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Tabuleiro político

A filiação de Moro ao Podemos e os impactos no ES

No Estado, partido faz parte da base de apoio ao governador Renato Casagrande (PSB). Entenda os planos estaduais da legenda

Publicado em 11 de Novembro de 2021 às 02:15

Públicado em 

11 nov 2021 às 02:15
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

O ex-juiz Sergio Moro durante cerimônia de filiação no Podemos
O ex-juiz Sergio Moro durante cerimônia de filiação no Podemos Crédito: Mateus Bonomi/Agência Estado
O ex-juiz e ex-ministro da Justiça Sergio Moro filiou-se nesta quarta-feira (10) ao Podemos, abrindo caminho para uma candidatura à Presidência da República. Moro condenou o ex-presidente Lula na Operação Lava Jato, mas essa e outras sentenças desfavoráveis ao petista foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal.
Antes disso, Moro, sem pudores, abandonou a magistratura e ingressou no governo Jair Bolsonaro (sem partido) e de lá também saiu, acusando o presidente de tentar interferir, por razões nada republicanas, na Polícia Federal.
"Chega de corrupção, chega de mensalão, chega de petrolão, chega de rachadinha, chega de orçamento secreto. Chega de querer levar vantagem em tudo e enganar o povo brasileiro", discursou o ex-juiz nesta quarta, em referência a malfeitos de petistas e bolsonaristas.
O Podemos é um partido identificado com a Lava Jato, na qual Moro atuou, embora abrigue, em âmbito nacional, pessoas que foram alvo da própria operação.
No Espírito Santo, a legenda é presidida pelo secretário de estado de Governo da gestão Renato Casagrande (PSB), Gilson Daniel.
Este, por sua vez, é pré-candidato a deputado federal e aliado de primeira hora, obviamente, de Casagrande.
Questionado pela coluna, ainda em setembro, sobre como o partido iria se posicionar caso Moro disputasse a Presidência da República e Casagrande apoiasse outro presidenciável – o que é provável –, Gilson Daniel afirmou, na ocasião, que não haveria problema algum: o Podemos faria palanque para Moro. O governador, a quem lhe aprouvesse.
De acordo com o secretário de Governo, de qualquer forma a aliança entre o partido e o governador estaria mantida.
Desde então, Gilson Daniel não falou mais com a coluna. Nesta quarta, como mostram registros no Instagram, ele esteve no evento de filiação de Moro.
Para garantir um palanque para o ex-juiz no Espírito Santo, o Podemos cogita lançar um candidato ao Senado.
O secretário de estado de Controle e Transparência, Edmar Camata, que, em 2018, tentou uma vaga na Câmara Federal pelo PSB, já se dispôs a ser o nome do Podemos para a outra Casa legislativa.
O presidente estadual do PSB, Alberto Gavini, no entanto, citou Camata como possível candidato a deputado federal pelo partido socialista em 2022, se este aceitasse repetir a empreitada.
A corrida pelo Senado no ano que vem vai ser mais acirrada do que na eleição passada, que destronou Ricardo Ferraço (PSDB) e Magno Malta (PL) e alçou Fabiano Contarato (Rede) e Marcos do Val (Podemos).
Isso porque vai haver apenas uma cadeira disponível, a que hoje é ocupada por Rose de Freitas (MDB).

E CASAGRANDE?

O governador torce para que um candidato da terceira via, na qual Moro se insere, consiga se viabilizar. Dividir palanque com Lula num estado em que o sentimento antipetista é forte não seria bom negócio para Casagrande.
Assim, ainda que PT e PSB formalizem uma aliança, é improvável que o governador apareça na campanha – supondo que tente a reeleição – levantando o braço do ex-presidente e dizendo: "Votem nele, pessoal".
Uma saída seria um palanque duplo, em que Casagrande apoiaria um candidato à Presidência da República e o PSB, outro. Alianças partidárias locais tendem a ser amplas e não necessariamente refletir as do cenário nacional.
Até o PSDB pode acabar apoiando a reeleição de Casagrande. Os tucanos devem lançar um nome ao Palácio do Planalto, a ser definido em prévias (uma eleição interna) no próximo dia 21. A escolha se dá, na prática, entre o governador de São Paulo, João Doria (PSDB) e o do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB).

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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