As idas e vindas tarifárias do governo dos Estados Unidos sob a presidência de Donald Trump são um grave problema para o comércio internacional. Atrapalha muito, afinal, estamos falando da maior economia do planeta, grande compradora de materiais de maior valor agregado e de um parceiro histórico do Brasil. A imprevisibilidade cobra o seu preço, está posto, mas a estratégia comercial e industrial de Trump não é o maior problema enfrentado pelos exportadores brasileiros. O velho Custo Brasil cobra um preço bastante elevado, tirando competitividade das empresas brasileiras aqui dentro e, principalmente, lá fora.
Empresários e executivos da indústria de rochas, um dos segmentos mais afetados pelas tarifas norte-americanas, foram a Brasília reclamar dos problemas 'made in Brazil' de competitividade. Importante sempre lembrar que 80% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro do setor está estabelecido no Espírito Santo. "O setor demonstrou capacidade de adaptação ao longo dos últimos anos, mas a competitividade não se constrói apenas dentro das empresas. Ela depende também de um ambiente comercial previsível. O novo cenário exige continuidade do trabalho institucional e de políticas que permitam ao Brasil recuperar a competitividade dos segmentos que historicamente impulsionaram as exportações brasileiras", disse Tales Machado, presidente da Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas) em reunião, nesta quarta-feira (22), em Brasília, que contou com a presença do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin e de representantes dos ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Pelas contas de Machado, há dez anos, o Espírito Santo embarcava cerca de 3,5 mil contêineres por mês. Hoje, são 2,5 mil contêineres mensais. Segundo ele, a redução é resultado da perda gradual de competitividade provocada por fatores como o aumento dos custos logísticos, gargalos de infraestrutura, custos portuários e demais entraves associados ao chamado Custo Brasil.
O crescimento das exportações de quartzitos permitiu compensar parte dessa redução de volume. Por apresentarem maior valor agregado, esses materiais contribuíram para sustentar a receita do setor, mesmo diante da perda de competitividade de materiais como mármores e granitos. "O quartzito foi fundamental para manter o desempenho do setor, mas ele não substituiu todo o potencial perdido pelos granitos e mármores. O cenário ideal seria manter a competitividade dos materiais tradicionais e, ao mesmo tempo, incorporar o crescimento dos quartzitos", explicou o empresário.
O Centrorochas calcula que, se a competitividade tivesse sido preservada ao longo da última década, o setor poderia estar exportando cerca de US$ 2 bilhões por ano, mais de 40% acima do US$ 1,4 bilhão de 2025.
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