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ES vai aumentar também

"Dezessete estados já aumentaram a alíquota de ICMS", diz Casagrande

Em entrevista que concedeu à coluna em outubro, governador já demonstrava preocupação com a arrecadação devido à reforma tributária. Agora, o ES, assim como outros estados do Sul  e do Sudeste, decidiu elevar a alíquota do imposto

Publicado em 22 de Novembro de 2023 às 10:34

Públicado em 

22 nov 2023 às 10:34
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Renato Casagrande, Governador do Estado do Espirito Santo
Renato Casagrande (PSB) em entrevista no Palácio Anchieta, no dia 24 de outubro Crédito: Ricardo Medeiros
O governo do Espírito Santo, em conjunto com outros estados do Sul e do Sudeste, decidiu aumentar a alíquota padrão do Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICMS), de 17% para 19,5%.
A medida que, na prática, deve afetar os preços de diversos produtos, tem o objetivo de minimizar as perdas com a reforma tributária.
Por mais que seja algo para ajudar o estado no futuro, no presente, é algo impopular. Nada que tenha potencial para tornar as coisas mais caras ganha a simpatia das pessoas.
Quando o governo Jair Bolsonaro (PL) decidiu, com o aval do Congresso Nacional, reduzir o ICMS de combustíveis, energia e comunicação, em 2022,  a ideia era justamente melhorar o humor do eleitorado. Bolsonaro disputava a reeleição, assim como diversos parlamentares.
O ICMS é a principal fonte de arrecadação dos estados.
O Espírito Santo, na ocasião, ao contrário de outras unidades da federação, não elevou a alíquota para compensar as perdas. O chefe do Executivo estadual, Renato Casagrande (PSB), também  concorria a mais um mandato.
Agora, o cenário mudou. Estados do Sul e do Sudeste, que não haviam entrado na onda de elevação do imposto, definiram que é necessário fazer isso para evitar mais prejuízo.
É que a reforma tributária estabelece que, a partir de 2032, a fatia do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS, substituto do ICMS e do ISS) que vai caber a cada unidade da federação vai depender da arrecadação de ICMS entre 2024 e 2028.
Em entrevista concedida à coluna no dia 24 de outubro — quando a reforma ainda não havia sido aprovada no Senado e o Espírito Santo não tinha decidido aumentar a alíquota de ICMS —  Casagrande já demonstrava preocupação com o tema.
"Estou preocupado porque a média de receita a partir do ano 2032 vai ser o ICMS de 2024 a 2028. Das 27 unidades da federação, 17 já aumentaram a alíquota", afirmou o governador, na ocasião." Isso dará a esses estados uma média maior", complementou.
"Eles  aumentaram a alíquota modal. Passaram de 18% para 20%, de 17% para 19%... Tem estado, como Sergipe, que foi a 22%", exemplificou.
A alíquota capixaba é, por enquanto, 17%.
"Eles (os 17 estados) aumentaram para compensar a perda de ICMS com a redução no combustível, na energia elétrica e na comunicação e também para aumentar a sua média, já pensando na média (de ICMS) de 2024 a 2028. E os estados do Sul e do Sudeste não fizeram isso", lembrou Casagrande.
"Estamos avaliando quanto nós perderemos a partir de 2032", ponderou, ainda em outubro.
O cálculo foi feito e, de acordo com o secretário estadual da Fazenda, Benício Costa, o estado poderia perder R$ 20 bilhões.
ASSEMBLEIA LEGISLATIVA
Para que a alíquota de ICMS no Espírito Santo passe de 17% para 19,5% a partir de 2024 — a mesma que vai ser aplicada por São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná —, o governo precisa enviar um projeto à Assembleia Legislativa.
E os deputados estaduais têm aprovar o texto. Casagrande tem maioria na Casa, mas a proposta impopular, certamente, não vai passar sem que a oposição, no mínimo, faça barulho e explore politicamente a situação. 

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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