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Brasil

Não creio que 2022 nos reserve boas notícias

Vemos todos que Tiririca – que dizia que “pior que tá não fica” – não tinha razão. As perspectivas para o ano que se inicia não são otimistas, a começar pelas eleições

Publicado em 31 de Dezembro de 2021 às 02:00

Públicado em 

31 dez 2021 às 02:00
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa

Gostaria de estar enganado – afinal é preciso ter fé para atrair coisas positivas para a nossa vida –, mas não creio que 2022 nos reserve boas notícias. A começar pela rápida disseminação da variante Ômicron, embora até agora não tenha sido considerada tão letal quanto as cepas anteriores da Covid-19. De qualquer forma, esses repiques da doença aumentam a quantidade de internações nos hospitais e restringem as atividades das pessoas como já está ocorrendo em países da Europa e América do Norte.
No Brasil, a Covid-19 persiste, embora em níveis menores se comparados ao da terceira onda de abril. A vacinação em massa, todos sabemos, é a grande responsável pela redução dos óbitos e pela desocupação dos leitos hospitalares. Poderia estar melhor, ultrapassando os 80% da população imunizada, não fosse o negacionismo oficial que não só continua desacreditando da eficácia das vacinas, como faz o que pode para retardar a vacinação, como ocorre agora com a possibilidade de imunizar as crianças.
presidente da República, obcecado por dogmas ideológicos, é incapaz de enxergar que suas pregações contrárias à vacinação só servem mesmo para agradar os seus apoiadores mais radicais, municiar as críticas dos seus adversários e inflar ainda mais os índices de desaprovação do seu governo. Nada indica que esse comportamento presidencial vá mudar porque é da natureza de Bolsonaro repetir as sandices das fake news das redes sociais e se manter fiel à teimosia de não se vacinar.
O próximo ano também será de eleições presidenciais e é triste constatar que os brasileiros, ao que parece, ainda estarão condenados a escolher “o menos pior” entre dois extremos radicais: um que nega a ciência – apesar de todas as comprovações exibidas pelas autoridades sanitárias mundiais – e outro que finge não ter sido protagonista do maior esquema de corrupção da história recente do país apesar das condenações do “mensalão” e dos R$ 5 bilhões devolvidos aos cofres públicos por réus confessos do “petrolão”.
Quanto às eleições legislativas, as perspectivas não são melhores a julgar pelas recentes decisões do Congresso de mais que dobrar os recursos para gastar na campanha eleitoral (aumento de R$ 1,7 bilhão em 2018 para R$ 4,9 bilhões em 2022), de dar calote nos precatórios (dívidas da União já reconhecidas pela Justiça), de desrespeitar o teto de gastos (que proíbe à União gastar mais do que as despesas do ano anterior acrescidas da inflação) e de reservar R$ 16,5 bilhões para as emendas do relator (o famoso “orçamento secreto”). Todos esses gastos bilionários inadmissíveis em um país em crise com desemprego recorde, inflação de dois dígitos e aumento da desigualdade social e da extrema pobreza.
E o que é pior: essas decisões contaram com os votos de parlamentares de praticamente todos os partidos, do Centrão aos da chamada impropriamente de “esquerda progressista”.
Enfim, vemos todos que Tiririca – que dizia que “pior que tá não fica” – não tinha razão. E que a razão estava com Ulysses Guimarães que, na década de 1990, disse, respondendo à pergunta de um jornalista: “Está achando ruim essa composição do Congresso? Então espera a próxima – será pior, e pior, e pior...”

José Carlos Corrêa

É jornalista. Atualidades de economia e política, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham análises neste espaço

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