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Ranking

Cidades inteligentes como Vitória atraem mais investimentos

Em paralelo a inovações promovidas pelo setor privado, governos precisarão repensar a dinâmica dos serviços públicos para, com uso de tecnologia, melhorar a eficiência dos serviços

Publicado em 03 de Setembro de 2020 às 05:00

Públicado em 

03 set 2020 às 05:00
Luan Sperandio

Colunista

Luan Sperandio

Não é só a tecnologia que faz as cidades inteligentes: vários indicadores são levados em conta
Não é só a tecnologia que faz as cidades inteligentes: vários indicadores são levados em conta Crédito: Pixabay
De acordo com o Ranking Connected Smart Cities, Vitória está entre as dez cidades mais inteligentes e conectadas do país, na oitava posição. Entre as capitais, ocupa a quinta posição do levantamento, atrás de São Paulo, Curitiba, Brasília e Florianópolis. Mas, além do objetivo de a partir de tecnologia oferecer melhores soluções urbanas, a distinção também representa grandes atrativos para investimentos.
E nos próximos anos haverá maior demanda por infraestrutura digital, o que oferece oportunidades de alocação de capital em um momento de juros baixos. Isso pode beneficiar a formação das Cidades Inteligentes, que tendem a atrair mais empresas e trabalhadores qualificados, gerando um círculo virtuoso.
O que são cidades inteligentes
As smart cities, ou cidades inteligentes, têm uma premissa: o uso das tecnologias para melhorar a qualidade de vida e gerar dinheiro, havendo alguns relatórios que trazem indicadores que qualificam os locais mais inteligentes e conectados.
No Brasil, por exemplo, o Ranking Connected Smart Cities, da consultoria Urban Systems, analisa todas as cidades com mais de 50 mil habitantes com o objetivo de definir aquelas com maior potencial de desenvolvimento.
Ao todo, são avaliados 70 índices, separados em 11 tópicos: mobilidade e acessibilidade, meio ambiente, urbanismo, tecnologia, saúde, segurança, educação, empreendedorismo, energia, governança e economia.
Vitória é uma cidade inteligente?
De acordo com o levantamento, Vitória se destacou no eixo de mobilidade, ocupando a 5ª posição. O indicador analisa as conexões interestaduais, destino aeroviário, veículos de baixa emissão de gases poluentes e mortes no trânsito. Já em relação ao porte de municípios, entre as cidades com população entre 100 e 500 mil habitantes, Vitória é a melhor no recorte mobilidade e acessibilidade.
Vale ressaltar que, apesar da boa colocação, a capital capixaba pontuou 2,69 dos 6,75 possíveis, evidenciando espaço para melhora.
É no indicador de saúde, porém, que a Ilha ganhou maior relevância: ocupa o primeiro lugar, posição que ocupa desde 2015.
A Capital está entre as dez melhores cidades do país em mobilidade urbana, meio ambiente e economia.
Por outro lado, o estudo apontou que a Capital precisa de atenção em questões de saneamento, buscando ampliar o atendimento de água da população e de coleta de esgoto. Segundo o Sistema Nacional de Informações de Saneamento, do Ministério do Desenvolvimento Regional, 81% da rede de esgoto da cidade é tratada.
No quesito de educação, tecnologia e inovação, a pesquisa mostrou que 38,1% dos empregos formais são ocupados por população com ensino superior. Ainda nesse contexto, Vitória conta com 30,6 pontos de acesso a internet por 100 habitantes e uma taxa de abandono no ensino médio público de 1,9%. Esses resultados colocam a cidade apenas na 10ª posição do indicador de educação.
A despeito da boa colocação no ranking brasileiro, Vitória não aparece no estudo global realizado pelo Centro de Globalização e Estratégia do Instituto de Estudos Superiores da IESE. São analisadas 174 cidades de 80 países, sendo Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro as únicas brasileiras presentes, todas no último terço do ranking. O Rio, que no levantamento nacional está atrás de Vitória, aparece na 128º posição à luz de ecossistema sustentável, atividades criativas, igualdade entre os cidadãos e território conectado.
Ser uma cidade inteligente atrai investimentos
De acordo com o levantamento feito pelas consultorias europeias IJGlobal e M&E Global, 63% dos alto executivos de grandes bancos e instituições financeiras acreditam que a pandemia aumentará a procura pela chamada infraestrutura digital, à medida que as pessoas se tornam cada vez mais dependentes da conectividade.
Isso envolve áreas como 5G, internet das coisas e cidades inteligentes. Os países que não investem em infraestrutura digital correm mais riscos de perder competitividade e ficarem para trás.
Pesquisa da consultoria Frost & Sullivan  prevê que o mercado de Internet das Coisas — a tecnologia que permite a comunicação entre objetos, como postes de luz, carros ou câmeras de monitoramento — movimentará US$ 2,4 trilhões até 2025.
Em paralelo a essas inovações promovidas pelo setor privado, governos precisarão repensar a dinâmica dos serviços públicos para, com uso de tecnologia, melhorar a eficiência.

Luan Sperandio

É editor-chefe da Apex Partners. Neste espaço, faz análise de dados, evidências e literatura

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