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Cafeicultura

Consumo mundial de café está em alta, mas causa impactos

Além de surpreender o mercado, pois julgava-se que a pandemia da Covid-19 inibiria o consumo, o movimento acabou pressionando os preços para cima

Publicado em 23 de Outubro de 2021 às 02:00

Públicado em 

23 out 2021 às 02:00
Orlando Caliman

Colunista

Orlando Caliman

Café
Café: especialistas apontam escassez de oferta para o consumo local, elevando assim os preços Crédito: mdjaff/Freepik
O consumo mundial de café cresceu mais que a produção, considerando-se a última safra – 2020/21. Segundo dados divulgados pela OIC (Organização Internacional do Café), no seu boletim de setembro, enquanto a demanda avançou 1,9%, atingindo o patamar de 167 milhões de sacas, a oferta cresceu apenas 0,4%, com 169 milhões de sacas produzidas. Além de surpreender o mercado, pois julgava-se que a pandemia da Covid-19 inibiria o consumo, o movimento acabou pressionando os preços para cima.
Bom para o Brasil, o maior produtor e exportador mundial de café verde, ou seja, apenas pilado. E naturalmente para o Espírito Santo, o segundo produtor nacional. Infelizmente, porém, boa parte dos ganhos nos preços e também pela via do câmbio está sendo consumida pela disparada nos preços dos insumos, principalmente daqueles que contêm componentes importados e estão submetidos ao câmbio.
O incremento do consumo geral de cafés coincide também com a estimativa de queda na produção nacional, principalmente do arábica, estimada em cerca de 23%. A estiagem prolongada, adicionada a geadas que atingiram o sul de Minas Gerais, comprometeram fortemente a produção e a produtividade. Em certas áreas, o retorno à normalidade demandará muito tempo para que lavouras sejam recompostas. Fato que deverá alongar também os ajustes no mercado.
Mas, não é somente o Brasil que está encontrando dificuldades em atender entregas antecipadamente contratualizadas. Outros países produtores, porquanto concorrentes, estão enfrentando os mesmo problemas. A Colômbia, segundo produtor mundial, por exemplo, está importando café do Brasil para suprir as suas demandas interna e, indiretamente, externa. Praticamente dobrou suas importações entre 2020 e 2021, atingindo até agora, neste ano, 800 mil sacas. Outros concorrentes, como México e Equador também aumentaram suas compras de cafés do Brasil. Somente para esses três países as exportações já chegaram a quase 2 milhões de sacas.
O mais provável é que esses países vêm se valendo dessas importações como forma de honrarem seus compromissos de entregas – contratos de futuros - a países consumidores. Nessa perspectiva, a hipótese, também provável, é de que esse esses países estariam suprindo as suas demandas internas – consumo próprio -, que também surpreenderam em crescimento, com cafés importados, liberando, assim, seus próprios cafés de mais alta qualidade para atendimento das suas demandas externas.
Sabemos que por razões legais o Brasil não pode fazer movimento idêntico ao seus concorrentes mais próximos, mas, ao atender as demandas destes, especialmente com cafés de menor qualidade, impacta o mercado interno de consumo. Especialistas apontam, por exemplo, escassez de oferta para o consumo local, elevando assim os preços. Bom para o produtor, mas ruim para o bolso do consumidor.
Não podemos perder de vista que os problemas que os concorrentes estão enfrentando também estão presentes aqui. Alguns produtores e operadores do mercado já estão tendo dificuldade em liquidar suas operações em contratos futuros.

Orlando Caliman

É economista. Analisa, aos sábados, o ambiente econômico do Estado e do país, apontando os desafios que precisam ser superados para o desenvolvimento e os exemplos de inovação tecnológica

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