Moradores da região central de São Paulo ficaram sem energia elétrica na madrugada desta quarta-feira (15) e a explicação da distribuidora Enel foi o desligamento de um circuito na rede elétrica. O motivo do desligamento não foi informado. Antes dessa explicação, clientes que reclamaram receberam um comunicado sobre problemas relacionados a meio ambiente, sem detalhes.
O problema começou pouco depois da meia-noite e o serviço voltou a funcionar para parte dos moradores por volta das 5h. Segundo a Enel, o pico foi de clientes sem energia ocorreu entre 0h30 e 2h03, com 10.621 imóveis sem abastecimento.
Às 5h40 a distribuidora disse que 860 clientes ainda eram afetados em trechos do centro histórico, onde equipes atuavam para normalizar a situação. Segundo a Enel, cinco geradores estão disponíveis para reforçar o abastecimento na região.
A empresa afirmou que, caso necessário, fará a conexão de geradores para suprir a demanda até conclusão dos reparos. "As causas da ocorrência são investigadas", afirmou a Enel.
A falta de energia atingiu imóveis nas regiões das avenidas Rio Branco, Ipiranga, São João e Duque de Caxias, nos bairros República e Santa Ifigênia, além do Vale do Anhangabaú e da região histórica.
A falta de energia atrapalhou o dia de trabalho de diversas pessoas. Uma delas é o comerciante Joselino Ferreira Duarte, 73, que proprietário da lanchonete Sabor e Delícia, na rua 24 de Maio.
Ele contou que na metade da manhã a energia foi restabelecida parcialmente.
"Voltou agora há pouco. Está piscando ainda, mas vamos ver se vai ficar firme. É sempre assim. Estou esperando para ver se dá para trabalhar. Até agora não foi nada resolvido. Agora que eu vou começar a fazer as coisas para ver se funciona. Eu tava até pensando em ir embora", afirmou.
O zelador do edifício Palácio do Comercio, na mesma via, no Centro Histórico, que se identificou apenas como Vitorino, afirmou que a eletricidade foi parcialmente restabelecida por volta de 9h30, com a instalação de geradores da Enel.
O zelador disse que várias pessoas que trabalham no prédio foram impactadas. Apenas dois elevadores estão funcionando porque se todos forem ligados a energia pode cair. Inclusive, algumas pessoas chegaram a ficar presas dentro do equipamento. Matheus Reginaldo da Silva, 25, atendente de lanchonete, no Terminal Bandeira, também reclama da situação.
"Desde meia-noite caiu a energia total. Voltou 8h30, mas até agora a gente não sabe o que aconteceu. Já é a terceira vez que isso acontece. É bem triste para a gente que trabalha aqui", falou.
No meio da madrugada, o mapa da Enel de fornecimento de energia para a região metropolitana de São Paulo mostrava que 7.308 clientes estavam sem o serviço, o que equivale a 0,12% do total (5.981.344 clientes).
A concessionária SPS VivaCidade, que administra o Terminal Bandeira, disse que o fornecimento de energia elétrica começou por volta de 0h30, no local. A SPS VivaCidade afirmou que, imediatamente, o gerador do terminal foi acionado. O fornecimento de energia pela Enel foi normalizado às 8h, afirmou a concessionária.
Às 13h, o sistema da empresa mostrava que 9.093 endereços estavam com o fornecimento de energia interrompido, o que representa 0,15% dos clientes atendidos na capital paulista. A instância jurídica da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) rejeitou, há uma semana, as justificativas apresentadas pela para tentar derrubar o processo que pode resultar na perda de sua concessão de distribuição de energia na região metropolitana de São Paulo.
Em parecer encaminhado ao diretor-relator da agência, Fernando Mosna, responsável por analisar o recurso da empresa, a AGU (Advocacia-Geral da União) conclui que os argumentos levados pela distribuidora não apontam ilegalidades na decisão da agência, como a empresa sustentava.
Entre as irregularidades, o parecer destaca o tempo médio para atendimento das ocorrências emergenciais e as interrupções superiores a 24 horas de forma recorrente, falhas consideradas graves e estruturais para enfrentar eventos climáticos extremos, além de problemas na mobilização das equipes de campo.
Por meio de nota, a Enel SP declarou que manifesta sua discordância em relação ao parecer e que "seguirá atuando de forma transparente e colaborativa para demonstrar, em todas as instâncias competentes, o cumprimento integral das metas estabelecidas em contrato e no plano de melhoria apresentado ao regulador em 2024".