Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Economia

Espírito Santo terá segunda onda de queda de renda da população

A recessão por dois anos seguidos, 2015 e 2016, uma das piores da história, com quedas respectivamente de 2,1% e de 9,3% no PIB estadual, fez a renda per capita do capixaba recuar a nível mais baixo do que na década passada

Publicado em 27 de Abril de 2020 às 05:00

Públicado em 

27 abr 2020 às 05:00
Angelo Passos

Colunista

Angelo Passos

Cofre e dinheiro: rentabilidade da poupança está cada vez mais baixa
A economia capixaba tem de percorrer longo caminho Crédito: Frrepik
Brasil ocupa a 9ª pior posição em desigualdade de renda, num conjunto de 189 países pesquisados pela ONU. A parcela de 1% dos mais ricos no Brasil concentra 23% da massa de rendimentos, muito acima da média mundial de 12% - que já é escandalosa. Metade da nossa população embolsa 90% da renda, enquanto a outra metade sobrevive com apenas 10%. Por óbvio, essa situação vai piorar muito em 2020. O Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) calcula que neste ano o PIB per capita recuará 4,1% - uma média entre Estados. O valor esperado é de R$ 30.780, o menor desde 2007 (R$ 29.778). A realidade é a de diminuição de salários e aumento do desemprego.
Espírito Santo viverá uma segunda onda de queda da renda.  A recessão sofrida pelo pelo Estado durante dois anos seguidos, 2015 e 2016, uma das piores da história, com quedas respectivamente de 2,1% e de 9,3% no PIB estadual, fez a renda per capita do capixaba recuar a nível mais baixo do que na década passada. Em função do crescimento trôpego do seu PIB - apenas 0,5% em 2017, 2,4% em 2018 e a estagnação (zero por cento) em 2019, constatados pelo Instituto Jones dos Santos Neves - o Estado não conseguiu repor as perdas nos bolsos dos cidadãos.
Sabe quando a perda de renda seria recuperada? Só em 2026. De lascar. Isso dependendo de expansão continuada (tipo 2,4% ao ano). Para atingir esse embalo seriam necessários vários fatores: elevação do investimento, mudanças na formação de mão de obra para atender a evolução nos processos de produção, avanço em produtividade, aumento da competitividade dos produtos brasileiros (dentro e fora do país), reforma tributária, confiança na gestão fiscal, melhoria de infraestrutura etc.
A economia capixaba teria de percorrer longo caminho. Talvez mais do que outros Estados. Vale lembrar, por exemplo, que a produção da indústria local caiu 15,7% em 2019. Disparado o pior resultado no Brasil. No ano anterior, 2018, também houve retração (-1,7%). Dois anos seguidos de afundamento não se revertem da noite para o dia.
Entre 2014 e 2019, a renda média dos brasileiros recuou 2,4%, segundo estudos feitos com base na Pnad Contínua, do IBGE. A causa maior foi a recessão entre 2014 e 2016, quando o PIB nacional despencou 8,1%. No Espírito Santo, foi pior. No acumulado de 2015 e 2016, o PIB estadual caiu mais de 11%. Obviamente, as consequências para a renda dos capixabas foram péssimas.
2019 foi um ano bom para o emprego no Espírito Santo. Terminou com saldo de 19,5 mil vagas. Uma reação forte, sem dúvida, mas muito longe de devolver ao mercado as vagas fechadas na recessão. É preocupante a existência no Estado de mais de 100 mil jovens que não trabalham nem estudo, chamados de "nem nem". É um quadro que amplia desigualdades ameaça perspectivas.
Também deve-se acentuar que, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), cerca de 50% das pessoas ocupadas no Espírito Santo trabalham informalmente, sem carteira assinada. A renda desse contingente será duramente afetada pela recessão, que vai se instalando ferozmente.

Angelo Passos

É jornalista. Escreve às segundas e às sextas-feiras sobre economia, com foco no cenário capixaba, trazendo sempre informações em primeira mão e análises, sem se descuidar dos panoramas nacional e internacional

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Messi Argentina
Messi faz história e Argentina vence a Argélia na estreia da Copa do Mundo
“O Espírito Santo é um dos melhores estados para criar startup”, diz diretor da Quartzo
Haaland marca dois gols na vitória da Noruega sobre o Iraque na Copa do Mundo
Haaland faz 2 à la Haaland em vitória da Noruega na estreia da Copa

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados