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Angelo Passos

Camata criou as estradas do desenvolvimento do Espírito Santo

Camata construiu 1.320 quilômetros de estradas e todos os municípios foram ligados a Vitória por asfalto

Publicado em 27 de Dezembro de 2018 às 21:00

Públicado em 

27 dez 2018 às 21:00
Angelo Passos

Colunista

Angelo Passos

Camata e a ligação do ES por meio de estradas Crédito: Amarildo
“Camata vence as eleições na Capital e no interior”. Esta foi a manchete no alto da primeira página de A GAZETA na edição de 17 de novembro de 1982, anunciando o primeiro governador eleito pelo voto direto no Espírito Santo, após o período de exceção política, sob a égide da ditadura militar.
Gerson Camata governou o Estado de 15 de março de 1983 a 14 de maio de 1986 (quando desincompatibilizou-se do cargo para candidatar-se ao Senado). Sua gestão atravessou com brilho uma conjuntura econômica nacional extremamente desfavorável.
Nos anos 80, chamados de década perdida, o Brasil amargou uma terrível cadeia de problemas: desemprego, queda do consumo, recessão, aumento da dívida externa, desequilíbrio da balança comercial, inflação galopante e submissão do país às exigências do FMI, que pesavam diretamente na renda da população, por meio do achatamento de salários. Era o fim dramático do “milagre econômico”, modelo de crescimento sustentado no endividamento externo e na substituição de importações.
Camata recebeu a faixa no Palácio Anchieta em clima de dramaticidade econômica no país. O Brasil estava quebrado. A economia se contorcia em crise, tentando sair, muito lentamente, de uma recessão que durou nove trimestres (a partir de 1981) e acumulou contração 8,5% do PIB. A inflação anual cravou 131%, em 1983. O dinheiro se evaporava.
Era dificílimo captar empréstimos para o Estado. Ainda assim, o “Italiano”, como era chamado por alguns mais próximos, executou à risca o ensinamento deixado pelo presidente Washington Luís, segundo o qual “governar é abrir estradas”. Durante o governo Camata, foram construídos 1.320 quilômetros de estradas, e todos os municípios ligaram-se a Vitória, por rodovias asfaltadas, facilitando a implantação de políticas de interiorização do crescimento.
Várias outras realizações despontaram no governo que deixou saudades para os capixabas. Entre elas, a construção de escolas, hospitais, postos de saúde, e o zelo ao equilíbrio das contas públicas. Na época, com a arrecadação baixa, manter em dia o pagamento do funcionalismo era uma proeza. E foi conseguida.
Também deve ser lembrado o sentimento ecológico da era Camata. Foi manifestado claramente, com a criação de reservas florestais, como a da Fonte Grande, em Vitória, e a da Pedra Azul, em Domingos Martins, além da ampliação da reserva das tartarugas em Comboios, distrito de Linhares.

Angelo Passos

É jornalista. Escreve às segundas e às sextas-feiras sobre economia, com foco no cenário capixaba, trazendo sempre informações em primeira mão e análises, sem se descuidar dos panoramas nacional e internacional

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