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Leonel Ximenes

Desligado pela igreja do Peru, Padre Kelmon diz que agora será bispo grego

Igreja Ortodoxa do Peru no Brasil divulgou decreto proibindo o suposto religioso de ministrar sacramentos

Publicado em 19 de Dezembro de 2022 às 12:32

Públicado em 

19 dez 2022 às 12:32
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

Padre Kelmon, candidato do PTB à Presidência em debate
Padre Kelmon foi candidato do PTB à Presidência de República Crédito: Reprodução
Podem chamá-lo, por enquanto, de Kelmon Luís da Silva Souza, sem problema. O famoso e polêmico Padre Kelmon, que foi candidato a presidente da República pelo PTB, foi desligado formalmente da Igreja Ortodoxa do Peru no Brasil. A informação foi divulgada por meio de uma nota oficial publicada pela instituição religiosa na sexta-feira (23).
O Decreto de Suspensão de Ordem, assinado pelo arcebispo metropolitano no Peru e autoridade máxima da Igreja Católica Apostólica Ortodoxa do Peru, Francisco Ángel Ernesto Móran Vidal, e pelo monsenhor Miguel, Phellype Thiago Martins, vigário episcopal no Brasil, na prática reconduz Kelmon Souza à condição de leigo.
Isso acontece porque o ex-candidato bolsonarista fica, pelo decreto, proibido de ministrar os sacramentos da igreja peruana. E sem essa prerrogativa litúrgica, Kelmon deixa de ser religioso.
Na campanha presidencial, o autoproclamado Padre Kelmon causou muita polêmica. No debate final do primeiro turno, na TV Globo, ele provocou Lula, candidato do PT, e atuou explicitamente como linha auxiliar do candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL).
Nos intervalos do debate, Kelmon, que priorizou temas ligados à religião e à pauta conservadora de costumes, e Bolsonaro foram flagrados conversando juntos com assessores, sugerindo que ambos estavam traçando uma estratégia conjunta de atuação.
O decreto de suspensão do Padre Kelmon publicado pela Igreja Ortodoxa do Peru no Brasil
O decreto de suspensão do Padre Kelmon publicado pela Igreja Ortodoxa do Peru no Brasil Crédito: Redes sociais
Se no debate houve momentos de tensão com o bate-boca entre o candidato do PTB e Lula, também aconteceu um fato engraçado, que acabou gerando muitos memes nas redes sociais, quando a presidenciável do União Brasil, Soraya Thronicke, disse que Kelmon “é um padre de festa junina".
No Espírito Santo, conforme publicou a coluna, a Diocese de Cachoeiro chegou a divulgar uma nota em que afirmava que o autoproclamado padre não é um sacerdote da Igreja Católica Romana
No domingo antes do segundo turno, eis que o então Padre Kelmon reaparece e causa nova polêmica. Ele foi levado (não se sabe como) à casa de Roberto Jefferson, em Comendador Levy Gasparian, no interior do Rio de Janeiro, logo após o ex-deputado federal ter atirado e jogado granadas em agentes federais, numa tentativa de resistência à prisão determinada pelo STF.
Kelmon entregou as armas de Jefferson aos policiais por meio de um dos portões da casa do ex-parlamentar, que até hoje está preso.
Bom de polêmica, ruim de urna. O candidato do PTB teve 81.129 votos (0,07%), ficando em sétimo lugar na corrida presidencial.

KELMON DIZ QUE AGORA SERÁ BISPO DE UMA IGREJA GREGA

Mas parece que Kelmon não desiste. Nesta segunda-feira (19), o ex-presidenciável publicou um comunicado oficial nas redes sociais, onde ele informa que pediu a "excardinação" da Igreja Ortodoxa do Peru no Brasil, ato de liberação de padres ou diáconos de uma determinada igreja.
A postagem de Padre Kelmon dizendo que vai ser bispo de uma igreja grega
A postagem de Padre Kelmon dizendo que vai ser bispo de uma igreja grega Crédito: Redes sociais
Em seguida, ele diz que pediu sua vinculação a uma outra igreja. “Decidimos pedir incardinação na Igreja Ortodoxa Grega da América e Exterior, o que foi aprovado pelo seu Santo Sínodo. O Padre Kelmon está pois apto para celebrar os Santos Sacramentos e foi eleito bispo para as missões no Brasil, dentro em breve ocorrerá sua sagração", diz o comunicado do (bispo?) Kelmon.
De padre, a leigo, a bispo: só falta ser papa. Papa Kelmon?

Leonel Ximenes

Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.

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