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Lenildo Morais

Artigo de Opinião

É geógrafo, gestor público e mestre em Desenvolvimento Sustentável, presidente da Funasa
Lenildo Morais

Rio Doce: monitorar a água é proteger a população

A presença da Funasa nessa missão reafirma o papel estratégico da instituição para o fortalecimento da saúde ambiental e do saneamento em nosso país
Lenildo Morais
É geógrafo, gestor público e mestre em Desenvolvimento Sustentável, presidente da Funasa

Publicado em 20 de Junho de 2026 às 10:00

Publicado em 

20 jun 2026 às 10:00

O Brasil conhece, infelizmente, as marcas profundas deixadas pelo rompimento da barragem de Fundão, ocorrida em 2015, em Mariana/MG. Os impactos sociais, ambientais e econômicos atingiram milhares de famílias e comprometeram a vida ao longo da bacia do Rio Doce. Mais de uma década depois, permanece um desafio para o poder público, o de garantir segurança hídrica, proteção à saúde e acompanhamento da qualidade da água consumida pela população.


É nesse contexto que a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) está iniciando a segunda etapa de atuação no território. Desde maio, assumimos o  monitoramento da qualidade da água em 173 pontos distribuídos em 32 municípios de Minas Gerais e Espírito Santo. 


A ação representa mais do que uma operação técnica, trata-se de um compromisso institucional com a vida das pessoas que vivem naquela região do país e que poderão ter acesso a informações importantes para sua saúde.

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A presença da Funasa nessa missão reafirma o papel estratégico da instituição para o fortalecimento da saúde ambiental e do saneamento em nosso país. Ao longo de sua trajetória, a Fundação acumulou experiência técnica, capacidade operacional e conhecimento territorial fundamentais para atuar em situações complexas, especialmente junto às populações mais vulneráveis e em municípios de pequeno porte.


O trabalho que está sendo realizado mobiliza unidades móveis de controle da qualidade da água, equipes técnicas especializadas, laboratórios e profissionais de diferentes estados brasileiros. 


São analisados parâmetros essenciais para consumo humano, como cloro residual, turbidez, pH e presença de microrganismos indicadores de contaminação, permitindo respostas rápidas e produção qualificada de dados para subsidiar decisões das autoridades sanitárias.


Mais do que medir indicadores, estamos fortalecendo a capacidade do Estado brasileiro de acompanhar riscos, prevenir danos e garantir transparência à população. Água segura é condição básica de dignidade humana, saúde pública e desenvolvimento sustentável.

Rio Doce em Colatina Edson Chagas

A atuação da Funasa no Rio Doce também demonstra a importância da cooperação entre instituições públicas. O acordo firmado com a AgSUS, somado ao apoio do Ministério da Saúde e à integração com universidades e parceiros técnicos, revela que os grandes desafios nacionais exigem coordenação, planejamento e compromisso coletivo.


O Brasil vive um momento decisivo de reconstrução de políticas públicas. E o saneamento ocupa lugar central nesse debate. Ainda convivemos com milhões de brasileiros sem acesso adequado à água tratada e ao esgotamento sanitário, realidade que aprofunda desigualdades e compromete oportunidades individuais e coletivas.


Por isso, iniciativas como a campanha “Funasa presente no Rio Doce” têm significado que vai além da operação em campo. Elas simbolizam a retomada da presença do Estado em agendas essenciais para a população brasileira, especialmente nos territórios historicamente mais esquecidos. 

A Funasa continuará atuando para fortalecer ações de saúde e educação ambiental, ampliar a vigilância da qualidade da água e apoiar municípios brasileiros na construção de soluções sustentáveis. Cuidar da água é cuidar das pessoas. E proteger o Rio Doce é também reafirmar nosso compromisso com um Brasil mais justo, solidário e saudável.

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