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Ficou na UTI

Chico Pinheiro revela câncer no intestino; veja os sinais da doença

O câncer de intestino, chamado de colorretal, é um dos tumores mais incidentes e letais no Brasil.

Publicado em 11 de Maio de 2026 às 13:11

Guilherme Sillva

Publicado em 

11 mai 2026 às 13:11
Chico Pinheiros
Chico Pinheiros revelou que teve um câncer de intestino Reprodução @Chicopinheiros

O jornalista Chico Pinheiro, 72, revelou que foi diagnosticado com câncer de intestino. O ex-âncora do Bom Dia Brasil contou sobre o diagnóstico enquanto entrevistava Zeca Baleiro. "Agora eu vou contar uma coisa aqui que eu não estava disposto a falar dela, mas é inevitável, porque eu vou puxar uma música sua. Eu passei um mês e pouco internado, fazendo cirurgia, descobri um câncer no intestino, a princípio relativamente fácil, porque estava bem no começo, e uma cirurgia que era para ser feita em um dia e três dias depois eu ia para casa".


A cirurgia teve uma complicação. "Só que teve uma complicação posterior. Realmente teve uma aderência intestinal e teve que abrir e operar. E eu passei uns belos dias na UTI."


Durante a internação, Chico contou que a música de Zeca Baleiro foi uma presença constante e que servia como alívio emocional num momento de profunda reflexão. "A coisa mais presente na minha cabeça era você cantando. Ouvi você cantar uma música todo o tempo. Ouvia e chorava. Não era chorar de medo nem de nada, não. Era de perceber as pessoas que, na correria, você não vê".

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Os sinais do câncer de intestino

O câncer de intestino, chamado de colorretal, é um dos tumores mais incidentes e letais no Brasil. Na verdade, com exceção dos tumores de pele não melanoma, o câncer colorretal é o terceiro tipo de câncer mais frequente no Brasil. E, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), a previsão é que mais de 45 mil novos casos sejam registrados anualmente no país até 2025. 


É uma doença maligna do aparelho digestivo que acomete o intestino grosso. Mas, na verdade, o termo ‘câncer colorretal’ refere-se ao agrupamento de dois tipos de neoplasias do intestino grosso: o câncer de cólon e o câncer de reto. "Quando esse tumor está localizado em até 10 centímetros da margem anal, dizemos que é um câncer de reto. Já entre 10 a 12 centímetros dessa margem, é a transição sigmoide. E, acima de 12 centímetros, um câncer de cólon”, detalha o médico oncologista Ramon Andrade de Mello. 

         

Os primeiros sintomas do câncer de intestino frequentemente passam despercebidos ou são atribuídos a condições benignas, como hemorroidas ou problemas intestinais comuns. Entre os sinais de alerta mais frequentes estão: sangue nas fezes, alteração do hábito intestinal (diarreia e/ou prisão de ventre), dor ou desconforto abdominal, fraqueza e anemia, perda de peso sem causa aparente, fezes mais finas e compridas, presença de massa abdominal.


Embora esses sintomas nem sempre indiquem câncer, especialistas reforçam que é fundamental investigar casos que persistem por alguns dias, garantindo diagnóstico correto e tratamento adequado. “A detecção precoce é um dos principais fatores para aumentar as chances de cura. Isso pode ser feito a partir da avaliação de sintomas por meio de exames clínicos, laboratoriais e de imagem”, explica o coloproctologista Henrique Perobelli Schleinstein, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.


Além disso, a Organização Mundial da Saúde recomenda o rastreamento em pessoas sem sintomas por meio do exame de sangue oculto nas fezes. Em caso positivo, exames como colonoscopia permitem identificar lesões ou pólipos.

O tratamento

Entre os principais fatores de risco para a doença estão: idade a partir de 50 anos, sedentarismo, excesso de peso e alimentação inadequada (especialmente com baixo consumo de fibras e alto consumo de carnes processadas e carne vermelha em excesso),  histórico familiar de câncer, tabagismo, consumo de álcool e doenças inflamatórias intestinais. Além disso, fatores ocupacionais também podem estar relacionados ao desenvolvimento da doença, como exposição a substâncias como amianto, radiações ionizantes e a realização de trabalho noturno (que desregula o ritmo biológico).


“A idade também é um fator de risco importante, sendo que há uma maior suscetibilidade para o desenvolvimento desse tipo de neoplasia após os 50 anos”, destaca o Ramon Andrade de Melo, que ressalta a importância da realização anual de exames para o rastreio da doença.


“Um dos principais métodos para o rastreamento das neoplasias colorretais é o exame chamado de pesquisa de sangue oculto nas fezes. Ele deve ser feito anualmente e, dependendo do resultado, o médico poderá indicar uma investigação mais aprofundada, com exames como retossigmoidoscopia ou mesmo a colonoscopia total”. 


A prevenção está diretamente ligada ao estilo de vida. Manter o peso adequado, praticar atividade física regularmente e adotar uma alimentação baseada em alimentos in natura, como frutas, verduras, legumes, cereais integrais e leguminosas, são medidas essenciais. Evitar carnes processadas, limitar o consumo de carne vermelha e não fumar também são recomendações importantes.


“O câncer de intestino é tratável e, quando diagnosticado precocemente, apresenta altas chances de cura”, reforça Henrique Perobelli. O tratamento pode ser por meio de cirurgia, além de radioterapia e quimioterapia, dependendo do estágio da doença. Diante desse cenário, a principal recomendação é clara: ao perceber qualquer alteração persistente no funcionamento do intestino ou sinais incomuns, a busca por avaliação médica não deve ser adiada.


O tratamento do câncer de reto pode envolver radioterapia, quimioterapia e também cirurgia. Normalmente, iniciamos com quimioterapia, cuja resposta é avaliada com exames de imagem, como a ressonância. "Em seguida, podemos indicar um protocolo de radioterapia e, posteriormente, a cirurgia. Quando realizada após esse tratamento, a cirurgia tem menor risco de complicações e maiores chances de sucesso”, diz Ramon. “Já o câncer de cólon geralmente é tratado logo de início com a cirurgia. E depois, dependendo do resultado anatomopatológico, ou seja, da avaliação da peça da biópsia cirúrgica, o médico avalia a indicação ou não de quimioterapia complementar”, detalha.

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