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Eleições 2024

Um fato novo na estrada da sucessão de Lorenzo Pazolini em Vitória

A estrada vai congestionar? Neste momento, é hora de as candidaturas se apresentarem, gastarem sola de sapato e impulsionarem as redes sociais

Publicado em 19 de Agosto de 2023 às 00:20

Públicado em 

19 ago 2023 às 00:20
Antônio Carlos Medeiros

Colunista

Antônio Carlos Medeiros

Nesta semana, o PSB produziu um fato novo que poderá ter efeito pertinente na corrida da sucessão em Vitória. O deputado estadual Tyago Hoffmann foi oficialmente lançado candidato a prefeito da capital pelo PSB.
Politicamente, é um fato novo. Hoffmann ainda tem pouco lastro eleitoral em Vitória. Mas o fato político é que ele tem potencial e tempo político para crescer. Tem lastro partidário. O PSB cresceu nas últimas eleições municipais e é o partido do governador Renato Casagrande.
Hoffmann é também uma candidatura de renovação de lideranças no campo da centro-esquerda, com diálogo no centro do espectro político. Seu desafio é buscar lastro eleitoral e chegar a março de 2024 com a marca de dois dígitos nas pesquisas de opinião.
Lembremos que, politicamente, Vitória tem uma tradição de terra de ninguém. Perfil que se mantém desde as eleições de 1985. O eleitor é dono do seu nariz. Não segue cacique. A mediana do eleitorado é de classes médias (A,B,C), com alta renda per capita para os padrões brasileiros. Eleitor exigente.
Lembremos, também, que a cidade vivenciou 32 anos de hegemonia de centro-esquerda, até Pazolini. Aí, houve uma ligeira inflexão política para o centro/centro-direita. Agora, as lideranças já estão em movimento, na estrada da sucessão. A conferir se o pêndulo terá nuances para a centro-direita ou para a centro-esquerda. Intenções de alianças políticas já fazem parte do xadrez político. É cedo para cravar uma clara resultante. Pêndulo é pêndulo. Ainda mais em Vitória.
A preços de hoje, o prefeito Pazolini, se confirmar a candidatura à reeleição, vai para a largada na pole position. Sua gestão deslanchou. As entregas já são visíveis. Deslanchou com projetos, obras e serviços que podem mudar a cara da Ilha de Vitória: deixar de permanecer uma ilha de costas para o mar, com projetos relevantes na orla noroeste, na Curva da Jurema, na Av. Beira Mar e, quiçá, no canal de Camburi. E fazendo mais no campo da inclusão social.
Entretanto, o calcanhar de Aquiles de Pazolini é ainda o fato de que ele não lidera a cidade. Ainda há tempo. Mas existe um vácuo. É neste vácuo que a candidatura de Hoffmann pode crescer. No mercado político, já se observa que ele colocou o pé na estrada.
As eleições de Vitória têm sido sempre concorridas. Algumas delas resolvidas só no segundo turno. Agora, também, deverão ser muito concorridas. O PT lançou João Coser, uma força política histórica na capital. O PT nacional considera a sua candidatura uma das prioridades nas capitais. Luiz Paulo Vellozo Lucas, outra liderança política histórica na cidade, também está na estrada. Coser liderou a cidade, no seu tempo. Luiz Paulo também.
Prédio da Prefeitura Municipal de Vitória
Prédio da Prefeitura Municipal de Vitória Crédito: Fernando Madeira
A estrada vai congestionar? Neste momento, é hora de as candidaturas se apresentarem, gastarem sola de sapato e impulsionarem as redes sociais. Não existe, a priori, tendência à ideologização da disputa em Vitória. O bolsonarismo não deverá polarizar em 2024 com a mesma intensidade de 2020. Nesse contexto, a clivagem ideológica poderá não ser determinante em Vitória.
Caberá um perfil de Frente Ampla em Vitória? No espectro do centro/centro-direita, o mercado verifica movimentações na direção de alianças em torno da eventual candidatura de Pazolini à reeleição.
E no espectro do centro/centro-esquerda? Aqui, o PSB produziu um fato político relevante. Pode ser o embrião de um arco de alianças para a retomada da tendência histórica de centro/centro-esquerda. A conferir.

Antônio Carlos Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas

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