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Eleições 2022

O que Casagrande diz sobre Alckmin, no PSB, ser vice de Lula

Governador do ES é secretário-geral da sigla e participou de reunião que discutiu filiação do tucano e apoio do PT aos socialistas nos estados

Publicado em 21 de Novembro de 2021 às 08:45

Públicado em 

21 nov 2021 às 08:45
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Geraldo Alckmin e Lula
Geraldo Alckmin e Lula Crédito: Arquivo
Houve um tempo em que o PSDB, e tucanos em geral, eram os arquirrivais do PT e petistas de toda sorte. Essa polarização protagonizou diversas eleições presidenciais, sempre com o PT, nos anos recentes, levando a melhor. 
Até que veio o enfraquecimento do Partido dos Trabalhadores, em meio a escândalos de corrupção e crise econômica. E outra polarização surgiu, agora turbinada pelos algoritmos das redes sociais e pelo ciberpopulismo, termo que dá título ao livro do filósofo e comunicador Andrés Bruzzone.
Trata-se do bolsonarismo versus petismo. Ou antibolsonarismo versus antipetismo, uma vez que a escolha se dá por quem você desgosta mais.
Todo este preâmbulo foi necessário para destacar, leitor, o quão surreal poderia ser, a priori, ter o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin como vice na chapa do ex-presidente Lula (PT) na disputa pela Presidência da República em 2022.
Alckmin é um quadro histórico do PSDB. Mas não por muito tempo. Estão em curso tratativas para que o tucano se filie ao PSB. Caciques socialistas reuniram-se para discutir a questão. Estava presente o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, que é secretário nacional da legenda.
Alckmin já sinalizou que topa. O PSB, para fechar parceria com o PT, cobra apoio dos petistas nos estados, afinal há também eleição para governador no ano que vem.
"Gosto muito de Alckmin. Para a candidatura de Lula seria muito bom. Para Alckmin também poderia ser bom. Passaria, vitoriosa a chapa, a cumprir uma função nacional", avaliou Casagrande, ao ser questionado pela coluna sobre a possibilidade.
Colocar o plano em prática, no entanto, são outros quinhentos, como o secretário nacional do PSB admite.
"Acho que enfrentarão dificuldades para consolidar (a chapa), uma vez que que Alckmin já atacou muito o PT e Lula e o PT já atacou muito o Alckmin"
Renato Casagrande (PSB) - Governador do Espírito Santo
A esquerda e a centro-esquerda digladiaram-se, em vez de se unir, em 2018, facilitando o caminho para a vitória de Bolsonaro. Ciro Gomes (PDT), outro pré-candidato deste nicho, foi até para Paris no segundo turno naquele ano e deixou o circo pegar fogo. 
Agora, o PSB tenta puxar uma guinada à união. É difícil. A começar por Lula, pouco afeito a concessões e bastante centrado em si mesmo.
"Os sinais são de que Alckmin está analisando a possibilidade (de ser vice de Lula) com o argumento de que é preciso juntar para fortalecer a democracia derrotando Bolsonaro", concluiu Casagrande.
O governador do Espírito Santo deve disputar a reeleição, embora não tenha verbalizado a intenção. 
O PT convidou o senador Fabiano Contarato, hoje filiado à Rede, para ingressar no partido. Ele é pré-candidato ao governo do estado e, se isso se confirmasse, haveria divisão dos votos da esquerda em âmbito local.
Se o PT e o PSB formalizarem uma parceria nacional, a ideia é que os petistas não lancem candidatura própria em estados a serem priorizados pelo PSB, entre eles o Espírito Santo. Então o arranjo favoreceria Casagrande.
Por outro lado, pedir votos para Lula num estado com forte sentimento antipetista, ou antiesquerda – como já avaliou Contarato em entrevista à coluna –, não seria bom negócio para Casagrande. 
Assim, como também já tratamos aqui, a ideia seria um palanque duplo, em que o PSB estadual estaria fechado com Lula, mas o governador, pessoalmente, poderia adotar outro candidato à Presidência da República. 
A lógica nos estados é diferente da que rege a política partidária nacional. Tanto é que o PSDB, olha a sigla aí de novo, por aqui está até próxima de Casagrande, considerando que o presidente estadual da legenda, Vandinho Leite, cessou as críticas frequentes ao Palácio Anchieta. Apesar disso, o ex-vice-governador César Colnago (PSDB) se movimenta como pré-candidato a governador.
Ao mesmo tempo, o PT  local também é simpático aos socialistas. O ex-prefeito de Vitória João Coser até compareceu a um evento do PSB da capital no mês passado.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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