Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Competitividade

A armadilha da baixa complexidade da economia no ES

São duas variáveis para medir o grau de complexidade e consequentemente de competitividade nas relações comerciais externas: diversidade e ubiquidade de produtos

Publicado em 10 de Dezembro de 2022 às 00:10

Públicado em 

10 dez 2022 às 00:10
Orlando Caliman

Colunista

Orlando Caliman

Segmentos da economia capixaba como de petróleo, comércio e mineração estão sendo impactados pela pandemia do novo coronavírus
Alguns segmentos da economia capixaba: petróleo, comércio e mineração  Crédito: Beatriz Seixas/Fernando Madeira/ Tadeu Bianconi-Agência Vale
No meu artigo da semana passada chamei a atenção para novas oportunidades de desenvolvimento, que podemos chamar de brechas de oportunidades, que podem se abrir para o Brasil e também para o Espírito Santo, mesmo num cenário global um tanto quanto adverso, por conta dos últimos acontecimentos – pandemia e guerra.
A configuração de uma nova geoeconomia, já em curso, naturalmente não descolada de uma nova geopolítica, vem provocando mudanças nas estratégias de negócios globais com impactos em cadeias de suprimento e em mercados, numa busca de maior previsibilidade. Há espaços a ocupar nesse novo cenário.
Ora, se existem ou existirão espaços a serem ocupados, resta-nos o desafio de primeiramente termos uma percepção minimamente clara de quais são ou serão eles e, na sequência, avaliarmos as condições e condicionantes que nos possibilitariam ocupá-los. Daí a sugestão feita no referido artigo de se construir um mapa de oportunidades, a servir de guia e também referencial em relação ao que deve e pode ser feito.
E mais, onde deveremos alocar recursos, ou seja investimentos, nas suas mais deferentes modalidades, tais como educação, inovação, infraestrutura, tecnologia, gestão, pesquisa e desenvolvimento, dentre outros, que tornem o Espírito Santo mais competitivo e atrativo para os negócios.
A abertura para esses novos espaços, no entanto, requer nos desvencilharmos do que poderíamos denominar de “armadilha da baixa complexidade econômica”. Observando e avaliando a economia capixaba nos últimos 50 anos, chego à conclusão de que nossa economia não somente se afeiçoou à comodidade de um crescimento contratualizado e de longo curso, que agora se esmorece, como viu-se presa, por consequência a uma verdadeira armadilha que a limita quando fazemos a leitura pela ótica da complexidade econômica.
A teoria da complexidade econômica foi desenvolvida pelo pesquisador e professor Ricardo Hausmmann, da Harvard Kennedy School, que também a transformou em ferramenta para medir a complexidade econômica entre países e estados. No Brasil, alguns estados já adotaram sua teoria e ferramentas de trabalho, com destaque para Minas Gerais.
Hausmmann utiliza apenas duas variáveis para medir o grau de complexidade e consequentemente de competitividade nas relações comerciais externas: diversidade e ubiquidade de produtos. Diversidade diz respeito à quantidade de produtos que um país exporta com vantagem competitiva. Já ubiquidade, tida como segredo da competitividade, relaciona-se a quantidade de países que produzem um determinado produto com vantagem competitiva.
Associando essas duas variáveis vamos ver que a economia capixaba apresenta uma baixa complexidade e sofisticação econômica: tem sua pauta de exportação, fortemente concentrada em quatro blocos de produtos. Cerca de 90% do valor das exportações. Commodities que funcionam como base da grandes cadeias globais de valor. Não deixa de ser uma vulnerabilidade.
Aliás, a mesma armadilha detectada para Minas Gerais, em estudo realizado por pesquisadores da UFMG, da FJP- Fundação João Pinheiro e governo de MG, com o sugestivo título de “Armadilha da baixa complexidade em Minas Gerais: O desafio da sofisticação econômica em um estado exportador de commodities”, publicado na Revista Brasileira de Inovação (Campinas), em 2018. Vale registrar que Minas Gerais já vem implementando estratégias e iniciativas no sentido de escapar da referida armadilha por meio do mapeamento de novos espaços de produtos. Para tanto criou a plataforma Dataviva, com tecnologia do MIT Media Lab.
Eis um desafio para o Espírito Santo.

Orlando Caliman

É economista. Analisa, aos sábados, o ambiente econômico do Estado e do país, apontando os desafios que precisam ser superados para o desenvolvimento e os exemplos de inovação tecnológica

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem BBC Brasil
Um mês de aluguel no ingresso, R$ 80 por uma cerveja: quanto torcedores estão pagando para estar na Copa
Operação “Cinturão Sul” cumpre mais de 40 mandados na Região Sul do ES
Megaoperação da Polícia Civil mira criminosos em 19 cidades do Sul do ES
O senador Jaques Wagner (PT-BA) atua como líder do governo Lula no Senado
Caso Master: PF cumpre buscas contra Jaques Wagner, líder do governo no Senado

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados