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Cultura

A nossa dor de cabeça com o Cais das Artes

A obra do Cais das Artes é monstruosa, maior do que a capacidade do Estado em disponibilizar recursos para mantê-lo funcionando

Publicado em 30 de Julho de 2018 às 18:14

Públicado em 

30 jul 2018 às 18:14

Colunista

Cais das Artes - Um tremendo elefante branco
Gutman Uchôa de Mendonça*
Nossos governantes, quando assumem o poder, se transformam em sábios, não aceitam ideias alheias ou que confrontem as suas. E como usam os recursos públicos, não se incomodam se as coisas que vão dar ou não certo.
Vou ousar dar uma opinião ao governador Paulo Hartung, a quem aprecio pelo caráter. Foi ideia sua, exclusivamente sua, a construção do Cais das Artes, formidável projeto encomendado ao arquiteto capixaba Paulo Mendes da Rocha, natural de Cachoeiro de Itapemirim e radicado em São Paulo, que projetou o famoso “caixotão”, como é apelidado pelos que entendem de arquitetura. Agora, dizem que só vai ficar pronto em 2020. Vai?!
A obra é monstruosa, maior do que a capacidade do Estado em disponibilizar recursos para mantê-lo funcionando. Daí o abandono e a possibilidade de atravessar mais anos exposta ao tempo, o que é perigoso. Seria importante entregá-lo à iniciativa privada para que ali fosse implantado um formidável Centro de Convenções e uma galeria de artes para que o artista capixaba tivesse um espaço para expor seus trabalhos. O importante é que o empreendimento tivesse nas mãos da iniciativa privada, para administrá-lo.
A sorte do Cais das Artes depende da vontade do governador para continuar funcionando depois de pronto
Não desmereçamos a ideia visionária de sua construção e do idealizador, mas essas coisas precisam ter começo, meio e fim.
A sorte do Cais das Artes depende da vontade do governador para continuar funcionando depois de pronto. Mas Hartung vê o término de seu mandato e o desejo de encerrar a vida pública pelo desgosto à classe política que ele um dia imaginou ajudar a construir, e agora encontra-se desiludido.
A cidade precisa de um centro de convergência, de aglomeração de pessoas que desejam o desenvolvimento. Com a proibição da Praça do Papa, em Vitória, em receber pavilhões para a realização de grandes feiras, resta arranjar um espaço para que o centro nevrálgico do Estado possa ter um local nobre para se apresentar aos visitantes.
As histórias não se repetem. Bom que sejam contadas de uma só vez, para que seus autores sejam lembrados com saudades, evitando-se cair no desprezo.
*O autor é jornalista
 

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