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Luana Romero

Artigo de Opinião

É presidente do Instituto Ideias
Luana Romero

Super El Niño no ES: o que você tem a ver com isso?

Existe um caminho, e ele passa pela cooperação. Nenhum governo conseguirá enfrentar sozinho os impactos das mudanças climáticas
Luana Romero
É presidente do Instituto Ideias

Publicado em 14 de Julho de 2026 às 16:51

Publicado em 

14 jul 2026 às 16:51

Quando o clima muda, não é apenas a previsão do tempo que muda. Mudam o preço dos alimentos, a disponibilidade de água, a qualidade do ar, o risco de incêndios, a produção no campo e até a rotina das cidades.


É justamente esse o alerta que o Espírito Santo vive neste momento. As previsões meteorológicas indicam a formação de um Super El Niño, fenômeno que pode intensificar eventos extremos nos próximos meses e trazer impactos significativos para a economia, o meio ambiente e a vida da população capixaba. 


Diante desse cenário, o Governo do Estado já adotou medidas importantes, como a criação de um Centro Integrado de Comando e Controle e a publicação de decretos voltados ao monitoramento da situação, à prevenção de incêndios e à segurança hídrica.

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Essa mobilização é necessária porque os efeitos do fenômeno vão muito além das altas temperaturas. Estamos falando de seca severa em algumas regiões, redução da disponibilidade de água, aumento do risco de queimadas, pressão sobre a agricultura, elevação dos custos de produção, impactos na saúde e a possibilidade de chuvas intensas e concentradas em curtos períodos, capazes de provocar alagamentos e deslizamentos.


O cenário previsto preocupa especialmente as regiões Norte e Noroeste do Espírito Santo, onde a estiagem tende a ser mais severa. A redução das chuvas compromete rios, reservatórios e a disponibilidade de água para consumo humano, produção agrícola e atividades industriais.


Os impactos chegam rapidamente à economia. O agronegócio, um dos pilares do desenvolvimento capixaba, sente os efeitos antes mesmo da confirmação do fenômeno. A expectativa de quebra nas safras de café conilon e arábica já influencia o mercado e contribui para a alta dos preços.


Mas os efeitos não se limitam ao campo. Nas cidades, o calor intenso aumenta o consumo de energia elétrica, pressiona os sistemas de abastecimento de água, eleva os custos operacionais das empresas e amplia os riscos à saúde, especialmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas. A fumaça das queimadas compromete a qualidade do ar e agrava doenças respiratórias, enquanto a baixa umidade favorece novos focos de incêndio.

Chuvas intensas

Ao mesmo tempo, o Super El Niño também pode provocar um comportamento aparentemente contraditório: períodos prolongados de seca intercalados com chuvas muito intensas em poucas horas. 


Depois de longos períodos de estiagem, o solo perde parte da sua capacidade de absorver água. O resultado é o aumento de enxurradas, alagamentos e deslizamentos, principalmente em áreas urbanas e regiões mais vulneráveis.


Esse é o retrato de uma nova realidade climática. Os eventos extremos estão se tornando mais frequentes e mais intensos. O Super El Niño não é, por si só, o maior problema. O maior desafio é a vulnerabilidade das nossas cidades, da nossa economia e da nossa infraestrutura diante desses eventos. Quanto menos preparados estivermos, maiores serão os prejuízos sociais, ambientais e econômicos.


As medidas adotadas pelo Governo do Estado representam um passo importante, mas enfrentar esse desafio exige uma atuação conjunta. A adaptação climática precisa deixar de ser vista apenas como uma agenda ambiental e passar a fazer parte das decisões sobre desenvolvimento, infraestrutura, planejamento urbano e gestão de riscos.

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Estiagem Rubens Cardia/Folhapress

No campo, será cada vez mais importante ampliar o uso de tecnologias para irrigação eficiente, recuperar nascentes, proteger áreas de preservação permanente, conservar o solo e fortalecer práticas agrícolas mais resilientes.


Nas cidades, soluções baseadas na natureza, como a recuperação de matas ciliares, proteção de nascentes e ampliação da cobertura vegetal, ajudam simultaneamente a reduzir enchentes, preservar recursos hídricos e amenizar as ilhas de calor.


As empresas também têm um papel fundamental nesse processo. Adotar práticas ESG é uma forma de se preparar para os impactos das mudanças climáticas. Incorporar os riscos climáticos à gestão, investir no uso eficiente dos recursos naturais e desenvolver estratégias de adaptação fortalece os negócios e aumenta sua resiliência diante de eventos extremos.


E as pessoas precisam entender que também fazem parte dessa mudança. A resiliência de um estado não é construída apenas por grandes obras ou políticas públicas, mas também pelas decisões que cada cidadão toma todos os dias. Economizar água, evitar queimadas, preservar áreas verdes, descartar corretamente os resíduos são atitudes individuais que produzem benefícios coletivos.


Existe um caminho, e ele passa pela cooperação. Nenhum governo conseguirá enfrentar sozinho os impactos das mudanças climáticas. Nenhuma empresa conseguirá proteger seus negócios ignorando os riscos ambientais. E as pessoas precisam entender que também fazem parte dessa mudança. O enfrentamento da crise climática depende de governos, empresas e cidadãos atuando juntos.

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