Sair
Assine
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Eleições 2022

Ideologia, quem quer uma para (sobre) viver no ES

Veja o que marcou a campanha eleitoral de 2022 e como isso pode impactar a vida do eleitor

Publicado em 01 de Outubro de 2022 às 18:00

Públicado em 

01 out 2022 às 18:00
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Sete candidatos na disputa do governo do Espírito Santo
Sete candidatos estão na disputa pelo governo do Espírito Santo Crédito: Montagem Geraldo Neto
A campanha eleitoral de 2022 chega ao fim – a votação, no primeiro turno, é neste domingo (2) – e, no Espírito Santo, foi marcada por alguns pontos. Discussão a respeito de quanto dinheiro há no caixa do governo do estado, se está sobrando ou não; o aumento da miséria e da fome entre a população e, lateralmente, a prestação de serviços nas áreas de segurança, saúde e educação.  
Uma questão, entretanto, permeou tudo isso: um duelo, às vezes evidente, às vezes subliminar, de ideologias. Claro que, até certo ponto, isso é normal. Etimologicamente, ideologia significa "ciência das ideias".
"Ideologia é um conjunto lógico, sistemático e coerente de representações (idéias e valores) e de normas ou regras (de conduta) que indicam e prescrevem aos membros da sociedade o que devem pensar e como devem pensar, o que devem valorizar e como devem valorizar, o que devem sentir e como devem sentir", registra um artigo do Brasil Escola, que ajuda a traduzir as coisas para uma linguagem compreensível.
Assim, basicamente tudo está impregnado de ideologia. Mas falo aqui de estereótipos ideológicos. 
Isso aconteceu, principalmente, quando a eleição local foi "nacionalizada", trazendo questões da disputa pela Presidência da República e da briga entre Jair Bolsonaro (PL) e Lula (PT) para o plano estadual.
Isso não impregnou todo o pleito, de forma que aqui vai uma aposta desta colunista: vai ter muito voto BolsoGrande, gente que vai optar por Bolsonaro e, ao mesmo tempo, pelo governador Renato Casagrande (PSB), apoiador de Lula.
E não seria novidade. Certamente isso ocorreu em 2018.
Nos discursos de alguns candidatos, entretanto, parece que é tudo "preto ou branco", sem um tom de cinza.
Bolsonaro e Lula lideram as intenções de voto, mas também a rejeição dos eleitores. Sabendo disso, Casagrande não nacionalizou ou "ideologizou" a coisa toda.
O apoio dele a Lula foi bem discreto. Nos debates realizados pela Rede Gazeta, por exemplo, Manato (PL) e Guerino Zanon (PSD) pediram voto para Bolsonaro. O socialista nem lembrou do petista.
Aliás, quem falou de Lula foram os adversários. Usaram isso como crítica ao governador e associaram os governos do PT à corrupção, não sem razão, frise-se. O governador, por sua vez, não contra-atacou apontando suspeitas de corrupção na gestão Bolsonaro. E teria vários exemplos a citar.
O socialista formou uma ampla aliança, unindo no mesmo palanque o PT, o PDT de Ciro Gomes, o MDB de Simone Tebet e até o PP, que está com Bolsonaro.
Usou isso como escudo para não se imiscuir no debate nacional e tentar evitar a associação ao petismo.
Manato, por sua vez, atrelou a própria imagem à de Bolsonaro, mas tentou falar para fora da bolha, apontando propostas nas áreas da saúde e de combate à miséria e à pobreza. 
Guerino, que sempre foi conservador, bolsonarizou. Até passou a bradar "nossa bandeira jamais será vermelha". 
Nas inserções na TV, Manato juntou as figuras de Casagrande a Lula, Dilma Rousseff e até ao ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci.
Aridelmo Teixeira (Novo) usou uma frase típica do presidente da República para atacar o socialista, dizendo que o governador adotou a estratégia, na pandemia de Covid-19, do "fica em casa e a economia a gente vê depois".
Foi chamado, em conjunto com os demais, de "negacionista" por parte de Casagrande.
Até a formação do secretário estadual de Saúde, Nésio Fernandes, entrou na dança. "Formado em Cuba", "comunista", ressaltaram Manato e Guerino.
Audifax Barcelos (Rede) disse, mais de uma vez, que não iria nacionalizar a eleição no Espírito Santo e, assim, não revelou até hoje em quem pretende votar para presidente da República.
Convidou para vice, no entanto, uma militar do Corpo de Bombeiros, a Tenente Andresa, que já manifestou simpatia por Bolsonaro. Para o Senado, ele declarou apoio a Nelson Junior (Avante), outro bolsonarista.
Uma cena que chamou a atenção de um leitor da coluna foi que, na reta final da campanha, Audifax passou pela rua Carlos Martins, uma das principais vias de Jardim Camburi, em Vitória. Enquanto o candidato ao Palácio Anchieta falava ao microfone, em um trio elétrico, um eleitor gritou, da calçada, o nome de Lula.
Audifax parou o trio e entregou ao homem uma "colinha" com os números dos candidatos em que o próprio Audifax pretende votar e avisou: "Você vai gostar do meu voto para presidente".
O fato é que o pleito para a presidência da República, dada a divisão entre dois grupos que se formou há tempos, mobilizou mais a torcida. 
A corrida estadual ficou em segundo plano. A disputa pelo Senado, então, é sempre relegada. 
Nesse plano, Magno Malta (PL) apostou todas as fichas em Bolsonaro. 
Rose de Freitas (MDB), contando com o apoio do PT, manteve-se, "por enquanto", como apoiadora da correligionária Tebet, mas sem reforçar isso durante a campanha; Erick Musso (Republicanos) decidiu não pedir voto para candidato ao Palácio do Planalto, apesar de o partido dele estar na base de Bolsonaro.
Um apoiador dele que estava ao microfone de um trio elétrico da campanha de Erick que circulou por Vitória esses dias entoou o lema de Bolsonaro: "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos".
"ACIMA DE TUDO"
O que deve estar "acima de tudo" para o eleitor na hora de votar é, primeiramente, entender as funções dos cargos em disputa; observar os grupos políticos aos quais o candidato está ligado e não somente a figura ou a postura pessoal dele e não se atentar apenas para os cargos majoritários (presidente, senador e governador).
Quem não gostou de ver o autointitulado padre Kelmon nos debates tem que saber que ele só apareceu porque é filiado ao PTB, que tem cinco representantes no Congresso Nacional (três deputados federais e dois senadores). 
É o número mínimo para que as emissoras sejam obrigadas a convidar o candidato para os debates. 
O voto para deputado, portanto, tem consequências que o eleitor talvez não imagine na hora de apertar "confirma".
É o Congresso que define coisas que afetam o dia a dia dos eleitores e, muitas vezes, tem o poder de ditar as regras para quem está na Presidência da República. Não é à toa que o Centrão ascendeu e está dando as cartas. E este não tem ideologia alguma.
Isso é possível não apenas devido à fraqueza do Executivo, mas, principalmente, porque eleitores escolheram colocar na Câmara e no Senado integrantes de partidos do Centrão.
Ao escolher deputados estaduais, vale a mesma lógica. 

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
3 dicas para a escolha da especialidade na carreira médica
Imagem de destaque
Veja o que a Copa do Mundo 2026 pode ensinar sobre gestão e logística para pequenas empresas
Imagem de destaque
Mais segurança e conforto: 5 dicas para adaptar a casa ao envelhecimento

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados