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Eleições 2022

A ascensão e a derrubada de Sérgio Meneguelli

Ex-prefeito de Colatina foi rifado da disputa pelo Senado, apesar das promissoras intenções de voto, e tem que se contentar em concorrer a uma vaga na Assembleia

Publicado em 29 de Julho de 2022 às 02:10

Públicado em 

29 jul 2022 às 02:10
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Ex-prefeito de Colatina Sérgio Meneguelli
Ex-prefeito de Colatina Sérgio Meneguelli durante live em que suplicou para ser mantido na disputa pelo Senado  Crédito: Facebook/Sérgio Meneguelli
Sérgio Meneguelli decidiu não disputar a reeleição para a Prefeitura de Colatina em 2020. Ficou na planície, sem mandato e sem cargo público, de lá pra cá. Mas manteve-se em evidência graças a sua arma secreta, que é bastante conhecida: a popularidade nas redes sociais.
Foi impulsionado por isso que, antes de deixar o mandato, em dezembro de 2020, ele se encontrou, em Brasília, com o presidente da República, Jair Bolsonaro (na época sem partido).
Meneguelli integrava o MDB, quanto foi eleito, mas desde março daquele ano estava filiado ao Republicanos.
Depois que saiu da prefeitura, ele fez certo mistério sobre o destino eleitoral pretendido. Primeiro, disse que queria ser candidato a deputado estadual, para não ficar longe de Colatina. Em seguida, virou a chave, fazia questão de concorrer ao Senado.
Em dezembro de 2021, o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, esteve em Vitória e afirmou que o partido tinha dois pré-candidatos à vaga: Meneguelli e o deputado federal Amaro Neto. Mas Pereira preferia que Amaro tentasse a reeleição. E assim foi feito.
O ex-prefeito de Colatina, no entanto, nunca pareceu bem ambientado no partido. E não foram poucas as vezes em que a pré-candidatura dele balançou.
Meneguelli apareceu, em pesquisa Ipec divulgada no início de maio, como um dos favoritos à cadeira de senador, embolado com Magno Malta (PL) e Rose de Freitas (MDB).
Apesar disso, após conceder uma entrevista ao site ES 360, em junho, em que dizia "não ter nada de conservador", sendo que o conservadorismo é basicamente a marca e slogan do Republicanos, foi vítima de fogo amigo.
O vereador de Vila Velha e secretário-geral estadual do partido, Devanir Ferreira, por exemplo, criticou o ex-prefeito de Colatina na tribuna da Câmara: "Eu não sei o que ele estava fazendo ao lado do presidente da República, que é conservador", ironizou.
Cerca de duas semanas após a afirmação de Marcos Pereira, no entanto, lá estava o ex-prefeito na corda bamba de novo.
O próprio Pereira, de acordo com uma fonte do Republicanos, ligou para o presidente estadual da legenda, Roberto Carneiro, na última sexta-feira (22), e pediu que o ex-prefeito fosse retirado da corrida. Isso após ouvir solicitação de Bolsonaro, que é aliado e correligionário de Magno Malta.
Magno é o principal favorecido com a retirada de Meneguelli. Em entrevista à coluna na segunda-feira (25), o ex-prefeito disse que "forças estranhas" queriam puxar o tapete dele. Nomeou as forças estranhas como Magno Malta.
O ex-senador negou ter feito qualquer intervenção para tirar Meneguelli do caminho.
Mas o fato é que ele foi retirado.
O partido certamente levou em conta que, uma vez eleito ao Senado, o ex-prefeito, que já não parecia ter muita afinidade com a legenda, poderia mudar de sigla sem problemas. Não há norma para impedir a infidelidade partidária dos ocupantes desse cargo.
Meneguelli não é um homem partidário, sustenta-se basicamente nas redes sociais e em frases como "Eu amo Colatina". Aliás, pouco tenta mostrar como poderia ser um bom legislador.
O Republicanos perdeu, assim, um forte candidato ao Senado, e o substituiu pelo presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso, que tem bem menos chances de vencer, apesar de disputar o mesmo nicho eleitoral que Magno: o público conservador e evangélico. 
A ANIQUILAÇÃO
Meneguelli não assistiu a toda essa movimentação calado. Além de atender à coluna e falar nas forças estranhas, ele também lembrou que o presidente nacional do Republicanos "deu a palavra", a garantia a ele de que teria espaço para concorrer ao Senado.
Também pontuou não acreditar que Bolsonaro "faria jogo sujo".
Ainda na segunda-feira, em transmissão ao vivo nas redes sociais, o ex-prefeito apareceu suplicante:
"Peço pelo amor de Deus, capixabas, pessoas do bem, não deixem aniquilar uma campanha que não tem ficha suja, que está liderando as pesquisas, que recebeu vários prêmios como prefeito".
A aniquilação, no entanto, veio.
A Meneguelli foi oferecido, pelo Republicanos, uma vaga para disputar a Assembleia Legislativa, um status, obviamente, muito menor do que o cargo majoritário que ele almejava.
O ex-prefeito não tem como disputar o Senado por outra legenda. O prazo de filiação para quem quer concorrer nestas eleições terminou em abril.
candidata a deputada federal Geovana Quinta; o prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini, Erick Musso e o pré-candidato a deputado estadual Marcos Guerra. Todos do Republicanos
candidata a deputada federal Geovana Quinta; o prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini, Erick Musso e o pré-candidato a deputado estadual Marcos Guerra. Todos do Republicanos Crédito: Instagram/Geovana Quinta
Nesta quinta-feira, houve uma mudança de tom. Ao menos publicamente. Meneguelli apareceu sorridente em uma foto com a pré-candidata a deputada federal Geovana Quinta; o prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini, Erick Musso e o pré-candidato a deputado estadual Marcos Guerra. Todos do Republicanos.
A palavra de ordem na postagem da imagem nas redes sociais, por parte dos integrantes da foto foi: união.
Acontece que Meneguelli não caiu, foi derrubado.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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