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Eleições 2024

O peso de Lula e Bolsonaro no voto para prefeito de Vila Velha

Pesquisa Ipec mostra se os apoios do presidente e do ex-presidente fazem diferença na hora de o eleitor escolher um candidato. E se esse efeito é positivo ou negativo. Confira

Publicado em 24 de Agosto de 2024 às 03:30

Públicado em 

24 ago 2024 às 03:30
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Pesquisa Ipec: Lula e Bolsonaro
Lula e Bolsonaro têm alguma influência sobre os eleitores de Vila Velha no pleito municipal Crédito: Divulgação/Arte A Gazeta
Desde antes do início da campanha eleitoral de 2024 uma dúvida está no ar: o pleito municipal vai ou não ser contaminado pelo debate ideológico nacional? E, se sim, qual o peso das figuras do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na hora de o eleitor decidir em quem votar para prefeito?
Em 2024, o município canela-verde tem um candidato do PL, o ex-secretário estadual de Segurança Pública Coronel Ramalho, e um do PT, o ex-vereador João Batista Babá.
Pesquisa Ipec realizada a pedido da Rede Gazeta e divulgada nesta sexta-feira (23) traz algumas respostas.
Entre os entrevistados, 45% disseram que o apoio de Bolsonaro a um candidato a prefeito de Vila Velha, independentemente de quem seja, "não afetaria" a vontade de votar em tal candidato.
Quando a pergunta é: "Caso um candidato a prefeito de Vila Velha, independentemente de quem seja, tivesse o apoio do presidente Lula, isso aumentaria, diminuiria ou não afetaria a sua vontade de votar nesse candidato?".
A resposta é que, para 50% dos eleitores da cidade, o apoio de Lula "não afetaria a vontade de votar no candidato".
O leitor ou leitora deve estar pensando: Tá, mas e a outra metade do eleitorado canela-verde? Deixaria-se influenciar pelo apoio do presidente ou do ex-presidente?
Sim, mas a influência pode ser negativa ou positiva para o candidato em questão.
Vinte e seis por cento dos eleitores de Vila Velha responderam que a vontade de votar em alguém para prefeito aumentaria se esse alguém fosse apoiado por Bolsonaro (para 22%, a vontade aumentaria muito e, para 4%, aumentaria pouco).
Outros 27%, porém, disseram que o apoio do ex-presidente da República os faria ter menos vontade de votar num candidato a prefeito (para 23%, a vontade diminuiria muito e para 4%, diminuiria um pouco).
Ou seja, o apoio de Jair Bolsonaro faz diferença para 53% do eleitorado de Vila Velha. Só que ajuda e atrapalha o candidato a prefeito na mesma medida.
Embora a pergunta dos pesquisadores do Ipec não cite Coronel Ramalho, é ele o postulante à prefeitura que se associa a Bolsonaro.
O ex-secretário estadual de Segurança Pública tem 10% das intenções de voto e está 65 pontos percentuais atrás do primeiro colocado, o prefeito Arnaldinho Borgo (Podemos).
Podemos concluir, assim, que o militar da reserva da PM dá um tiro, de corrida, para frente ao evocar o nome do ex-presidente e, ao mesmo tempo, um tiro no pé. (Todos esses tiros são metafóricos).
E o que dizer de Babá, do PT?
Ele aparece na pesquisa Ipec com 1% das intenções de voto para prefeito.
No Instagram, Babá se apresenta como integrante do "time do Lula".
Mas, como se pode notar, até agora isso não rendeu dividendos eleitorais para o ex-vereador.
A pesquisa Ipec mostra que 19% dos eleitores de Vila Velha teriam mais vontade de votar num candidato a prefeito se esse candidato tivesse o apoio do presidente da República (para 16%, a vontade aumentaria muito e para 3%, aumentaria pouco).
Outros 29%, entretanto, teriam menos vontade de escolher um nome apoiado pelo líder petista (para 25%, a vontade diminuiria muito e para 4%, diminuiria pouco).
Ou seja, potencialmente, em Vila Velha, Lula mais tira do que acrescenta votos.
O apoio dele exerce influência sobre 48% dos eleitores, mas o efeito é mais negativo do que positivo.
A estratégia de Arnaldinho de se associar ao governador Renato Casagrande (PSB) pode ter rendido frutos no que se refere aos investimentos estaduais realizados na cidade e à capitalização política de tais aportes e obras.
Mas o apoio direto do socialista, para 59% dos entrevistados pelo Ipec, não "afetaria a vontade de votar no candidato" a prefeito de Vila Velha, seja qual for o candidato.
Já para 26%, a vontade de votar em alguém aumentaria se esse alguém fosse apoiado por Casagrande (para 21%, aumentaria muito e para 4%, aumentaria pouco).
Outros 13% disseram que o apoio do governador a um candidato a prefeito reduziria a vontade de escolher esse candidato (para 9%, a vontade diminuiria muito e, para 4%, diminuiria pouco).
Assim, vemos que o apoio de Casagrande mais ajuda do que atrapalha.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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