Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Leonel Ximenes

Rosário rezado pelo frei Gilson provoca conflito em igreja no ES

Fiéis acusam bispo e pároco de proibir transmissão, pelas redes sociais, da oração do frade, de madrugada, dentro de templo católico

Publicado em 19 de Março de 2025 às 03:11

Públicado em 

19 mar 2025 às 03:11
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

Frei Gilson durante oração transmitida pela internet
Frei Gilson durante oração transmitida pela internet Crédito: Instagram
Atacado pelos progressistas, apoiado pelos conservadores, o agora famoso Frei Gilson está causando polêmica até em uma paróquia no interior do Espírito Santo. A disputa, que já se tornou pública com a circulação de áudios em grupos, opõe fiéis católicos da comunidade Santa Rita de Cássia, em Castelo, contra o bispo de Cachoeiro e o pároco local. Aos fatos.
Tudo começou com a transmissão ao vivo, pelas redes sociais da comunidade, do rosário do frade católico, na madrugada, que foi acompanhada por mais de 1 milhão de pessoas pela internet.
Mas aconteceu que o pároco da Paróquia Nossa Senhora da Penha, à qual a comunidade Santa Rita é subordinada, frei Antônio Rabanal, proibiu que os próximos rosários com o frei Gilson fossem transmitidos pelas redes sociais da igreja Santa Rita, o que acabou revoltando um grupo de fiéis.
Em um áudio ao qual a coluna teve acesso, uma moradora (não identificada) reclama da proibição e chega a acusar o bispo de Cachoeiro, dom Luiz Fernando Lisboa, de ter dado a ordem pela proibição da transmissão do terço do frei Gilson.
Dom Luiz Fernando Lisboa
Dom Luiz Fernando Lisboa, bispo de Cachoeiro: assessoria nega que ele tenha proibido oração do rosário na igreja Santa Rita de Cássia Crédito: Diocese de Cachoeiro de Itapemirim
“Simplesmente, o nosso bispo nos proibiu de transmitir e rezar o rosário da madrugada com o frei Gilson. Nós demos o aviso (da realização do rosário] aqui na Santa Rita e o pároco mandou esse retorno do bispo nos proibindo de rezar dentro da igreja o rosário”, relatou.
Em tom de desafio, a mulher, no áudio, prossegue e avisa que o rosário com o frei Gilson vai continuar a ser rezado, mas de outra forma.
“Nós vamos rezar sábado que vem do mesmo jeito, porém do lado de fora. Vamos botar telão, vamos botar carro de som e vamos motivar todo o nosso povo. Esse bispo não pode fazer isso o que ele está fazendo com a gente. Já chega os cristãos que estão morrendo mundo afora. Será que vai começar a acontecer isso aqui com a gente também?”, disse a fiel.

A RESPOSTA DA DIOCESE

A coluna indagou à assessoria da Diocese de Cachoeiro se realmente o bispo tinha proibido a transmissão ao vivo do rosário do frei Gilson dentro da igreja de Santa Rita. A assessoria afirmou que o bispo estava viajando, mas adiantou que em momento algum ele soube desse episódio e que não partiu dele a proibição.
"Eu não sou contra que se reze o rosário. Tomara que rezássemos os rosários todos os dias em um monte de horas. Perfeito, maravilhoso, mas agora, sou contra aquilo que pode criar divisão e conflito para a paróquia, para a Igreja, para a sociedade, para a diocese. O pecado não foi rezar, o pecado foi colocar no Instagram"
Frei Antônio Rabanal - Pároco responsável pela comunidade de Santa Rita de Cássia, em Castelo
A assessoria da diocese enviou à coluna um outro áudio, enviado pelo frei Antônio Rabanal aos seus paroquianos, que dá a sua versão para o fato. Segundo o pároco responsável pela Santa Rita, dom Luiz não proibiu a reza do rosário na igreja de Santa Rita de Cássia.
O próprio pároco assume que partiu dele a proibição. “Quero falar qual é a realidade. Não foi o bispo quem proibiu. Quem pediu para parar de rezar o rosário às quatro da manhã, sendo transmitido pelas redes sociais, foi frei Antônio.” A seguir o frade justifica a proibição.
Frei Antônio Rabanal, pároco em Castelo
Frei Antônio Rabanal não quer transmissão, nas redes sociais da igreja, do rosário com frei Gilson Crédito: Cordis/Facebook
“Porque tudo que leva à divisão vai contra a Igreja e contra Jesus Cristo. O problema não é rezar com o frei… (esquece o nome do frei Gilson). O problema é colocar vídeo nas redes sociais. Façam como queiram, mas não coloquem nas redes sociais”, adverte o frei Antônio Rabanal, frade espanhol da Ordem dos Agostinianos Recoletos.
No áudio, o pároco também afirma que frei Gilson provoca divisão na Igreja: “Muita gente está contra esse frei, ele tem coisas maravilhosas, mas também tem alguma coisa que entra em conflito com as decisões do Vaticano”.

QUEM É FREI GILSON

Fenômeno da internet e nas redes sociais, frei Gilson, de 38 anos, tornou-se um dos assuntos mais comentados nos últimos dias. O líder religioso é protagonista de um embate que envolve cristãos, bolsonaristas e o campo da esquerda.
Membro da congregação Carmelitas Mensageiros do Espírito Santo, o frade tem reunido fiéis em transmissões ao vivo, realizadas durante as madrugadas, para rezar ao longo da Quaresma, período de penitência e reflexão que antecede a Páscoa.
A fama veio acompanhada de polêmicas. Internautas têm resgatado declarações polêmicas feitas pelo frade, que afirmou que as mulheres foram criadas para “curar a solidão do homem”; Ele também pediu que “os erros da Rússia” não assolassem o Brasil (em uma referência ao comunismo).
Nascido na cidade de São Paulo, Gilson da Silva Pupo Azevedo começou a tocar violão aos 14 anos e aos 18 entrou para a vida religiosa, sendo ordenado sacerdote em dezembro de 2013.
Em março do ano seguinte, assumiu a função de pároco da Paróquia Nossa Senhora do Carmo em Santo Amaro, na zona sul da capital paulista.
O frade, que é defendido por bolsonaristas e até por políticos evangélicos conservadores, faz parte da congregação Carmelitas Mensageiros do Espírito Santo, um ramo da família da Ordem Carmelita, que prega votos de pobreza, castidade e obediência.
Na congregação, frei Gilson lidera o Ministério de Música “Som do Monte”, um grupo de louvor. Cantor, ele acumula cerca de 1,5 milhão de ouvintes mensais no Spotify. Com perfil ativo nas principais redes sociais, o religioso acumula mais de 18 milhões de seguidores.
O nome dele aparece no relatório da Polícia Federal (PF) que investigou a tentativa de golpe de Estado envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e aliados.
No documento apresentado em novembro passado, a PF diz que o frade teria recebido a “oração do golpe” feita pelo padre José Eduardo de Oliveira e Silva, de Osasco (SP).
Embora seja um dos 36 indiciados no caso pela PF, o padre José Eduardo não foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Por sua vez, frei Gilson não foi indiciado pela PF, nem denunciado pela PGR.

Leonel Ximenes

Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Novo desvio altera acesso de Piúma à BR 101 a partir desta quarta-feira (17)
Obra altera acesso de Piúma à BR 101 a partir de quarta-feira (17)
Imagem de destaque
Febre dos peptídeos: entenda o que são e quais os riscos
Sucesso baiano fechará o primeiro dia de festival Vital 2026
Com Bell Marques e Léo Santana, Vital 2026 tem ingressos a partir de R$ 40

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados