Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Economia

Nossas vacas sagradas: conceitos ambíguos do debate econômico

Talvez o nosso desafio, Schüller lembrou bem, seja retomar a ideia de Mario Covas na campanha de 1989: um “choque de capitalismo”

Publicado em 03 de Fevereiro de 2024 às 01:30

Públicado em 

03 fev 2024 às 01:30
Antônio Carlos Medeiros

Colunista

Antônio Carlos Medeiros

Celso Furtado referia-se ao PIB como a vaca sagrada dos economistas. Para ele, trata-se de um conceito ambíguo. Assim como, também para ele, seria ambíguo o conceito de taxa de crescimento do PIB.
Atualmente, temos duas recorrentes vacas sagradas no “mainstream” do debate econômico. Primeiro, a mensuração da nossa dívida pública como proporção do PIB. Segundo, a mensuração da nossa profunda distribuição desigual da riqueza nacional - a nossa velha e pornográfica desigualdade.
No debate da relação dívida/PIB costuma-se cravar que algo como 70%/80% seria o “limite” para um país emergente como o Brasil. Ninguém nunca conseguiu provar o porquê. A dívida global fechou 2023 no maior patamar da história, em 307,4 trilhões de dólares. O recorde foi puxado por países como Estados Unidos, China, Japão e Brasil. 123,3% nos Estados Unidos. 74,4% no Brasil em agosto de 2023. Mundo endividado.
No debate da desigualdade, Joseph Stiglitz cravou que uma distribuição favorável seria “os 10% mais ricos não podem ter mais do que os 40% mais pobres”. Não ficou claro o porquê. É claro que é necessário sempre melhorar o Índice de Gini e o IDH. Mas a numerologia torna a desigualdade outra vaca sagrada. Outro conceito ambíguo.
Pois bem. Na questão da relação dívida/PIB, Mariana Mazzucato defende que é preciso mirar resultados de políticas públicas bem desenhadas e não percentuais preestabelecidos de indicadores macroeconômicos.
Ela recomenda manter o indicador clássico dívida/PIB, mas com menos foco no numerador e mais foco no denominador da equação. Mais foco em políticas públicas com efeitos multiplicadores para o crescimento do PIB. Ela cita o sucesso do projeto Apollo, a ida à Lua nos anos 1960. Aqui, agora, a nova política industrial do Brasil foi desenhada nesta perspectiva de efeito multiplicador.
Na questão da desigualdade, é claro que é preciso adotar e ajustar o imposto de renda progressivo. Mas o foco precisa ser menos na desigualdade e mais na pobreza. A redução da pobreza e o aumento da riqueza são faces da mesma moeda, pontua Fernando Shüller.
Juros, inflação, dinheiro, riqueza, patrimônio, moedas, investimento, lucro
Crescimento econômico Crédito: Shutterstock
Trata-se, para ele, de combinar o crescimento econômico com instituições “inclusivas”: abertura de mercado, aumento da produtividade, capacitação de pessoas, ética pública, racionalidade no gasto governamental, bom ambiente de negócios.
No Brasil, estamos cansados de saber que a pobreza é escandalosa e o crescimento é pífio e no padrão voo de galinha. O enfrentamento dos dois problemas principais do país requer novas visões do desenvolvimento econômico no século XXI, para além das vacas sagradas que o debate econômico consagrou. Sem dogmas.
Talvez o nosso desafio, Schüller lembrou bem, seja retomar a ideia de Mario Covas na campanha de 1989: um “choque de capitalismo”. Com ferramentas (políticas públicas) catalisadoras de novos investimentos: focar a transição energética e o combate à mudança do clima e à pobreza - com inovação e produtividade.

Antônio Carlos Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Obras do Transcol na Avenida Carlos Lindenberg, que fazem parte do projeto Expresso GV, um corredor exclusivo de ônibus (BRT)
Após reclamações, Avenida Lindenberg tem ajustes em obra e trânsito melhora
Jiboia é resgatada de estante de uma casa na Prainha em Vila Velha
Jiboia é encontrada em estante de casa na Prainha, em Vila Velha
Imagem de destaque
5 dicas de decoração para deixar a casa mais aconchegante no inverno

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados