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Economia

Campanhas incentivam consumo de produtos feitos no Espírito Santo

O cenário é de crise, mas não de ideias. Indústrias fabricantes de alimentos e bebidas locais criam o selo "Produto 100% Capixaba". Já o setor de vestuário e confecções lança a campanha "Moda Capixaba - Eu apoio. Eu compro. Eu uso"

Publicado em 08 de Junho de 2020 às 05:00

Públicado em 

08 jun 2020 às 05:00
Angelo Passos

Colunista

Angelo Passos

Confecção de roupas na Missbella em Colatina
Confecção de roupas, em Colatina: campanha para consumo de produtos locais Crédito: Divulgação/arquivo
Em meados dos anos 1980, a indústria de massas alimentícias instalada no Estado lançou o selo "Macarrão do Espírito Santo". Era uma iniciativa apoiada pela Federação das Indústrias, então presidida por Hélcio Rezende Dias. Foi um sucesso. Ajudou muito os produtos das fábricas locais a ganhar mais espaço nas gôndolas dos supermercados - dentro do Estado e em algumas cidades fora. Tornou-se arma providencial na guerra de mercado, desde sempre acirrada.
É claro que o contexto daquela época era muito diferente do atual. No Espírito Santo, no Brasil e no mundo pensava-se de outro modo, em quase tudo. O querer da sociedade tinha outras referências. Idem, a cultura, a política, o comportamento, o meio ambiente, a ciência, a tecnologia etc. Mas sem intuito se fazer comparações, recorda-se que fatos não muito diferentes dos que se veem hoje motivaram a criação do selo "Macarrão do Espírito Santo": crise econômica e desgaste do governo (Sarney), que contribuía para agravá-la.
Essa memória é uma forma de apoiar a proposta de criação do selo "Produto 100% Capixaba", feita pela Federação das Indústrias a lideranças empresariais da Câmara de Alimentos e Bebidas. Trata-se de colegiado constituído por sindicatos e outros órgãos da cadeia alimentar no Estado, como a Associação Capixaba dos Supermercados (Acaps). A Câmara também dialoga com o setor agroalimentar, que gerou R$ 7,6 bilhões de receita líquida de vendas às indústrias em 2017, dado mais recente.
Vinte indústrias já aderiram ao selo. Aquela que quiser candidatar-se ao selo deve ser filiada ao sindicato de referência, que validará os documentos. Por fim, será submetida à aprovação do Conselho Controlador do Selo. Há uma sequência de cuidados com a credibilidade. Denota zelo por valores que devem estar presentes naquilo que é oferecido ao mercado. É isso que o selo "Produto 100% Capixaba" deve passar ao consumidor. Naturalmente, vai precisar de boa publicidade.
No cenário atual de retração da economia, surge outra boa ideia da indústria capixaba, visando a incentivar o consumo local. É a campanha que acaba de ser lançada com o rótulo "Moda Capixaba - Eu apoio. Eu compro. Eu uso". Pesquisa da Premium Opinião Pública, feita com 50 empresas locais, no mês de maio, constatou que 96% tiveram redução nas vendas, das quais 54% com queda de 61% ou mais. Cerca de 20% zeraram as vendas. Entre as que foram ouvidas, 60% já demitiram.
De acordo com a Câmara da Indústria do Vestuário (que congrega seis sindicados empresariais representando mil empresas), a atividade emprega de forma direta e indireta cerca de 30 mil profissionais. Isso repercute financeiramente em 100 mil pessoas - o que mostra a importância do setor na economia estadual.
A campanha "Moda Capixaba - Eu apoio. Eu compro. Eu uso" espera a participação de 200 lojas, que serão adesivadas com as cores da bandeira do Espírito Santo. Não tem data para terminar. Em princípio, a intenção a estender até o final do ano, com ênfase em datas comemorativas, como Dia dos Namorados, Dia dos Pais, Dia das Crianças e Natal.

Angelo Passos

É jornalista. Escreve às segundas e às sextas-feiras sobre economia, com foco no cenário capixaba, trazendo sempre informações em primeira mão e análises, sem se descuidar dos panoramas nacional e internacional

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