Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Esperança

Tem que haver um lado bom, ainda que no longo prazo

O brasileiro está fazendo um curso intensivo de educação financeira e vai aprender, com o “corona” e seus efeitos, que o futuro chega e que poupança e investimento são itens de primeira necessidade

Publicado em 06 de Agosto de 2020 às 05:00

Públicado em 

06 ago 2020 às 05:00
Danilo Carneiro

Colunista

Danilo Carneiro

Taxa Selic está no menor patamar da história
Taxa Selic está no menor patamar da história e é um dos efeitos positivos no meio da pandemia Crédito: Reprodução/Web
Estamos vivendo um momento bem curioso. Sei que há muitos adjetivos sendo utilizados para definir o instante: desafiador, complicado, aterrorizante, delicado, confuso, único, decisivo etc... Eu escolhi “curioso” porque sou brasileiro.
Aqui estamos sempre alternando entre esperança e desespero, comédia e tragédia, euforia e depressão. Estabilidade é para países chatos. Nós conservamos o sedutor colorido da aventura e dos extremos. O “futuro” para nós é apenas um substantivo masculino que só serve para atrapalhar o nosso “hoje”.
Somos imprevidentes e acreditamos que poupança e investimento são luxos ou falta de fé. Compramos carros, geladeiras e fogões em financiamentos intermináveis, fazendo cálculo, quando muito, das primeiras dez prestações. Aprendemos a conviver com o “curto prazo” que nos foi imposto desde a Colônia e a estratégia de sobrevivência esteve sempre presente na nossa história.
Considerando que sobreviver é, por definição, uma emergência, forjamos, para o bem e para o mal, alguns traços marcantes da nossa identidade: Nós não projetamos/planejamos; somos os reis do improviso, o que nos faz valorizar muito mais o drible desconcertante do que o gol “de bico”; fazemos um churrasco na laje com cerveja e carne de terceira, comprometendo o orçamento do mês inteiro, mas mantendo uma alegria genuína e a certeza de que “dias melhores virão”.
Herdamos da pressão inflacionária o sentimento de urgência em ter que consumir hoje, para evitar a “remarcação” dos preços. É quase atávico. Mesmo os brasileiros que não presenciaram as maquininhas de “colar” todos os dias, novos preços nos produtos, sentem, inexplicavelmente, a comichão da pressa na hora de comprar.
Então, veio a pandemia e, com a recessão, temos a mais baixa Selic (taxa básica de juros) da história (2% ao ano e caindo). Experimentaremos a realidade “impensável” dos juros negativos (há muito praticados na Europa)? Difícil dizer. Mas se há algo que vai mudar é o nosso horizonte de planejamento financeiro. Estou seguro disso.
O brasileiro está fazendo um curso intensivo de educação financeira e vai aprender, com o “corona” e seus efeitos, que o futuro chega e que poupança e investimento são itens de primeira necessidade. Ainda seremos cobaias de políticas excêntricas e equivocadas, mas o vírus “pedagogo” vai harmonizar a nossa relação com essa coisa escura que é o futuro (Toquinho).
A nossa calculadora financeira passará a ser utilizada mais amiúde e diminuiremos o hábito de “descontar” o futuro a taxas obscenas. Não acredito que nos tornaremos entusiastas do longo prazo, até porque, como dizia Keynes: “No longo prazo, estaremos todos mortos”. O médio prazo já seria um salto de qualidade para nós!

Danilo Carneiro

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Novo desvio altera acesso de Piúma à BR 101 a partir desta quarta-feira (17)
Obra altera acesso de Piúma à BR 101 a partir de quarta-feira (17)
Imagem de destaque
Febre dos peptídeos: entenda o que são e quais os riscos
Sucesso baiano fechará o primeiro dia de festival Vital 2026
Com Bell Marques e Léo Santana, Vital 2026 tem ingressos a partir de R$ 40

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados