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Eleições 2022

Federação entre PT e PSB é sepultada e candidatura de Contarato está em discussão

Presidente do PT-ES diz que não formalização da aliança verticalizada impulsiona chance de senador disputar; PSB quer apoio a Renato Casagrande

Publicado em 11 de Março de 2022 às 02:10

Públicado em 

11 mar 2022 às 02:10
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Ex-presidente Lula e Fabiano Contarato (Rede) em encontro nesta terça-feira (4), em Brs
Ex-presidente Lula e Fabiano Contarato (Rede) em encontro nesta terça-feira (4), em Brs Crédito: Ricardo Stuckert
A federação entre PT e PSB, aliança que uniria as siglas por quatro anos, não vai acontecer. Apenas PT, PCdoB e PV vão formar o bloco. A parceria entre petistas e socialistas na disputa pela Presidência da República, no entanto, está mantida. O ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, deve se filiar ao PSB e ser o vice de Lula (PT).
O que nos leva a como vai ficar o cenário nos estados. Já registramos aqui na coluna que a proximidade de Lula e Alckmin reduz as chances de Contarato pela pressão que a costura exerce por contrapartida nos estados. Se PT e PSB vão estar juntos nacionalmente, a lógica é que não se engalfinhem regionalmente.
Mas há alguns poréns. Se a federação tivesse deslanchado, PT e PSB estariam automaticamente amarrados nos estados, para a eleição de governadores, deputados federais e estaduais, inclusive.
Como o plano desandou – principalmente devido a atritos regionais e à forma como as decisões seriam tomadas na pretensa federação –, essa verticalização não vai mais ocorrer.
Assim, se PT e PSB vão se enfrentar nas urnas em alguns estados, como o Espírito Santo, vai depender das negociações caso a caso.
A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, afirmou ao Globo que o PT está "apoiando o PSB no Rio, Maranhão e Pernambuco". "No Espírito Santo, temos uma discussão e vamos continuar a discussão. Não ter a federação não nos afasta das alianças estaduais. É um patamar de coligação, é diferente, mas achamos que é importante". considerou.
A presidente do PT do Espírito Santo, Jackeline Rocha, avalia que, sem a federação, a pré-candidatura de Contarato sai fortalecida, mas tudo vai depender das tratativas feitas pela direção nacional do partido.
"No âmbito do Espírito Santo, só existiria rediscussão da candidatura do senador Contarato se houvesse imposição pela federação"
Jackeline Rocha - Presidente estadual do PT
Ela lembrou que a prioridade do PT é eleger Lula e Casagrande não manifestou apoio ao ex-presidente.
"Com o PT nacional, vamos encontrar o melhor caminho para o Lula aqui, que hoje é o nosso palanque, é o palanque do Contarato. Nada impede a construção de dois palanques no Espírito Santo, mas a gente tem que saber do Renato (Casagrande) quem é o presidente que ele vai apoiar. O Contarato a gente sabe que o candidato dele é o Lula", cravou a presidente estadual o PT.
"Esse é um posicionamento que favorece Contarato para a disputa para 2022", complementou.
Por outro lado, o PSB quer o apoio do PT a Casagrande.
"A recepção do Alckmin como vice tem o acordo que onde o PSB estiver melhor não tem candidatura do PT. Onde o PT estiver melhor não tem candidatura do PSB", afirmou o presidente do PSB do Espírito Santo, Alberto Gavini.
Já quanto a quem Casagrande vai apoiar para a Presidência da República a coisa já complica. O leque de alianças do socialista é amplo e ele já afirmou que pretende angariar a simpatia da centro-direita. No governo, está o Podemos do presidenciável Sérgio Moro.
Aliás, o encontro de Casagrande com Moro deu o que falar e estremeceu as bases petistas.
Se Casagrande e Contarato disputarem o governo do Espírito Santo, deve haver divisão dos votos da esquerda.
O superintendente da Polícia Federal, Eugênio Ricas, também avalia se lançar, no campo da centro-direita. E ainda tem o presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso (Republicanos), que é pré-candidato a governador; Audifax Barcelos (Rede), César Colnago (PSDB); Aridelmo Teixeira (Novo); Felipe Rigoni (União Brasil) e Guerino Zanon (MDB).
Claro que nem todos esses nomes vão aparecer nas urnas em outubro. Este mês vai ser uma das etapas decisivas para ver quem vai conseguir deslanchar. Até 2 de abril, quem quiser ser candidato tem que estar filiado ao partido pelo qual pretende concorrer.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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