Bernardo Coutinho
A Prefeitura de Vitória trabalha para enviar ao Conselho Municipal de Políticas Urbanas (CMPU), até agosto, um pacote de medidas exclusivas para o Centro. Entre elas está a possibilidade de que donos de imóveis da região possam vender, com mais facilidade, o potencial construtivo não utilizado em seus terrenos para quem queira desenvolver projetos imobiliários mais robustos entre a Curva do Saldanha e a Santa Casa de Misericórdia. Saindo do papel, seria um elemento novo no cenário imobiliário da Capital.
A venda de potencial construtivo é uma ferramenta comum em outras cidades, caso do Rio de Janeiro. Em resumo, é o seguinte: O proprietário de uma área que não utilizou a totalidade de seu potencial construtivo, caso, por exemplo, de uma casa baixa em um terreno onde pode ser feito um prédio de dez andares, pode vender este potencial para outro proprietário. Não haveria aumento de densidade na região como um todo, mas transferência de potencial de quem usou menos para quem quer usar mais.
"É apenas uma das medidas das várias que estão sendo avaliadas e que serão levadas ao CMPU. Nós queremos usar os instrumentos urbanísticos disponíveis, sem precisar alterar o PDU (Plano Diretor Urbano), para atrair investimentos, comerciais e habitacionais, e levar mais pessoas para o Centro. Queremos ocupar as áreas e os prédios que estão desocupados, inclusive com projetos do Minha Casa, Minha Vida. O ponto central do plano é este", assinalou Cris Samorini, prefeita de Vitória.
Ela frisou que tudo será feito respeitando os imóveis tombados e a paisagem da região. "Temos ali um potencial enorme, com boa localização e transporte. Já tem muita coisa sendo feita, mas a ideia é potencializar. Observamos muito o que vem sendo feito no Rio de Janeiro e Recife".
Os empresários do mercado imobiliário aguardam o que de fato sairá do trabalho que está sendo feito dentro da PMV, mas olham com entusiasmo os pontos de partida. "O PDU de Vitória já prevê a venda de potencial construtivo, mas é um processo muito moroso e burocrático, isso afasta o mercado. Medidas que facilitem a negociação, que deem liquidez, são vistas com bons olhos. Vamos aguardar o que virá", assinalou um influente dirigente da indústria imobiliária de Vitória.
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