Neste domingo (19), a Copa do Mundo 2026 chegará ao seu ponto final e mesmo antes do fim já teremos um vencedor, as bets. Sim. Elas, que possuem um faturamento no mercado mundial que atinge cifras astronômicas, superando estimativas na casa dos 60 bilhões de dólares.
E o mercado brasileiro segue o rastro, crescendo absurdamente de 2023 para cá. Isso pode ser facilmente observado pelas cifras atingidas com apostas online de brasileiros nesse tipo de jogos, fazendo do Brasil o quinto maior mercado.
Com tanto dinheiro, as bets se tornaram um dos maiores investidores em publicidade para atrair apostadores. O fato que chama bastante atenção é que a média de investimento publicitário no mercado brasileiro é bem acima da média do mercado mundial.
Isso se deve em grande parte, a uma regulamentação frágil no país e a atuação junto às classes sociais mais baixas, menos esclarecidas dos riscos desses jogos, e também pela imaturidade do público, em apostar e lidar com os riscos.
Segundo dados do relatório “Investimentos Bets 2025 – Análise Estratégica do Setor de Apostas Esportivas”, elaborado pela Tunad, o investimento em mídia em 2025 chegou a R$ 1,4 bilhões.
Agora voltando ao futebol, não é de hoje o investimento nos campeonatos e clubes de futebol, com cifras enormes. Agora na Copa, as emissoras de TV receberam grande investimento em patrocínios na transmissão, e as bets também fazem investimentos com influenciadores.
O setor ocupa 8 das 40 cotas de patrocínio master das transmissões. Acredita-se que, por terem um custo relativamente baixo de operação, as bets brasileiras invistam em marketing, no mínimo 45% de suas receitas.
Embora a lei brasileira tenha dado um passo importante para a regulamentação do mercado de apostas, ainda existe uma lacuna no mercado para as empresas estrangeiras atuarem no Brasil e a fiscalização da utilização de quem utiliza com frequência dessas apostas.
Com tanto dinheiro disponível e a fragilidade no controle, acabou sobrando para a publicidade. O governo federal, através do Ministério da Fazenda, a instituiu regras de tolerância zero para excessos. A publicidade passou a ser tratada de forma similar à de cigarros e bebidas alcoólicas, sendo obrigatória a inclusão de frases com alertas contra a dependência do jogo.
Por outro lado, o Conar (Conselho Nacional Autorregulamentação Publicitária) já tinha estabelecido mecanismos de regulamentação, visando proteger, em especial, crianças e adolescentes. O que pode parecer um pequeno esforço.
Outra polêmica gerada durante a Copa são as transmissões da CazéTV, único canal a transmitir 100% dos jogos, que durante as suas transmissões, além das inserções de merchandising, tinham “comentários" dos narradores, banalizando e incentivando aos telespectadores a apostar.
Seja como for, as bets encontraram no mercado brasileiro um terreno fértil para avançarem no país. Pelo crescimento descontrolado do investimento em marketing ou pela falta de experiência do consumidor. O governo não pode ter como maior preocupação arrecadar com o crescimento desse setor e fingir que controla a publicidade.