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Saúde

Covid-19 pode aumentar o risco de demência?

Grupo de conceituados neurologistas de diversas partes do mundo acaba de publicar várias evidências da associação do vírus da Covid com doenças neurodegenerativas

Publicado em 20 de Junho de 2024 às 02:00

Públicado em 

20 jun 2024 às 02:00
Lauro Ferreira Pinto

Colunista

Lauro Ferreira Pinto

Já escrevemos neste espaço que a população mundial está envelhecendo e, com o aumento do número de idosos, tornou-se mais comum o diagnóstico de demência. Um dos grupos de cientistas que pesquisa e publica com frequência este assunto constitui a conhecida Lancet Comission on Dementia Prevention. Estes pesquisadores enfatizam que, além da carga genética, existem pelo menos 12 fatores de risco modificáveis que podem ser trabalhados para contribuir para a prevenção de pelo menos 40% dos casos de demência.
Mas detalhar isso é assunto para outro dia. Hoje chamou nossa atenção, prezado leitor, que este grupo de conceituados neurologistas de diversas partes do mundo acaba de publicar no respeitado periódico The Lancet Neurology várias evidências da associação do vírus da Covid-19 com doenças neurodegenerativas.
Os cientistas explicam que as doenças infecciosas constituem um fator já conhecido de degeneração neurológica. Diversas pesquisas correlacionando vírus do grupo herpes, até mesmo o vírus da gripe e pneumonia pneumocócica, com risco maior de dano neurológico têm sido publicadas. Um estudo mais recente identificou um risco maior de demência após hospitalização por doença infecciosa viral. Mais recentemente, um impressionante estudo dinamarquês, acompanhando quase um milhão de pessoas, identificou um risco relativo 3x maior de Alzheimer após um teste positivo de Covid-19.
Também se mostrou um risco  2,5x maior de acidente vascular cerebral isquêmico entre dinamarqueses após um diagnóstico de Covid. O risco de demência vascular também estaria aumentado. Os neurologistas explicam que o vírus SARS-CoV-2 infecta células endoteliais dos vasos sanguíneos, causando coagulopatias, com diversas alterações inflamatórias que podem levar a danos posteriores.
Os pesquisadores também usam dados do importante sistema de saúde do Reino Unido para correlacionar doenças infecciosas e demência. Os riscos parecem ser um pouco maiores nas doenças mais graves que levam a internação hospitalar, mas podem ocorrer mesmo em casos mais simples. Milhões de pessoas em todo o mundo e aqui no Brasil também se queixam de sequelas da Covid, a conhecida Covid longa ou pós Covid. Entre as queixas mais comuns estão a dificuldade de concentração e perdas cognitivas com lapsos frequentes de memória.
Os neurologistas da Lancet Commission on Dementia Prevention destacam a importância da vacinação, hoje tão desprestigiada pelos nossos pacientes. Os médicos que escrevem o artigo defendem também o uso de antivirais no tratamento da Covid-19 para prevenção dessas graves sequelas.

Lauro Ferreira Pinto

Doutor em Doenças Infecciosas pela Ufes e professor da Emescam. Neste espaço, reflete sobre saúde e qualidade de vida

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