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Crônica

Abril é um mês especial para escritores e leitores

Os livros são nossos aliados na disseminação da educação, da ciência, da cultura e da informação pelo mundo

Publicado em 06 de Abril de 2026 às 03:00

Públicado em 

06 abr 2026 às 03:00
Francisco Aurelio Ribeiro

Colunista

Francisco Aurelio Ribeiro

Abril é um mês especial para nós, escritores e leitores, pois carrega quatro datas significativas ao universo dos livros e dos leitores. Dia 2, comemorou-se o dia internacional do livro infantil, em homenagem ao nascimento do genial escritor dinamarquês, Hans Christian Andersen (1805-1875), o pai da literatura infantil.
Quem não se deliciou com as histórias de “O patinho feio”, “A pequena sereia”, “O soldadinho de chumbo”, “A pequena vendedora de fósforos” e tantas outras? Andersen escrevia para crianças com palavras e sentimentos a ela adequados, sem suavizar a realidade ou pasteurizar as emoções. Falava de amores impossíveis, da miséria, de incapacidade física, da vaidade e de tudo que é humano, bom ou ruim, de uma forma que todos entendiam, adultos e crianças.
Não à toa, é o maior herói da Dinamarca, um dos países mais desenvolvidos do mundo, e a maior atração de Copenhagen é a estátua da pequena sereia, no porto. Nos dias atuais, quando se fala tanto de uma educação e de uma literatura antirracistas, deve-se lembrar que “O Patinho Feio”, o livro para crianças mais traduzido do mundo, é uma joia da literatura com a história do pequeno patinho que é discriminado, ao nascer, por ser diferente dos outros, sua luta pela superação e o belo desfecho em que se reconhece como um majestoso cisne negro.
No dia 9, comemoramos o Dia Nacional da Biblioteca, cujo papel social, além da disseminação da informação, é o da inserção das comunidades ao conhecimento e em suas práticas. Num país como o nosso, em que o livro não circula nas famílias mais pobres, e em que a maioria das cidades não possui livraria, a biblioteca, seja escolar, seja comunitária, tem papel importante na formação do leitor e do cidadão.
Lembra-me a importância que teve na minha formação a Biblioteca Dr. Custódio Tristão, em Guaçuí. Passei lá muitas horas da adolescência, lendo o precioso acervo distribuído pelo SNL (Serviço Nacional do Livro), hoje extinto. Em Vitória,a biblioteca Adelpho Poli Monjardim desenvolve excelente trabalho de divulgação da literatura e do livro sob coordenação de Elizete Caser, bem como a de Domingos Martins, coordenada por Ana Maria Bechara. Em Vila Velha e Cariacica também há bibliotecários atuantes no desafio de formar leitores.
18 de abril é o dia do nascimento de Monteiro Lobato, o criador da literatura infantil brasileira. Lobato recriou o imaginário da criança brasileira com o seu Sítio do Pica-pau Amarelo e seus personagens antológicos: Pedrinho e Narizinho, Emília e Visconde, D. Benta e Tia Nastácia. Trouxe o Saci para o centro da narrativa folclórica e uma lembrança da Cuca que nenhuma criança esqueceu. Lobato nos ensinou a brasilidade, com todas as suas nuances, até a do racismo, para pensarmos nossa (de)formação cultural.
E, por último, o dia 23, dia mundial do livro e dos direitos autorais. Esse dia foi escolhido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), como o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor, por serem as datas de nascimento e de morte do dramaturgo e poeta inglês William Shakespeare (1564-1616) e de nascimento do escritor espanhol Miguel de Cervantes (1547-1616).
Por todo o mundo, os Estados-membros da Unesco celebram o poder dos livros para nos reunir e transmitir a cultura dos povos e seus sonhos de um futuro melhor. A comemoração deste dia nos dá oportunidade para refletirmos juntos sobre as maneiras de melhor disseminar a cultura da palavra escrita e de permitir que todos os indivíduos, homens, mulheres e crianças, tenham acesso a ela, por meio de programas de alfabetização e de apoio a publicações, livrarias, bibliotecas e escolas.
Os livros são nossos aliados na disseminação da educação, da ciência, da cultura e da informação pelo mundo. Parabéns aos escritores, aos bibliotecários e, sobretudo, aos leitores, sem os quais não existiriam livros e escritores.

Francisco Aurelio Ribeiro

É doutor em Letras, professor e escritor. Seus textos tratam de literatura, grandes nomes do Espírito Santo e atualidades.

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