, o urso fictício, no embalo da cocaína, dá início a uma série de violentos ataques a visitantes e profissionais da reserva florestal.
Após o prólogo relatando os fatos, o filme tem início com um casal de trilheiros, as primeiras vítimas do pilhado animal. O texto logo tem uma escalada de violência no rompante de seu protagonista, o urso, em arcos que envolvem diversos personagens. Há a busca de Sari (Keri Russell) pela filha, Dee Dee (Broklynn Prince), e o amigo Henry (Christian Convery, de “Sweet Tooth”), personagens pelos quais somos convidados a torcer, mas há também o policial vivido por Isiah Whitlock Jr. (“The Wire”), a guarda florestal de Margo Martindale (“The Leftovers”) e os criminosos de O’Shea Jackson Jr. (“Straight Outta Compton”) e Alden Ehrenreich (“Solo”) - todos, além de muitos outros, potenciais vítimas do urso.
Filme
Filme "O Urso do Pó Branco" pega uma história real e transforma em uma comédia absurda Crédito: Universal Studios/Divulgação
Não deveria ser necessário dizer que “O Urso do Pó Branco” não deve ser levado tão a sério. Desde o início, o tom do filme é de uma comédia de erros que se desenvolve para um filme de terror ridículo e absurdo. Há muito sangue, muitas vísceras e alguns desmembramentos bem gráficos que fazem o espectador desviar o olhar e se retrair na poltrona. É interessante como o filme mistura a perceptível computação gráfica do urso com os efeitos práticos de maquiagem nas feridas causadas por ele - a combinação funciona para dar um ar de fantasia ao filme e também para suscitar o diálogo com o terror slasher dos anos 1980, período em que se passa a trama.
Filme
Filme "O Urso do Pó Branco" pega uma história real e transforma em uma comédia absurda Crédito: Universal Studios/Divulgação
O filme de Banks brinca com o que era levado a sério nos anos 1980, de hábitos às mensagens de combate às drogas que abrem o filme, o que suscitava nos jovens justamente a curiosidade. Esse tratamento fica claro quando Dee Dee e Henry encontram o primeiro pacote de cocaína e conversam sobre seu uso como algo descolado; a cocaína estava em todos os lugares daquela época. O humor do filme depende muito de o espectador comprar ou não essa pegada e entender algumas referências.
A brutal violência gráfica também pode incomodar, mas a maioria dos personagens está ali apenas para ser brutalmente assassinado pelo urso. O roteiro nem sequer se preocupa com o desenvolvimento da maior parte dos personagens além de Sari, Dee Dee, Henry e Eddie (Ehrenreich) justamente para que possamos não nos preocupar com eles e, em certos casos, até torcer para o urso. “O Urso do Pó Branco”, na verdade, é puro caos e diversão, sem grandes preocupações com nada além da violência absurda e das risadas.
Filme
Filme "O Urso do Pó Branco" pega uma história real e transforma em uma comédia absurda Crédito: Universal Studios/Divulgação
Para quem acha a brincadeira um absurdo, é bom dizer que “O Urso do Pó Branco” não glamouriza a droga, apenas faz piadas até com os personagens que não a consomem, dando a tudo um ritmo frenético, nonsense e imediatista. O espectador que comprar a ideia e a brincadeira com certeza terá 90 minutos de diversão com situações e violência absurdas motivadas por um imparável urso impulsionado pelo consumo de cocaína e por seu desejo de manter a “onda”.

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

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