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Balanço

Economia do ES não manteve desempenho acima do país no 2° trimestre

Venda de café em grãos, celulose e especiarias, por outro lado, fez com que as exportações do agronegócio capixaba terminassem o período registrando alta de 19,3% frente ao trimestre anterior

Publicado em 12 de Novembro de 2020 às 04:00

Públicado em 

12 nov 2020 às 04:00
Luan Sperandio

Colunista

Luan Sperandio

Agronegócios
Café puxou as exportações do Espírito Santo para cima no segundo semestre Crédito: FOTO SECOM
O estudo Panorama Econômico, realizado pelo Instituto dos Santos Neves (IJSN), apontou como foi o desempenho da economia do Espírito Santo no segundo trimestre de 2020. Tal como no primeiro trimestre, o desempenho capixaba foi muito afetado pela crise sanitária e políticas de distanciamento social adotadas. Neste texto, faremos tanto uma análise contextual quanto um apanhado de cada setor da economia do Espírito Santo, além de comparar com a economia brasileira.
Embora o Espírito Santo tenha apresentado desempenho melhor do que a média brasileira entre janeiro e março, o Estado não conseguiu repetir o feito no trimestre seguinte. Enquanto o restante do país teve queda de 10,2% no nível de atividade econômica em relação ao mesmo período de 2019, o do ES caiu 11,4%. Uma diferença de valor igual à queda do primeiro trimestre: 1,2%. Já em comparação à soma dos três meses anteriores, os resultados da economia capixaba e brasileira entre abril e junho, respectivamente, foram de: -5,9% e -9,7%.
Em suma, as causas se mantiveram semelhantes às do trimestre anterior: redução do consumo interno e externo de determinados produtos e a menor produtividade do setor industrial, decorrente das medidas de segurança impostas para proteger os trabalhadores da infecção pelo novo coronavírus.
Com esses resultados, a estimativa do PIB nominal do Espírito Santo no segundo trimestre de 2020 em valores correntes foi de R$ 30,3 bilhões. Esse valor representa uma queda de 10,2% em comparação a 2019 e de 5,9% para o período de janeiro a março.

Agricultura: o melhor resultado do Espírito Santo no segundo trimestre

No segundo trimestre de 2020, as exportações do agronegócio capixaba exibiram alta de +19,3%, frente ao trimestre anterior, representando 30,4% de tudo que é exportado. Esse resultado positivo se deve às exportações de café em grãos (+32,9%), vendas de celulose (+8,2%) e especiarias (+30,7%). Em geral, esse setor também foi o destaque da economia brasileira. O PIB da agropecuária do país registrou alta de 0,4% no segundo trimestre do ano, segundo dados do IBGE.
Enquanto o café conilon apresentou queda de -10,3% em relação a 2019, o tipo arábica registrou crescimento de +33,5%, O fator se deve à bienalidade positiva de 2020. Apesar disso, o clima está entre os principais fatores que prejudicaram as safras deste ano, com a redução de chuvas e fortes ventos.

Indústria capixaba continua em queda

Entre abril e junho, o volume de produção industrial no Espírito Santo apresentou recuo de -29,8% contra o mesmo trimestre do ano anterior. Em contrapartida, o Brasil registrou redução de -19,4%. Esse é o décimo resultado negativo consecutivo, ampliando ainda mais o ritmo de queda iniciado no primeiro trimestre de 2018 (-0,8%).
Esse cenário negativo se deve à retração das atividades industriais, principalmente aos resultados registrados na indústria extrativa (-34,7%), seguida da metalurgia (-36,9%), fabricação de produtos alimentícios (-29,4%) e fabricação de produtos de minerais não metálicos (-25,4%).
Por fim, as expectativas para o resto de 2020 não são animadoras, de acordo com o Índice de Confiança do Empresário industrial (ICEI). Esse indicador busca refletir como os empresários industriais avaliam as condições atuais e as possibilidades para os próximos seis meses.
Visto que o critério de confiança depende de valores a partir dos 50 pontos, o Brasil apresentou um valor abaixo da média histórica: 41,2 pontos no último mês de junho. Embora um pouco melhor, com 42,2 pontos, o ES também segue abaixo do ideal.

Comércio e Serviços: ES com o segundo melhor resultado do Sudeste

A maior retração entre os segmentos econômicos do ES ocorreu no setor de Serviços prestados às famílias. Essa área engloba serviços alojamento e alimentação, muito afetado pelas medidas de isolamento social. Em comparação ao segundo trimestre de 2019, a queda foi de cerca de 55%. Um resultado melhor do que o Brasil que registrou -65,1%. Já o volume de vendas do comércio varejista restrito capixaba apresentou queda de -5,1%. Enquanto isso, o restante do país sofreu com -7,6%.
No ranking das Unidades da Federação (UFs), o ES ocupou a 10ª colocação, com 0,1%, perdendo duas posições no indicador acumulado em quatro trimestres em relação aos três primeiros meses do ano. No entanto, o estado ainda permaneceu acima da média nacional de -1,3%. Além disso, o Espírito Santo obteve o segundo melhor desempenho da região Sudeste, atrás apenas de Minas Gerais (+1,0%).
Em suma, o volume de vendas teve diminuição em seis dos oito segmentos investigados, na comparação com o mesmo trimestre de 2019. Entre os principais estão: livros, jornais, revistas e papelaria com (-49,8%); combustíveis e lubrificantes (-31,3%); veículos, motocicletas, partes e peças (-30,3%); móveis e eletrodomésticos (-7,5%).
Por outro lado, o comércio de materiais de construção seguiu na direção contrária, com crescimento de 41,4%. Fato esse que pode estar relacionado à permanência em casa durante a quarentena e à maior disponibilidade de tempo para fazer reformas e reparos, além do desenvolvimento do setor imobiliário a partir dos juros baixos.

Comércio exterior

O segundo trimestre de 2020 registrou as exportações do Espírito Santo caindo 19,11% no período. Assim, o resultado positivo do Brasil, com +9,05%, deve-se às vendas externas promovidas por outros estados do país.
Estados Unidos e China seguiram no topo dos destinos das exportações do Espírito Santo, com 32,59% e 19,58%, respectivamente de participação. Enquanto isso, o Brasil passou a ocupar o primeiro lugar nas importações, com 39,34% do total, com a China em segundo lugar (11,06% de participação) e Estados Unidos em terceiro lugar (7,81%).

Mercado de trabalho

Tanto em comparação ao período de janeiro a março de 2019 quanto ao trimestre anterior de 2020, a taxa de desocupação no Espírito Santo manteve-se estável estatisticamente: 12,3%; um ponto percentual abaixo da média brasileira.
Em geral, as áreas com maiores perdas de postos de trabalho representam o setor de serviços. E, considerando apenas os empregos formais, houve a perda de quase 25 mil empregos no Espírito Santo. Entre abril e junho, a queda do número de vínculos foi de -3,41% em comparação ao registrado no trimestre anterior. Apenas a agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (+381) apresentou acréscimo no número de vínculos empregatícios.
Consequentemente, o número de capixabas requerendo seguro-desemprego no ES aumentou 34,2% em relação ao primeiro trimestre de 2020, quando os efeitos da pandemia ainda estavam no início.

Luan Sperandio

É editor-chefe da Apex Partners. Neste espaço, faz análise de dados, evidências e literatura

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