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Eleições 2022

Filiação de Bolsonaro ao PL fortalece Magno Malta

Presidente da República deve passar a integrar o Partido Liberal, uma das principais siglas do Centrão

Publicado em 10 de Novembro de 2021 às 02:10

Públicado em 

10 nov 2021 às 02:10
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Ex-senador Magno Malta discursa em evento do governo federal, de entrega de casas populares em São Mateus
Ex-senador Magno Malta discursa em evento do governo federal, de entra Crédito: Alan Santos/PR
O presidente Jair Bolsonaro passou por diversos partidos, foi eleito pelo PSL em 2018, mas há dois anos deixou a sigla e está sem partido. Ensaiou criar uma legenda, a Aliança pelo Brasil, mas não deu certo, o número mínimo de assinaturas de eleitores para a empreitada não foi alcançado.
Agora, o capitão reformado disse que tem "99% de chance" de integrar os quadros do PL. A se confirmar, o movimento vai marcar a volta de Bolsonaro, oficialmente, ao Centrão. Entre 2005 e 2016, ele foi filiado ao PP, outro esteio do grupo de partidos fisiológicos que apoia o governo da ocasião em troca de verbas e cargos, em negociações pouco republicanas.
O PL, presidido nacionalmente por Valdemar da Costa Neto, condenado no mensalão, tem, no Espírito Santo, o ex-senador Magno Malta como principal expoente.
Derrotado em 2018, Magno voltou a comparecer a eventos e compromissos oficiais ao lado do presidente da República nos últimos meses, apesar de não ter cargo no governo e, logo, nenhuma função pública a desempenhar, como a coluna mostrou.
A filiação de Bolsonaro ao PL fortalece Magno, que deve tentar uma vaga no Senado em 2022.
O ex-parlamentar é quem preside a sigla no estado. A legenda basicamente orbita o ex-senador por aqui. A deputada federal Lauriete (PSC) era do PL, quando casada com Magno, mas, após o divórcio, alegou sofrer discriminação no partido e obteve o aval da Justiça Eleitoral para deixar a agremiação.
O PL tem um deputado estadual, Alexandre Xambinho, que foi eleito, em 2018, pela Rede Sustentabilidade, de Marina Silva, mas depois migrou para o partido de Magno Malta. A sigla não tem prefeitos no Espírito Santo.
A filiação de Bolsonaro, no entanto, deve turbinar a legenda no estado. O ex-deputado federal Carlos Manato (sem partido), que é pré-candidato a governador, disse ter "total interesse" em se filiar ao PL. Mas, primeiro, tem que combinar com Magno.
De acordo com Manato, o ex-senador deve viajar com Bolsonaro para os Emirados Árabes Unidos. A viagem está marcada para a próxima sexta-feira (12). Na volta, as trativas partidárias devem ser alinhavadas.
A expectativa é que a filiação do Bolsonaro ao PL seja efetivada no próximo dia 22, que é o número de urna da sigla.
Se Manato realmente for para o PL, a chapa pode ficar "pesada". O partido teria candidato a governador e ao Senado, restando apenas a vaga de vice a ser oferecida a uma sigla aliada.
No ano que vem, diferentemente de 2018, apenas uma cadeira do Senado vai estar em disputa em cada estado.
O PTB já convidou Manato a se filiar. Isso foi antes de o ex-deputado federal Roberto Jefferson se licenciar da presidência nacional do partido. Ele está preso em Bangu 8, no Rio de Janeiro, e já disparou, por meio de uma carta, diretamente da prisão, críticas ao presidente da República.
Antes, Jefferson levou o PTB para o berço do bolsonarismo. No estado, ocorreu o mesmo. Subtenente Assis, que não pode ser filiado, já que é militar da ativa do Corpo de Bombeiros, é uma das figuras próximas à legenda no Espírito Santo. Em 2018, ele disputou, sem sucesso, o Senado pelo PSL.
O PL, Partido Liberal, foi fundado em 2006. Até maio de 2019, o nome da legenda era Partido da República (PR).
O PR, por sua vez, surgiu da fusão do Partido Liberal com o Prona. Espera. O PL é filho do PL com o Prona, do Enéas? Parece a série Dark (Netflix), mas a política brasileira é assim mesmo.
O PL original foi fundado em 1985 e, em 2006, juntou-se ao Prona (Partido de Reedificação da Ordem Nacional), de Enéas Carneiro. Os dois partidos haviam obtido resultados tímidos nas urnas e, para sobreviver à cláusula de desempenho, decidiram unir forças.
"Enéas disse não estar 'constrangido' de se unir ao PL mesmo tendo como principal bandeira, na campanha eleitoral, o fato de integrar um partido que não tem parlamentares envolvidos nos escândalos do mensalão e dos sanguessugas – ao contrário do PL", registrou a Folha de S. Paulo em reportagem publicada em outubro de 2006.
Bolsonaro também não parece constrangido. Em 2018, ele rechaçou aproximação com o então PR, já presidido pelo mensaleiro Valdemar Costa Neto.
“A QUE PONTO CHEGARÃO? Primeiro a imprensa mente ao publicar que estive com Waldemar da Costa na semana passada. Agora diz que aceno para corruptos e condenados. É a velha imprensa de sempre, não sabem fazer outra coisa a não ser mentir e mentir”, escreveu Bolsonaro em 23 de maio de 2018.
Um dos filhos do presidente, o vereador do Rio Carlos Bolsonaro (Republicanos), apagou um post no Twitter, feito em 2016, em que replicava uma notícia da revista Época: "Delator aponta propina de 3,5% para PR e Valdemar Costa Neto nos contratos de Furnas".
Águas passadas.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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