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No ES

Euclério vai sair do União Brasil, que vive risco de nova debandada

Prefeito de Cariacica diz que o presidente da legenda no ES, Felipe Rigoni, "quer o partido só para ele". Denninho, deputado estadual eleito, também já está de malas prontas

Publicado em 10 de Janeiro de 2023 às 17:58

Públicado em 

10 jan 2023 às 17:58
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Euclério Sampaio, prefeito eleito de Cariacica
Euclério Sampaio, prefeito de Cariacica Crédito: Vitor Jubini
O prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio, está decidido: vai sair do União Brasil, que, no Espírito Santo, é presidido pelo deputado federal Felipe Rigoni. A causa da saída é justamente o líder estadual. Euclério alega que Rigoni "não conversa com ninguém" e que o partido nem se reúne.
O deputado ingressou no União em dezembro de 2021, após sair do PSB. E assumiu a presidência estadual da legenda em março de 2022. Chegou a lançar-se pré-candidato ao governo do Espírito Santo, mas disputou mesmo a reeleição, empreitada na qual não obteve sucesso, apesar da votação expressiva. 
"Eu sou o prefeito da terceira maior cidade do estado e não sou nem faxineiro no União Brasil", queixa-se Euclério. "Eu montei a chapa de estadual, elegemos dois deputados estaduais. Ele (Rigoni) montou a de federal e não elegemos ninguém. É uma boa pessoa, mas não conversa com ninguém", resumiu o prefeito.
"Ele está enrolando há quatro meses para marcar uma reunião. Não sei se quer destruir o partido e não posso ficar nessa insegurança. Se ele quiser ficar com o partido só para ele, que fique", disparou Euclério. 
Ele não definiu a qual partido se filiar, afirmou apenas que deve ser um de centro-direita.
E o prefeito não deve sair sozinho. O vereador de Vitória Denninho Silva, eleito deputado estadual, afirmou à coluna que vai "fazer de tudo para sair".
Ele é primo de Euclério. "O diálogo com Rigoni é zero, não atende ninguém. Então a chance de eu ficar é zero, vou fazer de tudo para sair, vou à Justiça", afirmou.
O prefeito pode trocar de partido a qualquer momento, pois não é alcançado pelas regras de fidelidade partidária.
Um deputado estadual, cargo que Denninho vai ocupar a partir de 1º de fevereiro, entretanto, precisaria esperar a janela partidária, aberta apenas em ano eleitoral, para migrar. Ou alegar justa causa e obter o aval da Justiça Eleitoral para sair antes.
"Se o Rigoni vendeu o partido contando com os deputados, eu não estou com ele", disparou o vereador. 
Euclério diz que deve levar outros aliados consigo. Em Cariacica, o União tem cinco vereadores. "Ainda não conversei com eles, mas eles me seguem, a maioria deve sair do União", aposta o prefeito. 
Euclério e Denninho, apesar de detentores de mandato, não têm postos de direção no partido. Questionados, disseram não saber quem ocupa a vice-presidência e a secretaria-geral da legenda no estado. "São assessores dele (Rigoni)", resumiu o prefeito.
O União não tem um diretório estadual eleito e sim um órgão provisório. O site do Tribunal Superior Eleitoral exibe os nomes dos membros desse grupo diretivo.
Ao cruzar os dados com os do Portal da Transparência da Câmara dos Deputados, é possível verificar que ao menos a vice-presidente, a tesoureira e o secretário adjunto são servidores do gabinete de Rigoni. O secretário-geral, não.
Desde o segundo turno, o deputado reaproximou-se do governador Renato Casagrande (PSB), que foi reconduzido pelas urnas ao Palácio Anchieta. Rigoni até vai integrar o primeiro escalão, como secretário estadual de Meio Ambiente.
Euclério e Denninho também são aliados do socialista e dizem que, em relação a isso, nada muda. "Mesmo quando Rigoni era pré-candidato ao governo eu já estava com Casagrande", lembrou o prefeito.
O vereador de Vitória também reforçou ser aliado do governador e disse que sua insatisfação é apenas com o União Brasil.
SEM ATRITOS
Além de Denninho, o União elegeu Bruno Resende para a Assembleia Legislativa. E ele pretende permanecer no partido.
Ao contrário dos dois outros filiados consultados pela coluna, Resende afirmou não haver dificuldades para contatar o presidente estadual.
"Tenho um bom relacionamento com Rigoni, estive com ele na semana passada, falei por telefone com ele ontem mesmo", ressaltou o deputado estadual eleito. Resende ingressou no União Brasil no ano passado a convite do deputado federal.
O QUE DIZ RIGONI
O deputado federal Felipe Rigoni, presidente do União Brasil no Espírito Santo, afirmou, na noite desta terça-feira (10), desconhecer os motivos que levam Euclério e Denninho a quererem deixar o partido:
"Eu atendo todo mundo que me liga. Se não posso atender na hora, retorno depois. E tenho bom relacionamento com Euclério e Denninho. Não entendi".
"Mas se Denninho quiser sair eu libero ele, sem problemas, não quero atrapalhar a vida de ninguém", complementou.
A PRIMEIRA DEBANDADA
Se a saída do grupo ligado a Euclério Sampaio se confirmar, esta vai ser a segunda debandada sofrida pelo União no Espírito Santo. O partido é resultado da fusão de DEM e PSL. 
Quando Rigoni assumiu a presidência, já movimentando-se para disputar o governo estadual, aliados de Casagrande retiraram-se, a exemplo do hoje vice-governador Ricardo Ferraço, que voltou para o PSDB.
Todos os deputados estaduais fizeram o mesmo. Theodorico Ferraço foi para o PP. Alexandre Quintino e José Esmeraldo, para o PDT. A deputada federal Norma Ayub também migrou para o PP.
Rigoni teve que se virar nos 30 para montar a chapa de candidatos a deputado federal. Atraiu, por exemplo, o médico Gustavo Peixoto, outro que, depois, queixou-se do presidente estadual da legenda.
Foi justamente devido ao desempenho da chapa, que ficou aquém do necessário, que Rigoni não se reelegeu. Ele planejou deixar a vida pública e passar a atuar na iniciativa privada, em São Paulo.
Mas foi convencido por Ricardo Ferraço e Casagrande a permanecer no estado e a participar da gestão do socialista.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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