Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Segurança

Por que os cidadãos não precisam se assustar com o fim do manicômio judiciário?

Desafios já estão presentes e vão se acentuar ainda mais à medida em que tentarem obedecer ao CNJ e não conseguirem. E, aí, pode ser que o CNJ volte atrás nessa medida muito bem intencionada, mas precipitada

Publicado em 08 de Junho de 2025 às 03:00

Públicado em 

08 jun 2025 às 03:00
Henrique Herkenhoff

Colunista

Henrique Herkenhoff

Já andei tratando aqui do fechamento dos manicômios judiciários, mas o assunto volta à pauta. Mudou muito pouca coisa. Aumentou um tanto o número de internos porque aconteceu uma certa “corrida” para internação. O que já é realidade, hoje, é a interdição do estabelecimento para receber novos hóspedes e as autoridades estão dando tratos à bola para decidir o que fazer com os antigos.
Não sou pessoalmente a favor dessa medida e, principalmente, acho que ela somente poderia ser tomada por lei, não por resolução do CNJ, mas é preciso tranquilizar a população: ela não terá grandes impactos na prática, nem para o bem, nem para o mal.
Os internos não devem chegar a 80, e a esmagadora maioria não representa nenhum risco para a sociedade. Há uma competente comissão analisando caso a caso. Será possível encaminhar alguns para tratamento ambulatorial sem nenhuma preocupação para a sociedade. Outros ficarão internados, mas agora a outro título jurídico. Na verdade, o maior problema a ser resolvido é que muitos até poderiam sair, mas não têm família para os receber.
Aí tem o caso do “vampiro” e todo mundo fica apavorado. Não é para tanto. Em primeiro lugar, depois de muitas décadas de internação, ele está bem debilitado. Em segundo, ele é um dos candidatos a permanecer internado, só que agora no SUS.
Aliás, esse é um dos problemas dessa medida: vai diminuir ainda mais as vagas de internamento no SUS. O outro é que provavelmente muitos que deveriam ser mandados para o Manicômio Judiciário ficarão presos em celas normais ou em unidades penitenciárias de saúde, sem essa estrutura que está sendo fechada. Não receberão os cuidados necessários e vão ser uma dor de cabeça para os diretores.
Manicômio Judiciário
Unidade de Custódia e Tratamento Psiquiátrico (UCTP), em Cariacica Sede Crédito: Fernando Madeira
É, é isso mesmo. Essa medida vai ser um tiro no pé dos direitos humanos. Vai agravar a situação dos criminosos com problemas psiquiátricos. Se os peritos e os juízes eram econômicos em reconhecer a inimputabilidade penal, agora é que vão apertar ainda mais os critérios.
Esses desafios já estão presentes e vão se acentuar ainda mais à medida em que tentarem obedecer ao CNJ e não conseguirem. E, aí, pode ser que o CNJ volte atrás nessa medida muito bem intencionada, mas precipitada. Mesmo que prossigam até o fim, o cidadão não precisa se assustar, porque não é ele quem vai pagar a conta, são os próprios pacientes do hospital penitenciário.

Henrique Herkenhoff

É professor do mestrado em Segurança Pública da UVV. Faz análises sobre a violência urbana e a criminalidade, explicando as causas e apontando caminhos para uma sociedade mais pacífica. Escreve aos domingos

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Messi Argentina
Messi faz história e Argentina vence a Argélia na estreia da Copa do Mundo
“O Espírito Santo é um dos melhores estados para criar startup”, diz diretor da Quartzo
Haaland marca dois gols na vitória da Noruega sobre o Iraque na Copa do Mundo
Haaland faz 2 à la Haaland em vitória da Noruega na estreia da Copa

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados