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Grande Vitória

Volta do aquaviário precisa incentivar mais ousadia na mobilidade urbana

O aquaviário ajuda a preencher uma lacuna. Mas é preciso que os gestores comecem a ousar mais, do ponto de vista do planejamento urbano

Publicado em 21 de Maio de 2022 às 02:00

Públicado em 

21 mai 2022 às 02:00
Antônio Carlos Medeiros

Colunista

Antônio Carlos Medeiros

Edital foi publicado nesta terça-feira
Modelo de embarcação a ser usada no novo transporte aquaviário na Baía de Vitória Crédito: Divulgação/ Governo do Estado
Tudo indica que o aquaviário vai voltar. Depois de mais de 20 anos de idas e vindas para reformatar e relançar o projeto. O pregão eletrônico para a escolha da empresa que vai operar o sistema está previsto para a semana que vem, conforme já anunciado aqui no site da Gazeta.
Em editorial do último dia 13 de maio (Opinião da Gazeta), foi pertinente a afirmativa de que “não faz muito sentido uma região metropolitana na qual a principal cidade se localiza em uma ilha não oferecer transporte hidroviário: grandes centros urbanos em situação semelhante realizam operações regulares com embarcações para reduzir o impacto no trânsito e facilitar a rotina das pessoas. Especialistas em mobilidade urbana são entusiastas das conexões marítimas”.
Para quem não sabe, a ideia do sistema aquaviário nasceu, nos idos de 1976, nas pranchetas do Grupo de Planejamento Urbano e Regional, uma pequena equipe multidisciplinar que funcionava no Bandes e depois veio a ser o embrião da Fundação Jones dos Santos Neves (hoje Instituto Jones dos Santos Neves).
Daqueles pranchetas, nasceram ideias e projetos como o próprio aquaviário e a Terceira Ponte, entre outros. Ali germinou a constatação de que Vitória e Vila Velha formavam uma “conurbação”, em termos de planejamento urbano, e que eram embriões de uma região metropolitana. A região da Grande Vitória.
A volta do aquaviário é bem-vinda. Já naquela época, e muito mais depois, era óbvia a constatação de que Vitória era uma ilha “de costas para o mar”. De certa forma, ainda é. Muito. O aquaviário ajuda a preencher essa lacuna. Mas será preciso que os gestores da Capital e da Região Metropolitana ousem mais, do ponto de vista do planejamento urbano e metropolitano. O canal de Camburi, por exemplo, precisa ser repaginado para o turismo, o lazer, a gastronomia e a economia criativa. Integrado ao projeto da orla noroeste (Grande São Pedro), que a Prefeitura de Vitória está começando a tornar realidade.
Pouco a pouco, nestes últimos anos, projetos importantes para a melhoria da mobilidade na capital e na região metropolitana estão saindo do papel. As ciclovias e, agora, a ciclovia na Terceira Ponte. O Portal do Príncipe. O Contorno do Mestre Álvaro. A chamada Rodovia das Paneleiras, até a Serra. O aquaviário.
O projeto da Quarta Ponte, para Cariacica. O projeto do “SkyShuttle” (minitrem aéreo, como no aeroporto de Miami), para ligar Carapina ao Centro de Vitória. E assim por diante. É preciso ousar. A sustentabilidade requer tais investimentos.
Segundo a Secretaria de Mobilidade e Infraestrutura (Semobi) do governo estadual, o aquaviário vai ter como pressuposto a multimodalidade, isto é, vai operar integrado a outros modais de transportes, como ônibus, bicicleta e carro. Dado esse pressuposto, os primeiros terminais serão localizados na Praça do Papa e na Rodoviária, do lado de Vitória. Com mais um terminal em Vila Velha e outro em Cariacica.
Começando a operar, espera-se, no segundo semestre de 2022. Boa notícia.

Antônio Carlos Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas

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