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Projeto Comprova

Ministério do Esporte não é o responsável por uniforme do Brasil nas Olimpíadas

Post engana ao afirmar que o uniforme dos atletas brasileiros nas Olimpíadas de Paris está relacionado a mudanças na gestão do Ministério do Esporte, que envolveu a saída da medalhista Ana Moser, substituída pelo deputado federal André Fufuca

Publicado em 29 de Julho de 2024 às 13:28

Redação de A Gazeta

Publicado em 

29 jul 2024 às 13:28
Ministério do Esporte não é o responsável por uniforme do Brasil nas Olimpíadas Crédito: Reprodução TikTok/Arte A Gazeta 
Conteúdo investigado: Vídeo em que homem critica o uniforme usado pelos atletas brasileiros na cerimônia de abertura da Olimpíada de Paris e diz que isso é consequência da mudança no comando do Ministério do Esporte, durante o governo Lula (PT). “O Brasil está passando vergonha na França. Os uniformes da equipe olímpica estão um desastre, perdendo feio para uniformes produzidos pelas outras nações”, afirma o autor da publicação.
Onde foi publicado: TikTok.
Conclusão do Comprova: Publicação engana ao dizer que o uniforme usado pelos atletas brasileiros na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Paris tem relação com a substituição da medalhista olímpica de vôlei Ana Moser pelo deputado federal André Fufuca (PP-MA) no comando do Ministério do Esporte (Mesp). Oficializada em setembro de 2023, a medida envolveu meses de negociação, sendo promovida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em busca de mais apoio no Congresso Nacional.
Desde que foi anunciada, a vestimenta dos atletas é criticada nas redes sociais, com comentários alegando falta de criatividade e comparações com as roupas de outras delegações. Ao contrário do que o autor do vídeo diz, o Ministério do Esporte não tem envolvimento com o uniforme.
pasta destacou que cabe ao Comitê Olímpico do Brasil (COB), uma entidade não governamental, prover as roupas de viagens, desfile, cerimônia de abertura e dia a dia na Vila Olímpica para todos os atletas brasileiros.
“É falsa a informação que o Ministério do Esporte seja responsável por confeccionar e fornecer kits de uniforme e equipamentos para a delegação brasileira”, declarou a pasta em comunicado publicado no dia 22 de julho.
As vestimentas deste ano foram criadas pela Riachuelo, em parceria com o COB. Como informado pela empresa, a produção contou com 500 profissionais e começou em 2020, cerca de três anos antes das mudanças no comando do Ministério. O processo para a criação da linha é longo e envolve muitas etapas, como briefing técnico, estudo de materiais, aprovações, modelagem e execução, informou a Riachuelo em comunicado.
Em nota enviada ao Comprova, o COB afirmou ser o responsável, com seus patrocinadores, pelos diferentes tipos de uniformes: Riachuelo pelas vestimentas de viagem; Riachuelo e Havaianas por roupas usadas na Cerimônia de Abertura; e Peak para os uniformes de pódio, Vila e treino. “O Ministério do Esporte não tem envolvimento nessa questão”, reforçou o órgão.
O autor do vídeo foi procurado, mas não respondeu até o fechamento da verificação.
Enganoso, para o Comprova, é o conteúdo retirado do contexto original e usado em outro de modo que seu significado sofra alterações; que usa dados imprecisos ou que induz a uma interpretação diferente da intenção de seu autor; conteúdo que confunde, com ou sem a intenção deliberada de causar dano.
Alcance da publicação: O Comprova investiga os conteúdos suspeitos com maior alcance nas redes sociais. Até 26 de julho, o post contabilizava mais de 509 mil visualizações, 16,6 mil curtidas e 1,2 mil comentários.
Fontes que consultamos: Procuramos por reportagens sobre o tema e entramos em contato com o Ministério do Esporte e o Comitê Olímpico Brasileiro.

Uniforme brasileiro foi alvo de críticas na internet

Parte das críticas sobre o uniforme produzido para a delegação brasileira sugere que o traje seria muito simples, comum e até conservador. Responsável pela concepção das peças, a Riachuelo, patrocinadora do COB e marca de moda oficial do Time Brasil, em 2024, disse que as vestimentas exploram a fauna e a flora do país e ilustram a força da biodiversidade brasileira.
Segundo a marca, as cores das camisetas fazem alusão à bandeira do Brasil, com as tonalidades de verde, azul e amarelo presentes na maioria das peças. Já as jaquetas jeans foram confeccionadas por bordadeiras de Timbaúba dos Batistas, cidade no semiárido do Rio Grande do Norte.
Como mostrou o g1, o trabalho foi feito artesanalmente, peça por peça, pelas trabalhadoras locais. Segundo informou a Associação das Bordadeiras de Timbaúba dos Dantas à reportagem, o trabalho contou com 80 trabalhadoras da cidade, que usaram lápis, agulha, goma e máquinas de costura. O trabalho envolveu inicialmente 18 profissionais, mas aumentou devido à demanda.
Foram, ao todo, mais de 2,4 mil peças confeccionadas e entregues em cerca de cinco meses, sendo o último lote em abril.
Por que o Comprova investigou essa publicação: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e aplicativos de mensagem sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas e eleições no âmbito federal e abre investigações para aquelas publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.
Outras checagens sobre o tema: Aos FatosLupa e UOL já verificaram outras peças de desinformação sobre os uniformes utilizados pelos atletas brasileiros nas Olimpíadas. O Comprova também já fez outras checagens que envolvem o governo federal e mostrou ser sátira a montagem em que Lula diz querer roubar cachorro de criança e enganosa a afirmação de que todos os profissionais autônomos terão de pagar 26,5% de alíquota após a reforma tributária.
*Esta verificação contou com a participação de jornalistas que participam do Programa de Residência no Comprova.

Investigação e verificação

Investigado por: A Gazeta e Residência Comprova
Texto verificado por: Estadão, Folha, O Popular, imirante.com, Correio Braziliense, SBT e SBT News

O Projeto Comprova é uma iniciativa colaborativa e sem fins lucrativos liderada e mantida pela Abraji – Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo e que reúne jornalistas de 42 veículos de comunicação brasileiros para descobrir, investigar e desmascarar conteúdos suspeitos sobre políticas públicas, eleições, saúde e mudanças climáticas que foram compartilhadas nas redes sociais ou por aplicativos de mensagens. A Gazeta faz parte dessa aliança. 

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