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Ambiente e saúde

Nevoeiro se junta a 'corredor de fumaça' e muda tempo no ES; veja riscos

Névoa que cobre parte do Espírito Santo é causada por dois fatores independentes, que não têm relação, e que têm significados diferentes para o meio ambiente

Publicado em 04 de Setembro de 2024 às 09:29

Alberto Borém

Publicado em 

04 set 2024 às 09:29
Vitória encoberta por névoa branca nesta quarta-feira (4)
Vitória encoberta por névoa branca nesta quarta-feira (4) Crédito: Reprodução | TV Gazeta
As paisagens da Grande Vitória amanheceram ainda mais encobertas por uma espécie de nuvem branca nesta quarta-feira (4). Não há relatos recentes ou previsão de chuva para os próximos dias. A névoa que cobre parte do Espírito Santo é causada por dois fatores independentes, que não têm relação, e que têm significados diferentes para o meio ambiente.
Desde a terça-feira (3), é possível notar em alguns locais da Grande Vitória como a fumaça branca cobre a paisagem. Prédios, pontes e regiões mais altas "desaparecem" em meio ao fenômeno.
  1.  "Corredor de fumaça" da Amazônia: O aumento das queimadas na Região Norte do Brasil afeta diretamente Estados como o Espírito Santo. Conforme mostrado por A Gazeta ainda na terça-feira (3), a fumaça que sai da Amazônia chega ao Sudeste, causando algo parecido como uma névoa no céu. Não há, a princípio, risco à saúde das pessoas.
  2. Nevoeiro no Sul e Sudeste: A segunda explicação tem relação com a previsão do tempo. Estados das duas regiões devem registrar nevoeiro, afetando a visibilidade em alguns pontos.
Inicialmente, o causador da névoa branca era justamente o "corredor de fumaça" das queimadas na Amazônia. Um mapa divulgado pelo MetSul Meteorologia mostra como o vento trazia a fumaça do Norte para o Sudeste. A fumaça é um reflexo do aumento das queimadas na região. O deslocamento estava previsto entre terça (3) e quarta-feira (4).
Fumaça da Amazônia deve chegar ao ES entre terça e quarta-feira
Fumaça da Amazônia deve chegar ao ES entre terça e quarta-feira Crédito: Reprodução | MetSul
O professor do Departamento de Oceanografia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Agnaldo Martins explica que o vento não é inédito, mas atualmente está sendo afetado pelo aumento dos incêndios na Amazônia. O especialista ressaltou em entrevista à TV Gazeta que a névoa branca pode permanecer enquanto houver queimadas na região Norte do Brasil.
"É um vento normal de acontecer e transporta ar e umidade. Mas desta vez, com uma quantidade de focos de incêndio acima do normal, a fumaça está sendo trazida para a região Sudeste. O efeito mais visível é o escurecimento do céu, como uma poeira, um aspecto diferente"
Agnaldo Martins - Professor da Ufes
A névoa branca agora também se explica pela previsão do tempo. As fumaças da Amazônia seguem trazendo uma nuvem branca ao Estado, mas nesta quarta-feira (4) há um ingrediente a mais: A formação de um nevoeiro. Conforme a empresa Climatempo, o nevoeiro deve ser registrado no Sul e Sudeste do Brasil nos próximos dias. O fenômeno tem como principal característica a redução da visibilidade nas primeiras horas da manhã.
Diferentemente do "corredor de fumaça", que poderia chegar a diversas cidades do Espírito Santo, a Climatempo aponta que o nevoeiro deve ficar restrito a Vitória. Cidades no Sul do Rio de Janeiro e parte do litoral de São Paulo também poderão ser afetadas pela névoa branca. Não há previsão de chuva para os próximos dias.
O nevoeiro se forma quando a umidade do ar próxima ao solo se condensa em pequenas gotículas de água. Para que esse fenômeno ocorra, a umidade relativa do ar precisa estar muito alta, geralmente acima de 90%, e a temperatura do ar deve ser baixa. Além disso, é necessário que o vento seja fraco ou inexistente. O resfriamento do ar pode acontecer de duas maneiras: durante a noite, quando há perda de calor, ou quando uma massa de ar frio se desloca sobre uma superfície quente.

O que muda na sua saúde?

Conforme divulgado pelo MetSul Meteorologia, a fumaça da Amazônia chegaria ao Espírito Santo entre terça (3) e quarta-feira (4), mas não traria riscos à saúde. O instituto de meteorologia explicou que a fumaça dos incêndios ficaria suspensa na atmosfera, distante da superfície. O nevoeiro no início da manhã não oferece riscos. Mesmo assim, muitos capixabas têm sentido e relatado o efeito da mudança no tempo. Alguns reclamam de crise alérgica ou até mesmo dificuldade para respirar.
A pneumologista Cilea Martins explica as condições do tempo afetam pessoas com quadros de asma e rinite. Mas também aquelas que nunca tiveram diagnósticos semelhantes. A recomendação é que as pessoas tomem alguns cuidados e bebam bastante água. 
"Quando há essa fumaça, temos a liberação do monóxido de carbono. Isso é extremamente ruim para o nariz e o pulmão. Se a pessoa tem doenças, como asma, sinusite ou rinite, acontece uma piora significativa. Mas as pessoas que não têm nada também ficam expostas e podem ter uma queda imunológica e aumento da produção de catarro. Uma recomendação é colocar vasilhas com água perto da cama, lavar o nariz com soro, se hidratar bastante e ter uma alimentação saudável"
Cilea Martins - Pneumologista
Em entrevista à TV Gazeta, a médica ressalta que é fundamental ter uma boa imunidade, que pode ser adquirida por uma alimentação saudável. Crianças e idosos são, normalmente, os mais afetados.

O que muda na sua rotina?

O nevoeiro, e também o "corredor de fumaça", podem diminuir a visibilidade dos motoristas em rodovias estaduais e federais. A recomendação é que as pessoas redobrem a atenção e reduzam a velocidade ao trafegar em áreas afetadas pelo fenômeno. Em entrevista à TV Gazeta, o superintendente Executivo da Polícia Rodoviária Federal no Espírito Santo, Joceir Nunes, deu algumas dicas.
"O ideal é que o motorista se informe sobre a formação do nevoeiro e busque trafegar em horários em que ele tenha visibilidade. Sempre que acontecer a redução da visibilidade, o condutor deve andar mais devagar e usar o farol baixo ou o farol de neblina. Nunca pare na via ou no acostamento. Sempre que possível, procure um local seguro", afirmou.

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