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Eleições 2020

Em busca de um futuro, Cariacica precisa romper o círculo político vicioso

Há anos, a cidade convive com círculos viciosos que se retroalimentam. A recepção de fortes fluxos migratórios, combinada com poucas atividades econômicas relevantes, gera baixo crescimento e baixa renda, com imensas carências

Publicado em 11 de Julho de 2020 às 05:00

Públicado em 

11 jul 2020 às 05:00
Antônio Carlos Medeiros

Colunista

Antônio Carlos Medeiros

Data: 02/04/2020 - ES - Cariacica - Pandemia coronavírus - Movimento de pedestres na avenida Expedito Garcia, Campo Grande - Editoria: Cidades - Foto: Vitor Jubini
Cariacica não se consolidou como uma cidade com dinâmica cultural, sentimento de pertencimento e sociedade civil relevante Crédito: Vitor Jubini
Cariacica ainda está em busca de um futuro. Tem status de município. Mas não se consolidou como uma cidade com dinâmica de identidade cultural, sentimento de pertencimento e formação de uma sociedade civil relevante. Não tem um projeto político, socialmente pactuado, de desenvolvimento. Vive no turbilhão de uma crônica ausência de autoestima.
Uma espécie de território sem alma e “gigante adormecido”, na visão de lideranças locais. Estas lideranças alertam para a ausência de uma liderança de referência, com estatura para olhar para fora e liderar um projeto de desenvolvimento. Moradores de Campo Grande e Itaquari apontam para uma miragem: Cariacica se orgulha de Vitória e olha para a Serra como referência.
Há anos, a cidade convive com círculos viciosos que se retroalimentam. A recepção de fortes fluxos migratórios, combinada com poucas atividades econômicas relevantes, gera baixo crescimento e baixa renda, com imensas carências. As carências geram o imediatismo do povo e o populismo dos seus líderes. Um caldo de cultura para uma tradição de populismo e clientelismo.
Pelo menos desde 1988, políticos de corte populista e clientelista se alternaram no poder e nas cédulas eleitorais. Vasco Alves (PSDB e PPS); Aloízio Santos (PMDB; PDT e PSDB); Cabo Camata (PSD); Juninho (PPS). Helder Salomão (PT) interrompeu o “rodízio” entre 2004 e 2012, teve uma gestão bem avaliada, mas não rompeu com a força estrutural do clientelismo. Radialistas como Nilton Gomes (PDS) e Antário Filho (PSDB), de perfil populista, foram bem votados em 1992 e 1996, respectivamente.
Chegamos a 2020. Mas os dois líderes tidos como favoritos – Helder Salomão (PT) e Marcelo Santos (Podemos) – não se declaram candidatos. Helder afirma que não será, depois de três candidaturas e duas vitórias. Marcelo se diz indeciso, depois de duas candidaturas. Há quem diga por lá que eles vão decidir só na undécima hora. Estariam “se estudando”. Se forem os dois, é polarização tida como certa. Se for apenas um deles, é favoritismo também tido como certo. Se não for nenhum dos dois, serão bons cabos eleitorais.
Mas, aí, “vira tudo japonês”. Estão na estrada, dentre outros: Euclério Sampaio (DEM); Sandro Locutor (Pros); Joel da Costa (PSL); Célia Tavares (PT); Adilson Avelina (PSB); e Subtenente Assis (PRTB). O novo prazo para a realização de Convenções partidárias é 31 de agosto a 16 de setembro. Até lá, os pré-candidatos buscam viabilização.
As longevas gestões de Helder e de Juninho, nos últimos 16 anos, não realizaram mudanças estruturais. Apesar de avanços pontuais, eles permaneceram “reféns” do clientelismo e das carências crônicas da população. Será possível romper com este círculo vicioso a partir de 2021, considerando a queda abrupta das receitas municipais em decorrência da pandemia? É um enorme desafio, para no mínimo oito anos.

Antônio Carlos Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas

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