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Educação básica

Quais são os sentimentos dos professores brasileiros?

Pesquisa mostra que os professores gostam da profissão e do que fazem, mas nutrem um sentimento de falta de valorização e reconhecimento

Publicado em 27 de Outubro de 2021 às 02:00

Públicado em 

27 out 2021 às 02:00
Haroldo Corrêa Rocha

Colunista

Haroldo Corrêa Rocha

Professor na sala de aula
Os professores demandam condições básicas para o bom exercício profissional Crédito: Freepik
Quais sentimentos são mais marcantes entre os professores brasileiros da educação básica? Para marcar este mês de outubro de 2021 e o Dia dos Professores, o Instituto Península realizou a pesquisa Valorização da Carreira Docente: um olhar sobre os professores
A pesquisa é rica em detalhes, mas vamos tratar aqui de três dimensões: papel e propósito dos professores; valorização e reconhecimento da sociedade; e remuneração e condições de trabalho. Antes quero reafirmar o meu próprio sentimento de que o Brasil cuida muito mal dos seus professores.
Papel e propósito. Os professores acreditam que exercem um papel importante para a transformação social do país (97%) e que promovem transformação na vida dos alunos (97%). Sentem orgulho de falar que são professores (90%), são realizados profissionalmente (69%) e motivados a trabalhar todos os dias (68%). Nota-se que é bem elevado o sentimento de contribuição para a transformação da sociedade e da vida dos estudantes, mas é menor o sentimento de realização profissional, ou seja, há problemas na valorização e reconhecimento profissional.
Segundo os professores a profissão não é valorizada pela sociedade (77%), eles não são respeitados no Brasil (74%) e as políticas públicas voltadas aos professores não visam a sua valorização (72%). Se pudesse voltar no tempo, um terço dos professores não mais escolheria esta profissão e 66% a confirmariam. É muito importante que haja reconhecimento da sociedade sobre a importância da profissão (92%) e sobre a complexidade da profissão (90%). Há uma informação animadora de pesquisas que, durante a pandemia, a maioria dos pais (71%) passou a ter uma percepção mais positiva sobre o trabalho dos professores, na medida em que tiveram que estar mais próximos dos momentos de estudos dos seus filhos.
De qualquer forma é importante frisar que precisamos estar mais atentos aos sentimentos negativos que os professores cultivam em relação a forma como são vistos pela sociedade em geral e pelos pais. As instituições da sociedade civil e particularmente os pais dos estudantes devem se preocupar mais com o acolhimento e o reconhecimento do trabalho dos professores.
Percepção de baixa remuneração e de ruins condições de trabalho. A remuneração não é compatível com a complexidade da profissão para 82% dos professores. O aprimoramento das carreiras do magistério deve ser uma ação prioritária (95%). As carreiras devem comtemplar a melhoria das condições de trabalho (96%), aumentar os níveis de remuneração (88%) e apoiar o desenvolvimento profissional com formação continuada (86%).
De fato, em termos de remuneração, ainda há uma significativa defasagem. O Plano Nacional de Educação estabelece na meta 17 que o rendimento médio mensal dos profissionais do magistério das redes públicas de educação básica deve ser equiparado ao rendimento médio dos demais profissionais com escolaridade equivalente, mas em 2019, último dado disponível esta relação era de apenas 78,1%.
Vê-se assim que os professores gostam da profissão e do que fazem, mas nutrem um sentimento de falta de valorização e reconhecimento. Quase sempre identificamos este clamor como demanda apenas por melhor remuneração, mas é preciso reconhecer que há outras dimensões das carreiras do magistério que precisam ser também melhoradas para lhes garantir uma situação de estímulo e bem-estar. Deve-se criar formas de reconhecimento do seu trabalho para além da remuneração, como premiação por autoria de novas metodologias pedagógicas e viagens de enriquecimento cultural e profissional, cuidados com a saúde mental e física e, ainda, bons programas de melhoria do desempenho e do desenvolvimento profissional.
Os professores demandam condições básicas para o bom exercício profissional. O Brasil precisa cuidar melhor dos seus professores!

Haroldo Corrêa Rocha

É coordenador-geral do Movimento Profissão Docente, ex-secretário executivo da Educação do Estado de São Paulo e ex-secretário de Educação do Espírito Santo (2007/2010 e 2015/2018)

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