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Perspectiva

Desempenho econômico do ES deve ser superior ao nacional em 2022

A exemplo do que aconteceu em 2021, a economia capixaba apresenta aspectos mais robustos e uma melhor ambiência em relação ao contexto brasileiro

Publicado em 19 de Janeiro de 2022 às 02:00

Públicado em 

19 jan 2022 às 02:00
Pablo Lira

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Pablo Lira

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), até o terceiro trimestre de 2021, comparado com o mesmo período do ano anterior (acumulado de janeiro a setembro), o Produto Interno Bruto (PIB) do Espírito Santo destacou um crescimento de 7,9%, resultado superior ao registrado pelo Brasil (5,7%).
Além do desempenho de destaque do PIB, o Estado evidenciou outros indicadores macroeconômicos e sociais melhores do que a média nacional em 2021, como foi o caso da taxa de desemprego. Enquanto o país fechou o 3º trimestre com uma taxa de 12,6% de desempregados, o Espírito Santo alcançou uma taxa de 10,0%, conforme as informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD/IBGE). O ES vem acumulando importantes reduções nessa taxa e provavelmente conseguirá trazer o desemprego para baixo de 10% nos próximos trimestres.
Insta salientar que no acumulado de janeiro a novembro de 2021 o Espírito Santo computou o maior saldo de empregos formais da última década, mais de 57 mil postos de trabalho. Esse é um desempenho que contribui para reduzir ainda mais o desemprego.
O número de pessoas sem trabalho no país ainda é elevado atingindo mais de 12 milhões de indivíduos. Ademais, o rendimento real (descontada a inflação) dos brasileiros caiu 4,0% na mesma base de comparação, chegando a R$ 2.459. Esse pode ser considerado um dos efeitos da precarização de vagas de trabalho e do aumento da inflação que superou o patamar de 10% em 2021.
Diferentemente da tendência nacional, o ES conseguiu combinar redução de desocupação e elevação da renda média. Na economia capixaba foi registrado aumento de 1,4% no rendimento médio do 2º para o 3º trimestre de 2021, elevando de R$ 2.343 para R$ 2.375. De toda forma, tal resultado deve ser analisado de forma conjugada com os desafios macroeconômicos nacionais, sendo que em um cenário de alta inflação o potencial de compra das famílias tende ser mais comprometido.
Na perspectiva social, a pesquisa “Síntese de Indicadores Sociais”, elaborada pelo IBGE, revelou que a pobreza no Brasil diminuiu de 25,9% em 2019 para 24,1% em 2020. Ainda assim, nesse último ano mais de 50 milhões de pessoas se encontravam abaixo da linha de pobreza, isto é, brasileiros que convivem com rendimento domiciliar per capita inferior a US$ 5,50 por dia, o que equivale a R$ 450,00 mensais. Nesse mesmo período de comparação, o ES conseguiu diminuir a taxa de pobreza de 20,2% para 18,7%, ficando abaixo da média nacional.
Há expectativa de que a vulnerabilidade socioeconômica siga diminuindo no Espírito Santo, uma vez que em 2021 o governo estadual ampliou o quadro das ações de transferência condicionada de renda e assistência social com o Cartão ES Solidário, que está beneficiando mais de 87 mil famílias capixabas que foram impactadas mais fortemente pelos efeitos negativos da pandemia. Essa relevante ação garante R$ 1.600 pagos ao longo de oito meses para as citadas famílias.
Em resumo, o desempenho da economia capixaba superou a brasileira em vários aspectos, a saber, a) destacando um crescimento mais forte no PIB; b) reduzindo mais o desemprego de forma conjugada com elevação do rendimento real; c) diminuição mais significativa da pobreza e vulnerabilidades sociais.
Além desses aspectos, vale considerar que o ES apresenta um ambiente consolidado de equilíbrio nas contas públicas, diferentemente da realidade nacional. Esse fator é determinante para a atração de novos empreendimentos, geração de emprego e renda. O próprio investimento público é potencializado nessa condição diferenciada. Em 2020 e 2021, o investimento público estadual foi de R$ 1,120 milhão e R$ 1,597 milhão, respectivamente, ou seja, retornaram para um patamar acima de R$ 1 milhão. Para 2022 o valor de investimento previsto no orçamento do Estado é de R$ 2,700 milhões.
Diante dos aspectos e fatores aqui analisados, constata-se que a economia do Espírito Santo apresenta aspectos mais robustos e uma melhor ambiência para alcançar um desempenho ainda mais favorável em relação à economia nacional em 2022.

Pablo Lira

Pós-Doutor em Geografia, mestre em Arquitetura e Urbanismo (Ufes), pesquisador do IJSN e professor da Universidade Vila Velha (UVV). Escreve às quartas

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