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Em São Paulo

Estudantes invadem blocos da administração da USP e são retirados pela PM

Segundo a direção da universidade, os alunos estavam encapuzados, carregavam pedaços de pau e cassetetes, dispararam rojões e agrediram seguranças

Publicado em 09 de Junho de 2026 às 13:38

Agência FolhaPress

Publicado em 

09 jun 2026 às 13:38
Um grupo de estudantes da USP (Universidade de São Paulo) invadiu na noite desta segunda-feira (8) as portarias dos blocos K e L da administração central em protesto contra a qualidade das refeições servidas no restaurante universitário, valor do Pafpe (Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil) e dificuldades de negociação com a reitoria.
Segundo a direção da universidade, os alunos estavam encapuzados, carregavam pedaços de pau e cassetetes, dispararam rojões e agrediram seguranças, inclusive disparando fogos de artifício contra eles.
"Diversos membros da guarda universitária sofreram escoriações e pelo menos três tiveram ferimentos mais graves e foram levados ao Hospital Universitário", diz comunicado da USP.
A Polícia Militar foi acionada e retirou os estudantes. Segundo relatos de alunos, houve truculência na retirada. O grupo foi levado para o 7º Distrito Policial, na Lapa, zona oeste de São Paulo. A Polícia Militar não se posicionou até o momento.
Em manifesto divulgado nas redes sociais, os estudantes se declararam independentes, ou seja, não estão vinculados ao diretório acadêmico que liderou a greve iniciada em 14 de abril. Durante a invasão, além das máscaras para cobrir os rostos, eles gritaram palavras de ordem.
Em um dos vídeos sobre a retirada, duas jovens, contidas por policiais, protestam contra a desocupação e dizem que estão pedindo melhores condições na universidade. "Essa máscara é de quem está lutando", diz uma delas.
"Essa ocupação é o verdadeiro e autêntico Dia do Revide, tão desejado por todos os estudantes da USP que tem participado dessa batalha", diz o manifesto dos estudantes que tentaram ocupar os blocos nesta segunda.
A invasão ocorreu no mesmo dia em os alunos decidiram, em assembleia, recomendar o encerramento da greve de 54 dias e o retorno às aulas nas unidades da universidade.
Foram 323 votos para encerrar o movimento, contra 255 para manter a paralisação e 9 abstenções.
A greve foi uma das maiores mobilizações estudantis da USP na última década, com a adesão de 43 unidades e episódios como a invasão da reitoria, em maio, quando a Polícia Militar foi acionada para retomada do espaço e usou bombas, gás e corredor polonês para a retirada dos alunos.
A reitoria ofereceu um reajuste do auxílio de R$ 885 para R$ 912, valor correspondente à recomposição inflacionária acumulada desde 2022. A administração também anunciou medidas voltadas a melhorias no Crusp (Conjunto Residencial da USP) e à ampliação de canais de diálogo com os estudantes.

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