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Gustavo Figueiredo

Artigo de Opinião

É superintendente do Shopping Mestre Álvaro
Gustavo Figueiredo

Do consumo à convivência: o shopping como hub de experiência urbana

O shopping deixa de ser um destino pontual e passa a ocupar um espaço mais orgânico na rotina das pessoas
Gustavo Figueiredo
É superintendente do Shopping Mestre Álvaro

Publicado em 15 de Julho de 2026 às 10:00

Publicado em 

15 jul 2026 às 10:00

A forma como as pessoas se relacionam com os shopping centers mudou e essa transformação passa, necessariamente, pela experiência do cliente. Se antes o principal objetivo de uma visita era a compra, hoje o comportamento é outro.

 

Levantamento da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) mostra que o público amplia seus motivos de visita, com destaque para lazer e alimentação. Na prática, isso revela uma mudança clara: consumir deixou de ser o único foco, dando espaço à convivência, ao entretenimento e à busca por experiências mais completas.

 

O shopping deixou de ser apenas um ponto de consumo para se tornar um espaço de convivência. E isso muda tudo.

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Esse movimento acompanha um consumidor mais exigente, que valoriza não apenas o que compra, mas como se sente durante toda a jornada. A experiência deixa de ser um diferencial e passa a ocupar o centro da estratégia dos shopping centers. Hoje, a escolha de ir a um shopping está muito mais ligada ao desejo de estar naquele ambiente do que a uma necessidade específica de compra.

 

Neste contexto, os empreendimentos passam a assumir um novo papel, o de hubs de experiência urbana. Espaços que integram consumo, lazer, gastronomia, serviços e bem-estar em um mesmo ambiente, pensados para atender diferentes perfis e momentos do dia.

 

É por isso que o shopping passa a ser entendido como um destino. Um lugar onde diferentes experiências acontecem de forma integrada, acompanhando a dinâmica da vida urbana.

 

Mais do que grandes atrações, a experiência é construída na soma de detalhes. A ambientação, o cuidado com os espaços, a curadoria de marcas e a forma como o cliente é recebido influenciam diretamente na percepção do público. Em alguns casos, estímulos sensoriais, como identidade olfativa e sonora, passam a fazer parte da estratégia, contribuindo para criar reconhecimento e conexão emocional.

 

Mas há uma dimensão ainda mais profunda nessa transformação: a construção de comunidades. O shopping contemporâneo não reúne apenas pessoas, ele cria vínculos entre elas. Iniciativas como clubes do livro, eventos de jogos de tabuleiro, encontros temáticos e atividades culturais transformam o espaço físico em ponto de encontro de grupos que compartilham interesses em comum. 


O resultado é um ecossistema vivo, onde o shopping não apenas abriga comunidades, mas as fortalece. Quando as pessoas encontram ali um lugar que ressoa com seus hábitos e com quem elas são, a relação com o espaço ganha outro significado.

Shopping, compras, consumo
Experiências no shopping Pixabay

Além disso, programas de relacionamento e iniciativas que oferecem benefícios e personalização reforçam o vínculo com o cliente e incentivam a recorrência. São movimentos que mostram como a experiência deixou de ser pontual para se tornar contínua e integrada à jornada.

 

Não se trata apenas de atrair pessoas, mas de fazer com que elas queiram voltar e, principalmente, permanecer. Esse é o ponto de virada. O tempo de permanência passa a ser tão relevante quanto a visita em si.

 

O que se observa, portanto, não é apenas uma tendência, mas uma mudança de lógica. O shopping deixa de ser um destino pontual e passa a ocupar um espaço mais orgânico na rotina das pessoas.

 

Quando isso acontece, o shopping deixa de ser um lugar para resolver uma necessidade e passa a ser um espaço que faz sentido no cotidiano.

 

E talvez esse seja o principal desafio, e também a maior oportunidade: entender que não basta atrair, é preciso fazer sentido. Porque quando o espaço se conecta de verdade com o dia a dia das pessoas, a visita deixa de ser planejada e passa a acontecer naturalmente.

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