Escrevo um dia após a vitória da Seleção contra a Escócia por três a zero, classificando-se, na primeira fase, em primeiro lugar do grupo, com o Marrocos em segundo. Há de se registrar, nesta primeira etapa, a bravura dos haitianos, que perderam por pouco em seus jogos e ainda meteram dois gols no Marrocos, talvez o melhor time dessa primeira fase.
Hakimi e Vini Jr. lideram seus times e estão pau a pau na artilharia, com garra para conduzir suas equipes à vitória. Ainda não sei qual time o Brasil enfrentará, nesta segunda-feira (29), Japão, Suécia ou Holanda. Qualquer um deles será pedreira, pois o Japão possui um time aguerrido e um goleiro afronipônico, o Zion Suzuki, que agarra tudo.
A Suécia tem o cometa Haaland, forte candidato a artilheiro da Copa, ao lado do Messi, do Mbappé e, por que não, do Vini Jr., e a Holanda é a herdeira do célebre carrossel holandês da Copa de 1974, pois jogam em equipe e é forte candidata a ganhar o título deste ano, ao lado de Espanha, França, Alemanha, Argentina, Suécia, Colômbia, México, todas apresentando um futebol melhor que o do Brasil.
Desculpem-me o choque de realidade, sou patriota, mas não idiota, não bebo detergente, nem rezo para pneu. Não acredito nas vitórias do Brasil até a final, pois há muitas outras equipes melhores, mas, como todos, vou torcer até a derrota que mandará a Seleção de volta para seus times e suas casas.
O Brasil tem o Vini Jr., o melhor de todos, o Bruno Guimarães e o Mateus Cunha jogando um bolão, um goleiro confiável e experiente, jovens como o Rayan e o Endrick, que terão futuro brilhante, mas Ancelotti convocou jogadores que foram bons no passado e, hoje, não acrescentam ao time, como o decadente Neymar e o Casimiro. Enfim, quem os vir, verá.
E o que faz um velho professor de literatura escrever sobre futebol? Primeiro, a herança genética de meu pai. Ele era um aficionado pelo futebol e me falava da derrota do Brasil pelo Uruguai, em 1950, o célebre Maracanazo, com lágrimas nos olhos, e me contava, rindo, da batalha de Berna, na Copa de 1954, quando o Brasil perdeu para a Hungria, por 4 a 2, mas ganhou na briga.
Os jogadores lutavam usando como armas as velhas e pesadas chuteiras de couro com cravos de ferro do passado e o estrago foi grande. Esse episódio ficou célebre como a maior briga entre seleções de todos os tempos. Na final, a famosa seleção de Puskás perdeu para a Alemanha. Com as chuteiras rosinhas sintéticas de hoje, que todos os jogadores usam patrocinados por uma fabricante de material esportivo, a briga, se houvesse, seria bem mais light.
Segundo, porque todo brasileiro tem o direito de opinar sobre tudo, principalmente sobre a Seleção, uma paixão nacional. De quatro em quatro anos, esquecem-se todas as desavenças e somos todos um só coração, como dizem as músicas ufanistas que cantamos em uníssono.
E por falar em música, o hino nacional brasileiro foi escolhido o melhor das 48 seleções desta Copa, ficando o da França em segundo. Concordo, pois é cantado pela metade, nos jogos. O hino todo é grande demais e a segunda parte poucos cantam direito. O jornal o escolheu, pois é um dos poucos que não falam de matar ou morrer pela pátria, esse chavão eternamente cantado a plenos pulmões por gregos e troianos, argentinos ou alemães.
E, para terminar, destaco a torcida viking remadora da Noruega, um show à parte, a seleção de Cabo Verde, que encarou duas campeãs mundiais em igualdade, o comportamento civilizado pós-jogo da torcida japonesa e a classe dos iranianos que, jogando na casa do inimigo, fizeram bonito e deram um tapa de pelica na cara dos racistas e raivosos norte-americanos.