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Segundo turno

Quem se beneficia com a neutralidade de Audifax na Serra

Ex-prefeito ficou em terceiro lugar na corrida e, agora, não apoia nem Weverson Meireles (PDT) nem Pablo Muribeca (Republicanos)

Publicado em 10 de Outubro de 2024 às 17:53

Públicado em 

10 out 2024 às 17:53
Letícia Gonçalves

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Letícia Gonçalves

Audifax Barcelos, Da Vitória e Marcos Delmaestro
Audifax Barcelos, Da Vitória e Marcos Delmaestro em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (10) Crédito: Felipe Izar/Divulgação
O ex-prefeito da Serra Audifax Barcelos (PP) decidiu não apoiar nem o ex-secretário estadual de Turismo Weverson Meireles (PDT) nem o deputado estadual Pablo Muribeca (Republicanos) no segundo turno da eleição para a prefeitura da cidade.
Audifax ficou em terceiro lugar e recebeu 58.643 votos (23,96%), numa derrota surpreendente, considerando que liderava as pesquisas de intenção de voto, mas, na reta final, como o Ipec revelou na véspera da eleição, ele perdeu pontos enquanto Weverson cresceu.
O principal apoiador do candidato do PDT é o atual prefeito da Serra, Sérgio Vidigal (PDT), que é arquirrival de Audifax. Muribeca, por sua vez, foi pintado na campanha pelo ex-prefeito como uma "ameaça" para a cidade.
Nesta quinta-feira (10), o ex-prefeito afirmou, em entrevista coletiva, que os dois candidatos que passaram ao segundo turno são igualmente um risco. 
"São duas histórias desconhecidas, a cidade corre risco. Não ficaremos com nenhum dos dois candidatos", cravou o ex-prefeito.
Audifax afirmou que foi procurado, tanto por Weverson quanto por Muribeca, diretamente ou por intermediários, após o resultado do primeiro turno.
Weverson negou: "Não fiz contato com ele e ninguém da minha campanha o procurou. O único partido do qual busquei apoio neste segundo turno foi o PSDB". Os tucanos decidiram apoiar o pedetista.
Muribeca também disse à coluna que não entrou em contato com Audifax, mas que alguém da campanha dele pode ter feito isso. "Eu liguei para o Da Vitória para pedir apoio do partido", contou o deputado, referindo-se ao PP, sigla do ex-prefeito.
O PP, entretanto, também vai ficar neutro na Serra no segundo turno.
Mas a neutralidade de Audifax beneficia algum dos candidatos?
Avalio que há pontos positivos a serem explorados pelo candidato do PDT e pelo do Republicanos, mas a neutralidade é mais benéfica para Weverson. Eis os motivos que me levam a esta conclusão:
SE AUDIFAX FICASSE COM WEVERSON
Weverson conta com a quase onipresença de Vidigal na campanha. O atual prefeito está no quarto mandato no comando do Executivo municipal, mas o candidato do PDT a prefeito apresenta-se ao eleitor como "renovação com responsabilidade".
A menção a renovação é parte importante da estratégia eleitoral dele e repetida até por Vidigal, que aponta o pupilo como "o novo",  "a mudança segura" para a cidade. O jovem, em 2024, disputa a primeira eleição.
Muribeca, por sua vez, afirma ser a "renovação de verdade" e o único que representaria, de fato, o fim do revezamento entre Vidigal e Audifax no poder, que perdurou por quase 28 anos.
Se Audifax subisse no palanque de Weverson, Muribeca ganharia um argumento de presente.
O deputado poderia dizer: "Estão vendo? As duas forças políticas 'antigas' da cidade estão ao lado do mesmo candidato. Como Weverson pode representar alguma renovação?".
Se até os adversários históricos Audifax e Vidigal se unissem contra ele, o republicano reforçaria o que já vem dizendo desde o primeiro turno, que há um "consórcio" pelo poder na Serra, contra o qual apenas Muribeca, o "antissistema" se levanta.
Paralelamente, salvo alguma reviravolta (que não podemos descartar, dado o resultado do primeiro turno), o eleitor de Audifax, por incrível que pareça, tende a se identificar mais com Vidigal e, por consequência, com Weverson, mesmo sem o endosso público do ex-prefeito.
É que Audifax e Vidigal são da mesma escola política. Aliás, o ex-prefeito já foi pupilo do atual chefe do Executivo municipal.
Então o candidato do PDT já vai herdar, de qualquer forma, boa parte dos votos que foram para Audifax no primeiro turno, sem o ônus de ser atacado por Muribeca com o argumento do "consórcio".
A união entre Audifax e Vidigal seria ruim para Muribeca também? Em parte, sim, pois alguns eleitores poderiam considerar isso a confirmação de que o republicano é um risco tão grande que até adversários figadais decidiram se juntar para evitar a derrocada da cidade. 
Mas essa leitura não seria unânime, pelos motivos expostos nos parágrafos anteriores.
SE AUDIFAX FICASSE COM MURIBECA
Se o ex-prefeito endossasse a candidatura de Muribeca no segundo turno, seria um sinal para os eleitores do ex-prefeito de que o candidato do Republicanos, no fim das contas, não é uma ameaça tão grande assim.
Por outro lado, isso abriria um flanco contra o próprio Muribeca.
Afinal, se ele é a "novidade" da política serrana e atua "contra o sistema", como poderia se aliar a alguém que foi prefeito da cidade por três mandatos? Alguém a quem criticou diversas vezes no primeiro turno?
Além do "risco" que Audifax avalia que Weverson e Muribeca representam, o ex-prefeito afirmou que "princípios e valores" nortearam a decisão de não apoiar ninguém.
Weverson largou na frente na corrida pela prefeitura no primeiro turno, recebeu 35.397 votos a mais que o candidato do Republicanos.
Ele conta com os apoios de Vidigal, Casagrande e, no segundo turno, recebeu o endosso do PT, que concorreu na primeira etapa do pleito com Professor Roberto Carlos.
O PSDB, que compôs chapa com Audifax, também fechou com Weverson.
Muribeca, por sua vez, tem ao seu lado lideranças do Republicanos, como o deputado federal Amaro Neto e o deputado estadual Sérgio Meneguelli, além do presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos.
O Novo, que teve candidato à Prefeitura da Serra no primeiro turno, Wylson Zon, já declarou apoio a Muribeca.
O PL, oficialmente, ficou neutro, mas Magno Malta, presidente estadual, e Valdemar Costa Neto, presidente nacional, implicitamente, apoiam Muribeca.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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