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Posse de Lula

Novos tempos em Brasília: o futuro já começou

O futuro nos convida a sonhar, vigiar e construir um novo ciclo de virtuosidades que alimentem o corpo e o espíritos dos famintos, carentes de alimentos, de dignidade e de afetos

Publicado em 03 de Janeiro de 2023 às 00:15

Públicado em 

03 jan 2023 às 00:15
Elda Bussinguer

Colunista

Elda Bussinguer

A emocionante e tocante cerimônia de posse do povo brasileiro na presidência da República, representado por Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 1º de janeiro, marca o início de uma nova era.
O povo assumiu a presidência do Brasil com Lula, um homem do povo, escolhido para representá-lo no resgate da democracia que estava sendo subtraída.
O povo subiu a rampa junto com Lula. Um povo altivo, elegante em sua simplicidade. Um povo sem medo de ser feliz, de gritar ao mundo que o amor é maior que o ódio, que a vida e a saúde humana estão acima dos interesses de poucos e que nada irá nos afastar do projeto de nação que juntos ajudamos a construir. Somos povo. Queremos ser identificados como povo. Povo que vibra, que luta, que resiste. Povo que não tem medo de enfrentar os riscos inerentes a viver sem privilégios, sempre concentrados nas mãos de poucos.
Lula, um homem do povo, nascido nordestino, mas que se transformou em cidadão do mundo, respeitado e amado em todos os rincões desse enorme planeta. Um homem que transita entre os poderosos sem abaixar a cabeça. Que olha nos olhos dos que se consideram mais nobres do que os pobres e é capaz de mostrar a eles que a nobreza de um homem é o seu caráter e não sua riqueza adquirida muitas vezes em detrimento da miséria alheia.
Posse
Cerimônia de posse do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto Crédito: Tânia Rego/Agência Brasil
São novos tempos para a democracia brasileira. Tempos dos quais haveremos de nos lembrar, no futuro, como marco histórico do dia em que a esperança venceu o medo, a verdade venceu a mentira, a bondade venceu a perversidade, o amor venceu o ódio, o apreço venceu o desprezo, a inclusão venceu a exclusão, a ciência venceu a ignorância, o respeito internacional venceu a vergonha, o amor as pessoas, independentemente de sua raça, de seu gênero ou sua classe social, venceu o amor exclusivo ao dinheiro e ao poder.
Na cerimônia de posse, na qual a diversidade étnica, cultural, social e econômica da maioria do povo brasileiro estava representada, em um delineamento claro do que somos de fato e como nos caracterizamos como povo, uma mulher simples passa a faixa a Lula.
Antes de chegar ao presidente, a faixa passa por muitas mãos, simbolizando um ato de compartilhamento da esperança. Mãos que representam a paz, a igualdade, a solidariedade, a bondade, o trabalho e a integridade O povo fez uma cerimônia de purificação da faixa para que ela podesse então ser colocada em Lula. Jamais nos esqueceremos a imagem do povo entregando e recebendo, ao mesmo tempo, a faixa, junto com Lula.
Ao se recusar a passar a faixa, um ato simbólico de transferência do poder, Bolsonaro fez, talvez, o único ato verdadeiramente favorável ao povo brasileiro. Sua simples presença na cerimônia macularia o ato, provocando sentimentos legítimos de repulsa e vergonha. Sua simples presença na cerimônia poderia nos remeter à triste lembrança das mortes por ele cometidas, dos esfomeados e miseráveis que ajudou a produziu com sua perversidade psicopática.
Ao tocar a faixa que seria colocada em Lula, ele a conspurcaria, tirando a pureza e a alegria da festa, na qual não cabia desonra e opróbio.
Uma mulher do povo, trabalhadora , com sua vestimenta simples, última a tocar a faixa antes de entregá-la a Lula, no silêncio e dignidade do ato, historicamente destinado a poderosos, parece convidar a todos a que juntos ajudem a construir o novo Brasil, somente possível na união e resistência do povo.
O futuro se apresentou a nós como utopia que nos convida a caminhar seguros, alegres e confiantes de que o sonho pode se tornar realidade quando nos dedicamos a ele.
Ao convidar o povo para tomar posse junto com ele, Lula simbolicamente avisa àqueles que se acostumaram a usurpar o poder e se apropriar da nação como se fosse bem particular que, a partir de agora, é o povo que vai governar.
Na vitória da democracia é chegada a hora de governar para o povo, com o povo e pelo povo.
O futuro nos convida a sonhar, vigiar e construir um novo ciclo de virtuosidades que alimentem o corpo e o espíritos dos famintos, carentes de alimentos, de dignidade e de afetos.

Elda Bussinguer

Pós-doutora em Saúde Coletiva (UFRJ), doutora em Bioética (UnB), mestre em Direito (FDV) e professora universitária

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