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José Carlos Corrêa

Novos rumos para o turismo capixaba

O jornalista José Carlos Monjardim Cavalcanti, Cacau, já nos ensinava há muito tempo que o Espírito Santo tem uma vocação turística inigualável, embora adormecida

Publicado em 01 de Maio de 2026 às 03:30

Públicado em 

01 mai 2026 às 03:30
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa

O Espírito Santo tem um enorme potencial turístico ainda desconhecido pelo Brasil e pelo mundo. Essa é a constatação há décadas repetida pelos capixabas e pelos visitantes que, quando aqui vêm, se encantam com o nosso litoral, as nossas montanhas, a nossa gastronomia e a cultura diversificada forjada nas nossas raízes indígenas, portuguesas e africanas, e fortemente influenciada pela imigração italiana, pomerana e alemã. 


O incentivo ao turismo, tão presente nos discursos dos nossos políticos, principalmente nos períodos pré-eleitorais, acaba ficando nas boas intenções sem se transformar em ações concretas capazes de mudar esse cenário.


O ES Tour, o Salão Capixaba do Turismo, realizado de 25 a 28 de abril, chegou com o firme propósito de romper com essa situação. Voltado para os agentes de viagens e influenciadores, com foco nos negócios e estruturação turística, o evento reuniu as 20 maiores operadoras de turismo do país e proporcionou aos participantes experiências como famtours em Itaúnas e no Caparaó e versões “pocket” de pontos turísticos e atrativos do Estado.

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Instalado no Aeroporto de Vitória, o ES Tour apresentou aos participantes painéis e maquetes do Convento da Penha, do Buda de Ibiraçu e do Santuário de Anchieta, e espaços de experiência com as culturas do café, morango e lavanda tão presentes nas montanhas capixabas. 


Pela atividade profissional dos participantes do evento, é possível perceber que o ES Tour foi um tiro certeiro visando romper o desconhecimento do Espírito Santo no trade turístico nacional. Durante o evento, os inscritos tiveram a oportunidade de participar de painéis e debates como o que foi realizado terça-feira (27) com o sugestivo título de “Diálogos – Desbloqueando o Potencial do Turismo Capixaba”.


A realização do ES Tour chega em hora oportuna, já que o Espírito Santo precisa trilhar caminhos que possam ajudá-lo a enfrentar os impactos que virão com a implantação da reforma tributária. A reforma, que será implantada gradativamente até 2033, tem, entre as suas principais mudanças, a alteração da cobrança do imposto que se dará no local em que o produto for consumido, ao invés do local onde foi produzido como é atualmente. 

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Essa mudança, mantido o cenário atual, reduz substancialmente as receitas do Espírito Santo. Incentivar atividades que induzem ao consumo no solo capixaba, como o turismo, é uma tarefa que precisa ser assumida com prioridade pelos nossos governantes.


O ES Tour vem, dessa forma, na direção correta, percebendo que se trata de uma oportunidade única de unir as necessidades do Estado com o aproveitamento do nosso potencial turístico que tem na diversidade – seja pela proximidade das praias com a região serrana, seja no agroturismo, na cultura e no patrimônio histórico, seja na gastronomia – uma característica única que o diferencia dos demais estados brasileiros. 


Sem falar na vantagem de estar a cerca de uma hora de voo de grandes capitais como Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Salvador e Brasília, o que o torna um local ideal também para o turismo de eventos e negócios.


Outro ponto a destacar no ES Tour foi a integração das inúmeras entidades envolvidas na sua realização. Realizado pela Cooptures, Cooperativa de Eventos e Turismo do ES, o evento contou com a correalização de cinco instituições (entre as quais o ES Convention & Visitors Bureau, Sebrae e Secretaria Estadual de Turismo), e o apoio de 21 outras entidades como o Conselho Estadual de Turismo e a Câmara Empresarial de Turismo da Federação do Comércio. 


Esse esforço integrado, reunindo todos os agentes ligados à atividade, é essencial para viabilizar um planejamento estratégico consistente que seja capaz de tornar o turismo um dos principais vetores do crescimento econômico e social do nosso Espírito Santo. 

 

O jornalista José Carlos Monjardim Cavalcanti, Cacau, já nos ensinava há muito tempo que o Espírito Santo tem uma vocação turística inigualável, embora adormecida, além, é claro, de ter a melhor moqueca do mundo (“moqueca é capixaba, o resto é peixada”). Quem sabe chegou a hora de, com iniciativas como o ES Tour, mudar o rumo dessa história para sempre.


José Carlos Corrêa

E jornalista. Atualidades de economia e politica, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham analises neste espaco.

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