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Francisco Aurelio Ribeiro

A emoção de mais uma Copa do Mundo

Herdei de meu pai a paixão pelo futebol. Quando nasci, há 70 anos, já ouvia suas histórias de ter ido ao Maracanã, em 1950

Publicado em 15 de Junho de 2026 às 03:00

Públicado em 

15 jun 2026 às 03:00
Francisco Aurelio Ribeiro

Colunista

Francisco Aurelio Ribeiro

Não sei se existe algo que una mais os brasileiros do que o futebol. Em um país polarizado, politicamente, com pessoas se odiando por apoiarem um ou outro candidato, dividido por religiões, cor da pele, classe social, regiões, lugares que frequentam, roupas que usam, marca de carro, de relógio ou de celular, sexo ou gênero, talvez seja o futebol, em épocas de Copas do Mundo, que nos una a todos e, por alguns dias, camufle todas as nossas diferenças. Passada a Copa, ou a eliminação precoce do Brasil, o que tem acontecido frequentemente, desde 2006, tudo volta a ser como dantes no quartel de Abrantes. 


Escrevo às vésperas da abertura oficial e o Brasil ainda não jogou. Confesso que, embora a propaganda da marca de cerveja patrocinadora e o técnico italiano pago a peso de ouro nos motivem a acreditar na seleção, pois “está liberado acreditar”, a maioria do povo brasileiro está de pé atrás com o resultado final. 


Ainda não sei se o Brasil passou pelo Marrocos, uma das melhores seleções da atualidade, se empatou, já está de bom tamanho e muito menos sei até aonde chegará. Sei que não é  o time favorito, pois à sua frente estão Espanha, França, Inglaterra, Alemanha, Holanda e outras mais. 

Vista aérea do Estádio Azteca, que recebera jogos de Copa do Mundo pela terceira vez
Vista aérea do Estádio Azteca Getty Images - Hector Vivas

O Brasil estará, sempre, entre as dez favoritas, mas não entre as cinco. Dito isso, oremos e laboremos, como dizia São Bento, ou joguemos e confiemos, parodiando a bandeira capixaba. De esperança também se vive: rumo ao hexa!


 E de onde vem a paixão do povo brasileiro pelo futebol, um esporte trazido por ingleses, ao final do século XIX, para deleite das elites, como o tênis, o críquete, dentre outros? Esse é um bom tema para estudos de sociólogos, como um esporte criado para diversão da classe dominante se tornou tão popular no mundo todo, reunindo mais de 4 bilhões de torcedores ou de praticantes? 


Talvez seja o fato de ele poder ser praticado, amadoristicamente, por qualquer um: basta uma bola de meia, um campo de várzea e qualquer coisa que marque as traves do gol, sandálias, por exemplo. Quem conhece a história dos principais jogadores brasileiros ou africanos sabem que eles começaram assim. 


Enquanto a ONU possui 193 países-membros, a Fifa (Federação Internacional de Futebol) possui 211, divididos em seis confederações continentais. Quem diria que Curaçao, uma pequena ilha caribenha, subordinada aos Países Baixos, iria participar de uma Copa do Mundo? 

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Herdei de meu pai a paixão pelo futebol. Quando nasci, há 70 anos, já ouvia suas histórias de ter ido ao Maracanã, em 1950, aos vinte anos, e de ter chorado com os milhares de brasileiros pela derrota do Brasil para o Uruguai. Também me contava da melhor seleção de 1954, a da Hungria, a de Puskás, conhecida como os “Mágicos Magiares”, que perdeu a final para a Alemanha, mesmo tendo feito 27 gols em apenas cinco partidas. 


Nem sempre os melhores vencem, pude constatar mais à frente, com a seleção portuguesa de Eusébio, em 1966, o carrossel da Holanda de Cruiyff, em 1974, e o escrete brasileiro de Zico, em 1982, na Espanha. 


Mais uma vez, torçamos pela seleção brasileira e coloquemos nossa esperança do hexacampeonato nos pés de Viny Jr., Paquetá, Raphinha, Bruno Guimarães, Ygor Thiago, Endrick e de todo o time que, mesmo desacreditado, pode chegar lá. Se não der Brasil, que vença Portugal! Cristiano Ronaldo merece ser campeão, antes de se aposentar, e de onde estiver, meu pai estará feliz, pois era filho de portugueses.   

Francisco Aurelio Ribeiro

É doutor em Letras, professor e escritor. Seus textos tratam de literatura, grandes nomes do Espírito Santo e atualidades.

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