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Economia

Longe do Brasil real, Brasília faz jus ao apelido de Ilha da Fantasia

A hora é de cobrança. Se Executivo e Congresso não acelerarem as reformas, estarão trabalhando pela perpetuação da pobreza e do sofrimento da população

Publicado em 01 de Novembro de 2020 às 04:00

Públicado em 

01 nov 2020 às 04:00
Léo de Castro

Colunista

Léo de Castro

Fachada do Congresso Nacional, em Brasília, que abriga a Câmara dos Deputados e o Senado Federal
Fachada do Congresso Nacional, em Brasília, que abriga a Câmara dos Deputados e o Senado Federal Crédito: Pedro França
As reformas estruturais precisam voltar à agenda política para que o país avance na recuperação da economia. O ano de 2020 foi perdido: deveremos ter uma queda do PIB brasileiro de 4% a 5%, voltando ao patamar de 2010. Um recuo de uma década!
Alguns fatos merecem atenção:
1. A taxa de desocupação chegou a 14% em setembro, ou 13,5 milhões de pessoas.
2. A dívida pública deverá superar os 100% do PIB neste ano, mesmo índice que antecedeu a dura crise que abalou a Grécia e a zona do Euro em 2007.
3. O problema não é somente a dívida atingir 100% do PIB: o problema é que ela não está sob controle.
4. O auxílio emergencial injetou perto de R$ 300 bilhões na economia, chegando aos mais necessitados. Mas esse socorro não é sustentável: não há orçamento.
5 - Nos próximos 12 meses quase metade da dívida pública vence, e com a desconfiança o custo da rolagem deve subir. Hoje temos Selic a 2% e juros dos títulos de 10 anos em 8,3%, um descolamento já significativo.
O setor produtivo, a imprensa e a sociedade em geral têm cobrado as prometidas reformas, notadamente a tributária e a administrativa, para eliminar desperdícios. Governo e Congresso, contudo, parecem insensíveis ao crescente empobrecimento do país.
No início do mês, quando selaram as pazes, Paulo Guedes e Rodrigo Maia ressaltaram a necessidade de união para votar questões importantes como a regulamentação do teto de gastos, o novo programa de transferência de renda e as reformas. Mas a agenda não avançou.
A reforma administrativa deveria reduzir o custo do Estado: quem gasta mais do que arrecada precisa cortar despesas (e não aumentar tributos). A reforma tributária deve resolver uma histórica esquizofrenia legislativa, que leva o país a ter o equivalente a 1 PIB, ou R$ 7 trilhões, em contencioso tributário!
Brasília já foi chamada de Ilha da Fantasia, por viver distante da aflição do Brasil real. O Executivo e o Congresso, que representam os 210 milhões de brasileiros, parecem fazer jus ao apelido.
A hora é de cobrança: o setor produtivo, a sociedade organizada, cada cidadão deve pressionar seus representantes. Estamos mais do que atrasados! A bola está com o Executivo e o Legislativo. Se não acelerarem as reformas, estarão trabalhando pela perpetuação da pobreza e do sofrimento da população. Resta a nossos representantes justificarem o voto que receberam nas urnas: trabalhar pela prosperidade do país!

Léo de Castro

Empresário, vice-presidente da CNI e presidente do Copin (Conselho de Politica Industrial da CNI). Foi presidente da Findes. Neste espaço, aborda economia, inovação, infraestrutura e ambiente de negócios

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