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Leonel Ximenes

Tradicional bar da Praia da Costa fecha as portas após 43 anos

Reduto de jogadores, políticos e empresários, BarZito, inaugurado em 1977, encerrou suas atividades por causa da crise provocada pela pandemia

Publicado em 22 de Junho de 2020 às 15:12

Públicado em 

22 jun 2020 às 15:12
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

O Barzito sempre lotado na Praia da Costa: tradição interrompida
O Barzito sempre lotado na Praia da Costa: tradição interrompida Crédito: Foto do leitor
A boemia está de luto em Vila Velha. Reduto de jogadores famosos, políticos e empresários e point da cerveja gelada e de tira-gostos inesquecíveis, o Barzito, instalado na Praia da Costa desde 1977, não aguentou a crise provocada pela epidemia do novo coronavírus e fechou definitivamente suas portas.
Foi uma decisão muito difícil para o seu Washington Paiva, de 78 anos, o proprietário do bar. Seu Zito, como é mais conhecido, na realidade começou com o BarZito em 1967, há 53 anos, na cidade Mutum, no interior de Minas. “Meu pai já pensava na aposentadoria e a pandemia acelerou o processo. Ela não queria parar, mas foi parado”, resume Fábio Paiva, filho do seu Zito e chef da cozinha do bar.
O BarZito era um botequim à moda antiga. Além da cerveja gelada e das batidinhas deliciosas, um dos carros-chefes da casa era o pastel conhecido como “delicinha”, nome dado pelos próprios frequentadores ao salgado com recheio de carne, queijo ou camarão.
Comida boa e bebida honesta ajudam, é claro, mas era o charme e o bom atendimento do Barzito que atraíam anônimos e famosos. Passaram pelas suas mesas e balcões jogadores como Sávio, Daniel Alves, Edinho, Júnior, Branco e Cláudio Adão. O bar também atraía políticos, como Luiz Paulo Vellozo Lucas, e empresários, como Lucas Izoton, ex-presidente da Findes.
Seu Zito, o dono do bar, recebe o ex-jogador Sávio, um dos fiéis frequentadores do Barzito
Seu Zito, o dono do bar, recebe o ex-jogador Sávio, um dos fiéis frequentadores do BarZito Crédito: Foto do leitor
“Mesmo sendo um botequim, os frequentadores sempre foram respeitosos entre si e com todo mundo que lá frequentava, de médico a gari”, elogia Fábio. “Nossos clientes sempre facilitaram o nosso trabalho, nunca misturaram as coisas, como política, negócio e até religião. Por incrível que pareça”, brinca.
Fechado há quase 100 dias, logo depois da entrada em vigor das medidas de isolamento social por causa da pandemia de Covid, o Barzito não aguentou o peso de ficar tanto tempo parado. Os oito funcionários fixos e quatro temporários foram dispensados. “Não podemos mais trabalhar. E as despesas não são baixas”, lamenta Fábio.
Frequentador assíduo desde que o estabelecimento foi inaugurado, Lucas Izoton diz que o BarZito tinha algo especial: “Não era apenas um bar, um boteco onde os amigos e as pessoas tradicionais de Vila Velha se encontravam. O que tinha de especial era o próprio Zito e o filho dele, Fabinho, duas pessoas sensacionais”, reconhece. “O Zito com sua conversa de gente experiente desde Mutum, em Minas Gerais, e o Fabinho cada vez mais se capacitando como chef de cozinha para fazer pratos especiais.”
Izoton lamenta o destino do bar. “Boa parte da história de Vila Velha e diria até da política passou por aquele bar. É uma pena. Os capixabas, principalmente os moradores de Vila Velha, vão sentir muita falta do BarZito.

Leonel Ximenes

Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.

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